2.2.06

 

nossas pretensões

Dentre o grupo que se reuniu para formar este coletivo (que virtualizamos neste blogue), não há um consenso sobre o que é contrariar a grande mídia, nem o que significa a mudança nas sociedades, nas atitudes, no jornalismo. Nós não podemos dar uma resposta messiânica. Mas existem coisas que podemos combater, ainda que seja como um tiro no escuro, e esse combate quase perdido é uma proposta de tornar público o que não é. De debater. De apresentar. Temos um objetivo que é negar uma prática irresponsável do jornalismo, negar o uso do jornalismo como instrumento de manipulação de pessoas, negar a sobreposição de interesses econômicos e egoístas aos valores humanos e sociais. Deste modo, pretendemos incentivar um debate do qual possamos retirar proposições. Proposições para fomentar a reflexão daqueles que se interessam por um mundo melhor e mais justo.

Nosso alvo específico é o jornalismo e ainda que não tenhamos um conceito fechado sobre o que ele deve ser, vemos como a imprensa pode ser irresponsável. Assim como qualquer empresa pode ser. Mas a irresponsabilidade de um meio é agravada pela credibilidade que depositam nele.

Discutimos, discutimos e discutimos por muito tempo. Por anos! Sobre vários problemas, merdas com que não concordávamos. Cada um em seu espaço, ou com seus amigos mais próximos, namoradosas, vizinhos, colegas, professores. Entre nós, em corredores, bares, festas. Até que nos reunirmos e nos autodeclararmos o reverso. Mas reverso do quê? Bom, a gente não sabe bem ao certo. E quem disse que é a gente que tem de saber?

Pensamos em colocar algumas cartas marcadas numa mesa cheia de cerveja e algumas anotações molhadas. E saiu: a grande imprensa, aquela dos jornalões de circulação nacional, dos canais de tevê assistidos em todo Brasil, daquelas rádios que poderiam estar mais próximas da população, das páginas de internet mais acessadas, das empresas que contam até com helicóptero para realizar suas coberturas, enfim, saiu de nossos debates que a grande imprensa não está cumprindo com seu papel.

Mas que papel? Bom, para nós, todos nós que assinaremos estes textos e fotos, o jornalismo deve estar de braços dados com a liberdade e a democracia, e deve bater incessantemente na opressão. Temos ojeriza a qualquer tipo de exploração do homem pelo homem e, por isso, não podemos aceitar a ordem das coisas tal como ela se apresenta hoje em dia, nem na sociedade, nem nas notícias que nos chegam. Queremos a reversão de tudo isso.

As pessoas estão pobres, e cada vez mais. E cada vez mais parece que a imprensa (a grande, é bom lembrar) vira as costas para esse problema. Talvez porque ficou comum demais, como ônibus lotados, rios poluídos, céu cheio de veneno, polícia matando gente inocente. E o que se torna corriqueiro, no raciocínio deles, não ganha as manchetes nem as notas de pé de página, por mais importante que seja.

Nós, definitivamente, não concordamos com isso e não achamos nada normal ver o estado destilando as dores de seu aparelho repressor em cima de cidadãos que nada fazem de errado, a não ser reivindicar seus direitos mais legítimos, garantidos todos nas páginas da Constituição de 1988. Moradia digna, terra, liberdade de expressão... E não entendemos por quê a mídia não noticia essas coisas, como muitas e muitas outras. E, principalmente, não entendemos por quê, quando ela mostra, o faz com preconceito e desrespeito.

Tem uma infinidade de coisas que poderiam (deveriam) ter terreno reconhecido em cartório, no único espaço público de discussão existente hoje em dia. E elas estão totalmente excluídas do processo. Fatos e idéias divergentes, que mostram outra realidade, outra forma de ver o mundo. Uma forma que não chega a ser inovadora, mas está escondida nos recônditos mais profundos de nosso desinteresse e conformismo.

Não, não nos pretendemos revolucionários. Somos apenas pessoas descontentes com as pessoas que estão no poder, com os discursos hipócritas, com a exclusão, com a falta de liberdade, com a desigualdade, com a injustiça. Com a maior parte do mundo. E achamos que poderíamos demonstrar essa chateação com a ajuda de um blogue, um espaço ínfimo, com endereço difícil, nessa imensidão da internet a que poucos brasileiros têm acesso.

Nos leia. Nos indique. E, principalmente, colabore conosco. Se não chegarmos a lugar algum, pelo menos o caminho (o caminho reverso, claro) ficará marcado.

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Tata chamuscão!
 
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