2.3.06

 

todos gostamos de café

fotos por joão peres e tadeu breda

Dia primeiro de março, três da tarde. O governador Geraldo Alckmin chega à Catedral da Sé para o lançamento da Campanha da Fraternidade 2006, da CNBB. Este ano, o tema do projeto é "fraternidade às pessoas com deficiências". Na igreja encontram-se o cardeal-arcebispo de São Paulo dom Cláudio Hummes e representantes de entidades que cuidam de pessoas portadoras de necessidades especiais

Durante a missa, Alckmin foi chamado para assinar uma lei que beneficiará os portadores de deficiência. Depois, um convite "imprevisto" para discursar... "Gostaríamos de aproveitar a oportunidade da presença do governador para chamá-lo a dar uma palavrinha pra nós", disse o comentarista do culto. Detalhe: o discurso já estava preparado

Presidenciável, o governador passou a ser seguido por toda a imprensa assim que deixou seu assento na igreja. As perguntas, lógico, eram sobre o seu vai-não-vai com Serra dentro do PSDB

Depois de se esquivar de perguntas como "É possível que o sr. saia como vice do Serra?" e "Governador, o sr. não deu muita sorte para a Leandro de Itaquera, não é?", Alckmin começa uma estranha e curta caminhada pelo entorno da igreja

A "procissão" de jornalistas e simpatizantes que agora acompanha o governador "atrapalha o direito de ir e vir da população". Mas, desta vez, não tem tropa de choque

O destino de Alckmin foi uma padaria logo ali ao lado da Sé. Mais uma vez, tirou fotos, bebeu um cafezinho, beijou santinho e crucifixo, riu bastante, cumprimentou a todos, como se estivesse em campanha. Campanha, alguém falou em campanha?

Na padaria, uma rápida conversa com o cantor e humorista Juca Chaves, que havia acompanhado toda a missa. Café eleitoral

Depois de sair sem pagar ("dele a gente não cobra", disse um balconista) o governador concede mais algumas entrevistas e nega que esteja em campanha. O sr. não estava tantas vezes na rua alguns anos atrás, não é, governador? "O que é isso, sempre estive em contato com a população. Depois de passar algum tempo no interiorzão até estava com saudades disso..."

Por fim, Alckmin entra em seu carro e deixa o centro de São Paulo. "Até João Pessoa", diz a um assessor que acabara de o cumprimentar. Ele está em campanha, não está? - perguntamos ao interlocutor de Alckmin. O funcionário tucano dá uma risadinha simpática do tipo "ah, seu malandrão", um cutucão no ombro e sai andando feliz da vida: vai se encontrar com o governador daqui alguns dias, no nordeste ®


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