6.2.06

 

veja a desistência do jornalismo

por fábio brandt

A cada edição da revista Veja, acompanhamos sua desistência do jornalismo. Este veículo de comunicação deixou de publicar textos jornalísticos e tornou-se um panfleto colorido da defesa dos interesses das classes política e economicamente dominantes no país. Veja deixou de priorizar os textos informativos, deixou de publicar matérias e reportagens para aprofundar os conhecimentos dos leitores nos assuntos, deixou de estimular o confronto de idéias e opiniões divergentes. Ao abrirmos Veja, o que lemos são textos com a pretensão de persuadir e não de informar. Textos com a intenção de, por exemplo, atacar algum grupo social, político ou religioso e defender outro.

Não há interesse em abordar as idéias, a história, os objetivos de cada grupo. Há o interesse em atacar um e defender outro.
Um dos exemplos máximos desta prática não-jornalística é a matéria "A solução é derrubar", escrita por Camila Antunes e publicada no dia 11 de janeiro de 2006. O título e a abertura da matéria demonstravam a intenção de abordar a política de revitalização do centro. Porém, ao invés de abordar as idéias da prefeitura, ouvir todos os envolvidos, subsidiar o leitor para conhecer a situação do centro e a problemática das políticas de revitalização, a repórter centrou-se no ataque à população pobre. Para isso, ela nem se deu ao trabalho de ouvir os acusados.


Veja consegue unir mal jornalismo e ofensas aos Direitos Humanos. Sua vontade de defender os interesses das classes média e alta, tornou-se, neste caso, uma sobreposição de interesses econômicos aos Valores Humanos e Sociais. Na matéria de Camila Antunes, fica clara sua idéia (endossada por Veja) de que a inexistência de pobres no mundo deixaria qualquer lugar melhor, por si só. Mas, ela não releva a possibilidade de erradicar a pobreza com a transformação das estruturas políticas e sociais de nosso país. A idéia de Veja é exterminar a pobreza, expulsá-la, escondê-la. Nada é proposto para resolver, efetivamente a situação dos pobres.


Essa obrigação de defender os interesses das classes dominantes, preservar suas estruturas seculares de dominação, também termina em ofensas às classes com menor poder aquisitivo. Novamente, tomemos por exemplo a matéria de Camila (esse é um texto completo, com todos os itens da "ética vejística" incorporados). A jornalista de Veja deixou de tratar com respeito todas as pessoas que mencionou nas informações divulgadas, chegando a generalizar os pobres do centro como "prostitutas, traficantes e contrabandistas". Camila ainda faz questão de deixar claro que, um conjunto de pobres sem casa é uma "horda".


Como não bastasse à Veja atacar generalizadamente os pobres do centro da cidade, ela parte para ataques pessoais e gratuitos (pelo menos, sem fins jornalísticos) ao Padre Júlio Lancelotti. Isto é feito na retranca "O pecado da demagogia". Sem qualquer ligação com o restante do texto, a jornalista desata a falar mal do Padre. Ela não explicitou os motivos pessoais que a levaram a fazer isto, mas atacou e ofendeu o Padre Júlio. Atacou por não ser um representante das classes prediletas de Veja. Ele sempre esteve comprometido com a defesa e o bem-estar da população pobre. ®

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*imagem: divulgação

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