<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122</id><updated>2011-11-06T06:34:53.456-02:00</updated><category term='Editoriais'/><category term='Todos os textos de Fernanda Campagnucci'/><category term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><category term='Todos os textos de Leandro Oliveira'/><category term='Todos os textos de Fábio Brandt'/><category term='Todos os textos de Daniela Alarcon'/><category term='Todos os textos de João Peres'/><category term='Todos os textos de Leonardo Garzaro'/><category term='Todos os textos de Renato Brandão'/><category term='Todos os textos de Nelson Lin'/><category term='Todos os textos de Marana Borges'/><category term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><category term='Todos os textos de Júlia Tavares'/><category term='Todos os textos de Hugo Fanton'/><category term='Todos os textos de Marcos Angelim'/><title type='text'>reverso</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>106</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-2461113316750970463</id><published>2008-06-29T14:08:00.002-03:00</published><updated>2008-06-30T17:53:01.308-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Marcos Angelim'/><title type='text'>sinal fechado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por marcos angelim&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Acordou. Penetrando pelas frestas da parede de tijolo baiano, o sol veio desafiá-lo, carregá-lo pra vida – à força. Olhou pro lado: o fino colchão do irmão ainda estava no chão, mas frio. É que o baixinho sai cedo com a caixa de engraxate. Não vou dizer que pensou – o pensamento não é o seu forte; a mãe sempre diz que é burro demais, que só faz cagada, que é um traste. Prefiro dizer que sentiu aquela mistura de medo, raiva, descrença, imersa no torpor necessário para o enfrentamento. Levantou e comeu pão de ontem com margarina; não tinha leite. Inverteu a ordem que você provavelmente segue: lavou o rosto no tanque, tirou a remela do canto dos olhos, não escovou os dentes; pôs o boné, pegou o rodinho, o frasco com água e detergente e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sorte morar ali! – Bem do lado do viaduto, a poucos passos da avenida, apesar de espremido entre a linha do trem e o supermercado. A comunidade (nesse país o eufemismo tem quase adesão nacional) parece mais uma tripa. Pode ser vista de cima do viaduto, mas só pelos que ainda têm olhos. Periferia de São Paulo, confins da zl. Passa muito carro, gente que até tem grana, mas que – talvez por isso – não enxerga. Não interessa se é nos Jardins ou no Itaim (Paulista), no vectra, no eco sport ou no gol – fecha-se o vidro, ignora-se, nega-se. É isso o que mais o fere e avilta. Suporta, contudo, sem deixar de ser simpático, cordial e compreensivo com as negativas, as desculpas e até com os xingamentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, senhora! Vô dá uma limpada legal aí. Qualquer moedinha ajuda: dez centavos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é de trocados que vive (o bolsa-família só não dá). Tiraria mais se a concorrência não fosse tão grande. É muito carro, mas muita gente de rodinho na mão, sem falar dos ambulantes. O motorista fica puto. Muitas vezes, no fim do dia, era melhor nem ter levantado. “Tem dia de não tirar nem 5 conto!”. O problema é esse: muito vendedor e limpador no sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é também o que a aborrece diariamente. “Saio cedo pra caramba, pego mó trânsito já aqui no Itaim, e ainda tem esses caras pra encher o saco!” – protesto matinal recorrente da publicitária, que demora horas até o escritório na Alameda Santos. Várias vezes lhe quebraram o pára-brisa. Mas em Sampa não tem jeito, ninguém escapa, exceto gente como ele, que não tem carro e quebra – sem querer, claro, pois tem de limpar rápido, antes do sinal abrir – o pára-brisa do carro dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre igual. Os dois levantam pra se encontrar. Só que ele pra limpar, pedir, dizer bom dia; ela, pra desprezar, bufar, negar. Insuportável. Mas que fazer? Ela se recusa a ir de ônibus e metrô pro trabalho. “Gasto mais, podia ser até mais rápido... Mas é muito cheio, ia chegar toda amassada... Mil vezes de carro, é mais confortável”, justifica. Ele não vê alternativa. É que o ódio cega e começa a transbordar: “Filha da puta! Nem olha na nossa cara! Vaca do caralho!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não vai ser mais assim porque hoje algo mudou. Ele despertou com o sol na cara, mas não comeu nada nem lavou o rosto; pôs outra bombeta e, em vez do rodinho e do detergente, pegou a PT, colocou na cintura embaixo da camiseta e foi pro sinal. Ela já está na rua. Se estressa só de imaginar a terça-feira: “Trânsito parado, ambulantes e aqueles moleques!...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele está lá agora, à espera, nervoso, enquanto ela se aproxima do sinal – fechando pros dois. &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-2461113316750970463?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/2461113316750970463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=2461113316750970463&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/2461113316750970463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/2461113316750970463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2008/06/sinal-fechado.html' title='sinal fechado'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-193740887529860628</id><published>2007-09-03T18:34:00.001-03:00</published><updated>2008-12-08T20:41:20.768-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Fábio Brandt'/><title type='text'>viagem ao brasil de lá, parte 4</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por fábio brandt&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Chegamos na Base Aérea do Aeroporto de Guarulhos por volta das sete horas. Aguardamos a chegada do avião que nos levaria a Manaus até as nove, porque ele saiu de sua base, em Brasília, naquela mesma manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos todos ansiosos. No ônibus que nos levou ao aeroporto ninguém cochilou. Foram conversas, piadas, comentários sobre a Amazônia. Até cantamos algumas músicas. Sem participar da nossa farra, os militares se habituavam a nossa presença: estavam no veículo um sargento, que não viajou conosco, e o tenente-coronel Douglas, um dos responsáveis pelo Centro de Comunicação Social do Exército, que organizou a viagem e nos “guiou” no Amazonas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada do avião coloca fim a espera ansiosa. É o VC-97, o mais moderno turboélice fabricado no Brasil, segundo a fabricante Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A.). Apelidado de Brasília, o avião é, usualmente, utilizado pela FAB para transportar comitivas de autoridades (o roteiro que fizemos na Amazônia é, usualmente, oferecido a deputados e senadores).&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9QFdgX9yI/AAAAAAAAAEE/CBqJIHjDVdg/s1600-h/box3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5102384957584045858" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9QFdgX9yI/AAAAAAAAAEE/CBqJIHjDVdg/s400/box3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quase duas horas depois, paramos na cidade de Brasília para reabastecer. Foi a primeira vez que pisei na capital brasileira. As novidades explodiam por todos os lados. Junto com o Luiz Prado, que também estuda na ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP), dei uma volta pela Base Aérea de Brasília, que funciona junto ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e foi inaugurada em 3 de dezembro de 1963 – quatro meses antes do golpe que derrubaria João Goulart e colocaria o alto escalão das as Forças Armadas no comando do poder executivo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de circularem apenas militares pelo local, talvez faça com que a vigilância não seja acirrada. Aproveitamos a deixa para entrar num hangar, onde estavam alguns aviões desmontados ou em conserto. Mesmo com carta branca para fotografar o que quiséssemos, como assegurara o coronel Douglas, sentíamos que era necessário agir rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu tirava da mochila a Yashica manual e procurava as pilhas para colocar no flash, um oficial nos expulsou do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Com quem vocês estão?&lt;br /&gt;– Tenente-coronel Douglas.&lt;br /&gt;– Não há autorização para fotografar aqui, podem olhar, mas sem tirar fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessamos o Hangar e, para nossa surpresa, saímos, novamente, na pista de decolagem. Bastava um simples raciocínio para entender que sairíamos ali, mas estávamos, realmente, deslumbrados com o que víamos e com o fato de estarmos pisando, livremente, naquela área militar. Ali, na pista – ou seja, fora do Hangar - fui fotografar, sem o flash tão trabalhoso de fazer funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ow! Pode parar. Não pode tirar foto aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez era um jovem militar, não um oficial como nosso primeiro interlocutor. Respondemos que não sabíamos da restrição (pela segunda vez) e voltamos à sala de aguardar o avião. Dissemos ao coronel Douglas sobre a proibição, lembrando-o de sua promessa de poder fotografar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nem tudo... Há coisas sigilosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não discutimos. Dirigimo-nos a outro Hangar, menor que o primeiro, mas também com aviões desmontados ou em construção. Ali, um oficial nos viu preparando a máquina fotográfica. Deu bom dia e, simpaticamente, ofereceu-se para explicar o trabalho que realizavam ali. “Manutenção das aeronaves”. Designou um soldado para nos acompanhar enquanto fotografávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após quase duas horas, estava na hora de voltar ao avião, já abastecido. Em Alta Floresta, cidade do norte do Mato Grosso, quase fronteira com o Pará, realizamos nova parada para abastecer. Ali, a base aérea não funciona em um aeroporto. Entre imensas fazendas, ela é apenas ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve tanto tempo, como em Brasília, para andarmos pelos arredores. Mesmo que houvesse, duas horas não seriam suficientes para vermos mais que casas espaçadamente distribuídas ao longo de imensas ruas de terra, perdidas entre árvores e distantes de tudo o que podemos associar aos chamados “centros urbanos”, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e, até mesmo – só que em menor grau, como pude concluir nessa viagem – Manaus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fazemos com aquelas cochiladas que nos levam a algum mundo estranho em horário de ficar acordado, abandonamos Alta Floresta como quem continua curioso para saber qual rumo a narrativa do sonho seguirá. Duas horas depois, lá pelas oito da noite, sentíamos o tapa na cara com que Manaus recebia nossa comitiva: trata-se da temperatura de 40º, quase o dobro da que estamos acostumados em São Paulo. &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-193740887529860628?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/193740887529860628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=193740887529860628&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/193740887529860628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/193740887529860628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/09/viagem-ao-brasil-de-l-parte-4.html' title='viagem ao brasil de lá, parte 4'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9QFdgX9yI/AAAAAAAAAEE/CBqJIHjDVdg/s72-c/box3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-6539193945735598555</id><published>2007-08-29T18:27:00.001-03:00</published><updated>2008-06-30T17:53:46.562-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Fábio Brandt'/><title type='text'>viagem ao brasil de lá, parte 3</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por fábio brandt&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Estava escuro, não havia luz o suficiente para destacar a diversidade de cores daquela paisagem. Ser ou não madrugada depende do ponto de vista de quem acabou de acordar. Para quem dormiu razoável quantidade de horas e prolonga o sono ao máximo (trocando café da manhã e o banho matinal por mais tempo na cama), estar ali, àquela hora, trataria-se, apenas, de grande esforço. Para quem dorme após passar as primeiras horas do dia em frente a uma tela de computador, seria, de fato, madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu caso une as duas situações. Há alguns meses, sentia a necessidade de dormir pouco e só deitar muito tarde (ou cedo, quase de manhã). Naquela manhã, acumulava 13 horas de sono em três dias. Mesmo assim, a briga com as cobertas não fora violenta, como de costume. O despertador tocou às cinco e meia. Vinte minutos depois, estava pronto – jeans, camiseta, jaqueta, tênis. Geralmente, o alarme soa às sete e meia e só levanto duas horas depois. Havia ansiedade naquela atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegara o dia de ir à Amazônia. Não era uma viagem pela qual eu aguardava há muito tempo. Nem havia muito planejamento por trás dela. Soubera que viajaria apenas seis dias antes da data de partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma mochila nas costas e uma mala na mão, sai da estação República do metrô – logo atrás do prédio da Escola Caetano de Campos (atual secretaria estadual de educação). Dirigi-me à Rua Rego Freitas, na Oboré. Ali, os anfitriões da viagem, oficiais do exército, já aguardavam seus convidados: estudantes e profissionais da comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus militar, verde, estava em frente ao prédio da Oboré. Com ele, dirigimo-nos à Base Aérea São Paulo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos – município que faz fronteira com São Paulo à leste. Antes de chegar em Manaus, conheceríamos as bases aéreas de Brasília – no aeroporto Juscelino Kubitschek – e de Alta Floresta, no norte do Mato Grosso.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-6539193945735598555?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/6539193945735598555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=6539193945735598555&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/6539193945735598555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/6539193945735598555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/08/viagem-ao-brasil-de-l-parte-3.html' title='viagem ao brasil de lá, parte 3'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-8114724985085218247</id><published>2007-08-24T18:41:00.001-03:00</published><updated>2008-12-08T20:41:21.026-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Fábio Brandt'/><title type='text'>viagem ao brasil de lá, parte 2</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por fábio brandt&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Na imensa área do Comando Militar da Amazônia (42% do território nacional), os militares executam atividades variadas: cumprem função de polícia, autorizados por lei; trocam tiros com traficantes e contrabandistas; oferecem atendimento médico à população; provocam o surgimento de escolas infantis e até participam da realização de eleições.&lt;br /&gt;“O soldado, quase sempre, é a única esperança nessa imensidão verde”. Essa frase do vídeo institucional que foi repetido bem umas cinco vezes durante a viagem tem a intensidade reforçada pelo trabalho dos relações públicas do exército. No entanto, não difere muito da realidade. O problema: nem todos têm acesso à essa quase única esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso ficou claro em nossa passagem por São Gabriel da Cachoeira, a 852 km de Manaus. Compõem a paisagem da cidade casas precárias, muitas sobre córregos. Quase não há tratamento de água. Uma realidade compartilhada pela maior parte das cidades da região norte, segundo apontam dados do IBGE: dos 896mil m³ diários de água distribuídos no Amazonas, 607mil m³ são tratados (90% vai para Manaus).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de precária, São Gabriel é “centro urbano” na região da “Cabeça do Cachorro” (extremo noroeste do Brasil, na fronteira com Colômbia e Venezuela). O Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira, único da cidade, atrai populações de muitos municípios – distantes dias ou semanas em viagens de barco, única forma acessível de chegar ao local para a maior parte das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No alto do Bairro Dabaru, no centro do encontro de algumas ruas, o Hospital se destaca na paisagem. Mais pela localização que pela aparência: inaugurado em 1995, apenas recentemente o Hospital passou por uma reforma, ganhando parte de suas instalações em alvenaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor do Hospital, Major Médico João da Silva Couto Lima, é quem apresenta as instalações do local: 65 leitos, duas salas de cirurgia e duas unidades semi-intensivas. “Não temos UTI”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro das salas, as macas ocupadas por pacientes suportam mais do que sofrimento pela moléstia ou alegria pela recuperação. Deitada na maca, com o neto de menos de três meses no colo, a avó conta que foram três semanas de barco para chegar ao Hospital. Couto aponta que as principais ocorrências atendidas são: doenças tropicais, picadas de cobra e acidentes com armas brancas. “O pessoal bebe e aí já viu...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo federal inaugurou a obra em 1990, diz o diretor, mas o atendimento à população começou apenas em 1995, após o exército enviar médicos-militares para trabalhar nele. “O governo não alocou recursos humanos para faze-lo funcionar. Chegamos e fizemos parceria com o Governo do Amazonas e a prefeitura da cidade para cobrir despesas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Couto destaca a insuficiência de recursos do Hospital, verificada com a limitação do corpo médico e apoio logístico do hospital. “Não podemos buscar todas as pessoas que precisam”. As formas de transporte ao Hospital são: aviões da FAB, embarcações do exército e, principalmente, barcos particulares (em viagens que duram dias e até semanas), porque nem todos têm acesso a meios de comunicação. “Precisamos de mais recursos para atender melhor e poder buscar mais pessoas”, afirma Major Couto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele fala sobre a importância do serviço obrigatório, apresentando alguns médicos jovens que trabalham no Hospital de São Gabriel. Recém formados, eles vêm do sul do país: Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro. “Não fosse o serviço obrigatório, não teríamos nem esse pouco pessoal”. Major Couto explica que, quem precisa se alistar e já está na faculdade, pode pedir para se apresentar às forças armadas após o término do curso. “O que não significa que vai servir. Hoje em dia, praticamente só serve quem quer”. A maior parte do contingente incorporado por esse sistema, em todo o país, é de ex-estudantes de medicina, afirmaram diversos oficiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9LjtgX9wI/AAAAAAAAAD0/-V-aLsjvywY/s1600-h/box1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5102379979716949762" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px" height="343" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9LjtgX9wI/AAAAAAAAAD0/-V-aLsjvywY/s400/box1.jpg" width="304" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pelas veias da floresta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A dificuldade de deslocamento é presente em toda a Amazônia. Mesmo a concentração populacional e industrial de Manaus não escondem essa realidade. Não longe da capital, a bacia do Amazonas já inviabiliza o transporte terrestre. Perante o alto custo do transporte aéreo, o fluvial desponta como solução. “Isso implica que há lugares em que só as Forças Armadas conseguem chegar para levar mantimentos e médicos”, disse o General Cerqueira, autoridade máxima do Comando Militar da Amazônia (CMA).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na área do CMA (42% do Brasil) a realização de transporte (de carga e de pessoas) é feito na seguinte proporção: 86% pelo Centro de Embarcações do CMA (Cecma); 12% pela Força Aérea Brasileira (FAB) e 2% por diversos meios civis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As funções do Cecma, segundo seu comandante, Coronel Fernando Paranhos, são: apoiar o treinamento das tropas na selva e patrulhar as águas do CMA. “O que envolve até troca de tiros com traficantes e contrabandistas”, diz. Mas, os 86% de transporte realizados pelo Cecma implicam fugas dessa rotina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Centro de Embarcações também transporta suprimentos alimentares e médicos para comunidades afastadas, em lugares de difícil acesso, onde apenas a estrutura militar consegue chegar, diz Paranhos. Outro exemplo de suporte à população é a participação do Cecma na realização de eleições: “Transportamos urnas até os eleitores e vice-versa”, conclui Paranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9IyNgX9vI/AAAAAAAAADs/N8_tdqNjMmU/s1600-h/box1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Na cidade das nuvens&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O transporte aéreo é muito mais rápido e eficiente. No entanto, custa caro. “A passagem de avião de São Gabreil da Cachoeira para Manaus custa entre R$550 e R$750”, afirmou o coronel Nevares – que recebeu nossa comitiva em São Gabriel. Para o cidadão comum, que precisa visitar familiares ou procurar tratamento médico em outras cidades – porque, na Cabeça do Cachorro, a escassez de serviços públicos predomina – fica muito difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidados pelo Exército para conhecer seu trabalho na Amazônia, para nós as coisas são “um pouco” diferentes. Chegamos a Manaus num Brasília. Para São Gabriel voamos num Amazonas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto na ida, como na volta, dividimos o avião com nossos anfitriões do Cecomsex e civis: pessoas que precisavam de uma carona da FAB. Entre os grupos que nos acompanharam, alguns com traços indígenas, típicos da população amazonense. Outros, com aparência do Brasil de cá (São Paulo, Paris, Londres), eram parentes de militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sempre fazemos isso”, diz o Major Hardt – oficial do Serviço de Comunicação Social da Aeronáutica que nos acompanhou na viagem. &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9MuNgX9xI/AAAAAAAAAD8/-O2TPGDvhb8/s1600-h/box2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5102381259617203986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px" height="240" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9MuNgX9xI/AAAAAAAAAD8/-O2TPGDvhb8/s400/box2.jpg" width="326" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Temos que dar todo apoio a população. Mas, nem sempre há assentos livres e os vôos não são diários”. Apesar da boa vontade demonstrada pelas forças armadas, o transporte de civis não está em suas obrigações, por isso se torna uma atividade muito informal, difícil de receber cobranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também experimentamos dois helicópteros: o Black Hawk e o Cougar. Duas aeronavez para apoio de missões militares, tanto de guerra como de resgate. Para coloca-los no ar, os oficiais estimaram gasto de, aproximadamente, cinco mil dólares.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-8114724985085218247?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/8114724985085218247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=8114724985085218247&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/8114724985085218247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/8114724985085218247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/08/viagem-ao-brasil-de-l-parte-2_24.html' title='viagem ao brasil de lá, parte 2'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rs9LjtgX9wI/AAAAAAAAAD0/-V-aLsjvywY/s72-c/box1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-1406619341396926694</id><published>2007-08-19T15:20:00.000-03:00</published><updated>2008-12-08T20:41:21.312-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Fábio Brandt'/><title type='text'>viagem ao brasil de lá, parte 1</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por fábio brandt&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;reverso&lt;/span&gt; publica em partes os textos sobre a viagem de Fábio Brandt à Amazônia como integrante da comitiva de jornalistas e estudantes de jornalismo recebida pelo Exército Brasileiro no Comando Militar da Amazônia&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Amazônia tornou-se assunto de destaque em 2007. Foi tema da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – o encontro científico latino americano com maior número de participantes – e da Campanha da Fraternidade da Igreja Católica – que escolhe um tema por ano para orientar investimentos em projetos. As freqüentes e crescentes queimadas que ocorrem na região também despertaram a atenção da opinião pública, após divulgação dos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RsiNTNgX9sI/AAAAAAAAADU/VyJ1F8cltTo/s1600-h/RegiÃµes+militares+do+exÃ©rcito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100481939179566786" style="FLOAT: right; MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; WIDTH: 373px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 311px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RsiNTNgX9sI/AAAAAAAAADU/VyJ1F8cltTo/s400/Regi%C3%B5es+militares+do+ex%C3%A9rcito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ONU (IPCC).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Governo federal, no entanto, não dá tanta atenção à região. Essa é a opinião do alto comando do Exército Brasileiro, explicitada pelo General Raimundo Nonato de Cerqueira Filho, comandante do CMA (Comando Militar da Amazônia). Com quatro estrelas no uniforme, Cerqueira ocupa o cargo máximo do exército brasileiro em tempos de paz (cinco estrelas só em tempos de guerra, quando há nomeação de marechais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as sete regiões militares do Brasil, o CMA é a prioritária. “Tem muita gente de olho na Amazônia. Precisamos protegê-la e conservá-la”, diz Cerqueira, afirmando que a maior ameaça à região é o vazio de poder deixado pelo Estado brasileiro. Segundo o general, a cobiça dos outros países se deve, principalmente, a dois motivos: localização estratégica (a floresta equatorial corta nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela) e riqueza natural (a parte brasileira da Amazônia concentra o maior número de espécies vivas, animais e vegetais, do mundo, além de 15% do total de água potável).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RsiNftgX9tI/AAAAAAAAADc/HM79UZNmBio/s1600-h/general+Cerqueira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100482153927931602" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RsiNftgX9tI/AAAAAAAAADc/HM79UZNmBio/s200/general+Cerqueira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dada a “ausência do Estado” na região norte, conta Cerqueira, o exército não executa apenas funções militares ali: oferece assistência médica à população (com médicos convocados pelo serviço militar obrigatório); apóia, com transporte fluvial e aéreo, a entrega de suprimentos alimentares e médicos em comunidades ribeirinhas; dá “caronas” de avião e barco a população (para muitos, esse é o único jeito de se deslocar até algum serviço público).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras conseqüências do abandono da região são a proliferação do narcotráfico, nas áreas de fronteira, e da destruição da natureza, principalmente com queimadas. O Exército tenta coibir isso, diz o general, mas o contingente de 25mil homens e a verba recebida pelo CMA é insuficiente para realizar um serviço cem por cento eficiente. “O CMA abrange 42% do território nacional, com 1.300 quilômetros de costa, 11mil quilômetros de fronteira. É complicado”.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-1406619341396926694?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/1406619341396926694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=1406619341396926694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/1406619341396926694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/1406619341396926694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/08/viagem-ao-brasil-de-l-parte-1.html' title='viagem ao brasil de lá, parte 1'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RsiNTNgX9sI/AAAAAAAAADU/VyJ1F8cltTo/s72-c/Regi%C3%B5es+militares+do+ex%C3%A9rcito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-7166626952865046409</id><published>2007-06-09T18:00:00.000-03:00</published><updated>2008-12-08T20:41:21.986-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>clima no g8...</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por renato brandão; fotos &lt;a href="http://www.g-8.de/Webs/G8/EN/Media/FotoDownload/fotodownload.html" target="_blank"&gt;Encontro do G8 &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHHbhpxv0I/AAAAAAAAACI/zuyioY-iPqM/s1600-h/bandeiras.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHHbhpxv0I/AAAAAAAAACI/zuyioY-iPqM/s200/bandeiras.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076057530727251778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A divulgação de três relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPPC) neste ano, alertando para as conseqüências alarmantes do aquecimento global no planeta para as próximas décadas, não foi o bastante para sensiblizar as lideranças do G8 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Rússia) - os países ricos do globo e também os maiores poluentes, que se reuniram para a &lt;a href="http://www.g-8.de/Webs/G8/EN/Homepage/home.html"&gt;33º cúpula do grupo&lt;/a&gt;, em Heiligendamm (Alemanha), nesta semana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro produziu pífios resultados - embora isso não cause surpresa: basta acompanhar o histórico dos últimos encontros do grupo. Uma vez mais, a imobilidade foi causada pelos vetos do governo dos Estados Unidos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, a cúpula foi um grande fracasso. A idéia defendida pela anfitriã do encontro e chanceler alemã Angela Merkel de fixar metas mais objetivas, como a de levar os oito países a aceitarem 2C como limite para o aumento da temperatura média no planeta e, conseqüentemente, estipularem um compromisso real em cortar pela metade emissões de gases do efeito estufa até 2050...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHHphpxv1I/AAAAAAAAACQ/24kTu2V2yvA/s1600-h/merkel+e+bush.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHHphpxv1I/AAAAAAAAACQ/24kTu2V2yvA/s200/merkel+e+bush.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076057771245420370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A culpa deste fiasco pode ser atribuída principalmente ao presidente estadunidense George Walker Bush - que &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2007/05/070531_mudancaclimaeuafn.shtml"&gt;no final de maio deste ano disse&lt;/a&gt; que iria reunir os Estados Unidos e outros 14 países responsáveis pela maior parte das emissões de carbono (entre os quais África do Sul, Brasil, China, Índia, México, ou o G5-emergente) para um acordo de longo prazo que estabeleça novas metas até o final de 2008 para o corte da emissão de gases que agravam o efeito estufa - e de sua equipe, notadamente James L. Connaughton, do Council on Environmental Quality (CEQ), o conselheiro para temas ambientais da Casa Branca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diplomacia de Washington pressionou para que se cravasse na declaração "&lt;a href="http://www.g-8.de/nn_220074/Content/EN/Artikel/__g8-summit/anlagen/2007-06-07-gipfeldokument-wirtschaft-eng.html"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Growth and Responsibility in the World Economy&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;" (Crescimento e Responsabilidade na Economia Mundial), item 49, o termo &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;goal&lt;/span&gt; [&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;objetivo&lt;/span&gt;] em lugar de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;target&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;[&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;meta&lt;/span&gt;]: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;In setting a global goal for emissions reductions in the process we have agreed today involving all major emitters, we will consider seriously the decisions made by the European Union, Canada and Japan which include at least a halving of global emissions by 2050&lt;/span&gt; [&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ao fixarmos um &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;objetivo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; global para a redução de  emissões no processo que  nós acordamos hoje envolvendo  todos os maiores emissores,  nós consideraremos seriamente as decisões realizadas  pela União Européia, pelo  Canadá e pelo Japão, que incluem ao menos reduzir pela metade as emissões globais  em 2050&lt;/span&gt;]"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disputa semântica não é por acaso. Objetivo é diferente de meta. A primeira transita pelo campo vago dos desejo de ver algo se realizar algum dia, enquanto a segunda determinaria a obrigatoriedade de tomar ações em um dado prazo. Em outras palavras, em lugar do concreto, o G8 optou pelo abstrato...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHIohpxv3I/AAAAAAAAACg/GddFCNr6zO4/s1600-h/g8+e+g5.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHIohpxv3I/AAAAAAAAACg/GddFCNr6zO4/s200/g8+e+g5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076058853577178994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Além disso, o comprometimento de "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;reduzir pela metade as emissões globais  em 2050&lt;/span&gt;" já estava previsto em um documento do próprio G8, produzido em sua cúpula dois anos atrás em Gleneagles (Escócia)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que os itens 52 e 53 lançam propostas para que a Convenção do Clima chegue a um acordo global em 2009 para substituir o Protocolo de Kyoto - e que este inclua metas para África do Sul, Brasil, China, Índia e México, isso é muito pouco ambicioso para um ano repleto de más notícias para o futuro do meio ambiente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também decepcionante foi a declaração conjunta do G8 e seus cinco convidados - os mesmos África do Sul, Brasil, China, Índia, México. Por sinal, o governo brasileiro insiste retoricamente em imputar somente ao G8 a árdua tarefa de enfrentar os processos de mudanças climáticas e prefere fazer marquetagem verde, ao propor que se realize em 2012 uma nova reunião climática nos moldes da Eco-1992, a tal "Rio+20", ou ainda propagandear os "benefícios" do álcool brasileiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHHGxpxvzI/AAAAAAAAACA/f4WR0JHqxjk/s1600-h/merkel+e+lula.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHHGxpxvzI/AAAAAAAAACA/f4WR0JHqxjk/s200/merkel+e+lula.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076057174244966194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Está explícito nos princípios da Convenção sobre Mudança do Clima que todas as nações do mundo têm responsabilidades comuns na questão climática, embora de formas diferenciadas - até porque não é fato que a responsabilidade histórica das grandes potências é muito maior que a do resto do mundo. No entanto se sabe que é fundamental a presença desses cinco países para um plano sério de redução de emissões, até porque são grandes poluidores globais. A China, como foi noticiado neste ano, deve tomar o primeiro posto dos Estados Unidos como maior poluidor do planeta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHIHxpxv2I/AAAAAAAAACY/n09Z6QyB9bk/s1600-h/ue,+bush,+blair,+putin+e+merkel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHIHxpxv2I/AAAAAAAAACY/n09Z6QyB9bk/s200/ue,+bush,+blair,+putin+e+merkel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076058290936463202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Há quem veja avanços no fato do G8 abrir espaço em sua agenda para o tema das mudanças climáticas - e como principal pauta de um encontro do grupo. Mas sem produzir resultados práticos na cúpula de Heiligendamm, ou seja, sem documentos que estabeleçam o cumprimento de metas obrigatório pelos países reunidos no encontro, é difícil de imaginar que o comprometimento dos países ricos não seja mais que retórica...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo vai acabar perdendo apoio até de Bono Vox, marqueteiro líder da banda irlandesa U2, que começa a perceber quão é difícil o G8 agir concretamente nas atuais estruturas. O próprio vocalista tinha caído nas promessas vazias dos líderes do grupo sobre perdão da dívida externa africana, na cúpula de 2005. Bono, que esteve no encontro deste ano para conversar com a chanceler alemã e participar de um concerto do evento, fez críticas ao G8 e se mostrou "deprimido"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto as negociações entre os principais jogadores do planeta seguem emperradas, o mundo caminha para sua sina apocalíptica. E as reuniõezinhas das lideranças globais, entre as quais uma organizada pela Organização das Nações Unidas, outra por Bush e uma, que se pretende mais séria, na Indonésia, com especialistas da ONU a debater novos detalhes para um eventual acordo internacional pós-Protocolo de Kyoto, a partir de 2012...&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-7166626952865046409?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/7166626952865046409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=7166626952865046409&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/7166626952865046409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/7166626952865046409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/06/clima-no-g8.html' title='clima no g8...'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/RnHHbhpxv0I/AAAAAAAAACI/zuyioY-iPqM/s72-c/bandeiras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-690258377591777503</id><published>2007-03-17T10:21:00.000-03:00</published><updated>2008-12-08T20:41:22.521-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>e o brasil, com o que vai contribuir?</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por renato brandão; fotos &lt;a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/galerias-de-fotos/2006/10/28/galeria_de_fotos.2006-10-28.5515080963/view" target="_blank"&gt;Agência Brasil&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rn_dbRpxv4I/AAAAAAAAACo/a0SKJAZlVrw/s1600-h/2107AC129a.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rn_dbRpxv4I/AAAAAAAAACo/a0SKJAZlVrw/s200/2107AC129a.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5080022365362044802" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;O presidente Lula culpou os "países ricos" pela tragédia que vem sendo anunciada há anos. Em declarações recentes, Lula &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" o="" href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/02/02/materia.2007-02-02.3476324848/view"&gt;afirmou&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; que &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;o mundo rico está cansado de assinar protocolo. Em cada conferência mundial, todo mundo assina o documento, mas eles não cumprem, porque não têm coragem de enfrentar as indústrias poluidoras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Nas negociações para uma segunda etapa do Protocolo de Kyoto, o Brasil, aliás, impediu um consenso em torno de quanto seriam as emissões causadas pelos desmatamentos. Esta forma seria responsável por emissões de 0,5 bilhão a 2,7 bilhões de toneladas por ano (faixa que corresponderia a 7% a 25% das emissões globais). Mas José Domingos Gonzalez Miguez, do Ministério da Ciência e Tecnologia, bateu pé e exigiu que o número ficasse em 1,6 bilhão de toneladas anuais (15% das emissões mundiais)...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;Amazônia&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Segundo a organização não-governamental &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www.greenpeace.org/brasil/greenpeace-brasil-clima/"&gt;Greenpeace&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;, o Brasil é o quarto maior emissor de gás carbônico por essa via &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51); font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;. Estudo do &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www.vitaecivilis.org.br/"&gt;Instituto Vita Civilis&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; mostrou que 75% das emissões brasileiras advém dos desmatamentos, especialmente na região amazônica - ainda que o Brasil tenha níveis per capita de emissão de países em desenvolvimento &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51); font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O governo brasileiro reluta em reconhecer a nossa indiscutível contribuição com o aquecimento global, especialmente da Floresta Amazônica, que possui uma vegetação muito sensível a aumento da temperatura global - previsto em pelo menos 2C pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Esta elevação poderá levar a perda de cerca de 40% da floresta, que seria substituída por savanas (como são os atuais cerrados brasileiros)...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;De 1972 à 2002, 600 mil km2 desmatados da floresta foram devastados, sendo que 1/4 do que foi desmatado se encontra hoje abandonado, de acordo com o &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www.inpe.br/index.php"&gt;Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; (Inpe) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51); font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; - área equivalente a Alemanha e Itália juntas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www.mma.gov.br/"&gt;Ministério do Meio Ambiente&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; comemorou no ano passado a queda de 30% nas taxas de desmatamento em 2006 em relação a um mesmo período no ano anterior, que também havia apresentado uma queda de 30% em relação a 2004. Estas estimavas foram também feitas   pelo Inpe. O problema da última análise é que ela foi realizada com base em somente 34 das 220 imagens necessárias para cobrir toda a Amazônia brasileira...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Isso representou a destruição de 13.100 km² de florestas entre setembro de 2005 e agosto de 2006 - uma superfície maior que a da Jamaica. Algo que não deve ser comemorado, ainda mais porque os recentes desmatamentos ocorreram principalmente pela expansão desenfreada do agronegócio (com a pecuária extensiva ou a agricultura intensiva)...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O desmatamento ilegal precisa ser muito mais combatido pelo Estado. E estas reduções nos últimos dois anos mostram que a destruição da floresta pode ser evitada quando o Estado se faz presente. O próprio governo precisa acabar com algumas contradições no trato com a questão, já que incentiva e investe em atividades destrutivas na região, ao invés de contribuir com o manejo sustentável da floresta...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Claro que não basta "fazermos" a lição de casa. Se as emissões globais continuarem aumentando e não forem freadas, não haverá salvação para grande parcela da Amazônia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;Outras regiões&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O IPCC prevê também aumento de extremos no Brasil. O Semi-Árido terá secas mais freqüentes (e diminuirá dramaticamente a disponibilidade dos já minguados recursos hídricos da região), que poderão gerar os "refugiados do clima"...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Já o Sudeste terá chuvas intensas (ainda que não ocorra uma elevação no volume total de precipitação no ano) e potencialmente teremos aumento das enchentes, de doenças como a leishmaniose e a leptospirose, entre outros problemas bem conhecidos das populações das grandes cidades da região...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;Sem planos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mais grave ainda é o país não tem um plano de adaptação para a mudança climática. As políticas brasileiras neste campo "&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;são insuficientes&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;", afirmou o físico Luiz Pinguelli Rosa, professor da &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www.coppe.ufrj.br/"&gt;Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe) e Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, para a &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/"&gt;Folha de S.Paulo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No mesmo jornal, o pesquisador peruano José Marengo, pesquisador do Inpe alertou que a "&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;mudança climática já está aqui. Não tem mais o que combater. Temos de avaliar a situação e propor medidas para poder reduzir o prejuízo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51); font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O Brasil usa matrizes energéticas mais "limpas" como as hidrelétricas, mas a termeletricidade tem crescido. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê a importação de carvão mineral (um derivado de combustíveis fósseis!) para as termelétricas atuais e as que serão construídas...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O PAC prevê investimentos em infra-estrutura na região amazônica. É um novo problema para o Brasil: já há bastante desmatamento e queimadas na Amazônia, o PAC não vai trazer mais riscos para a floresta? Ou o governo vai mudar suas políticas públicas, implementando uma política de desenvolvimento em favor da diversidade da região, com investimentos em ciência e tecnologia nas áreas desmatadas e freando a expansão das fronteiras agrícolas? A Alemanha começou a reduzir suas emissões, sem afetar seu crescimento econômico. E o Estado brasileiro, que historicamente tem demonstrado incompetência e falta de vontade política para lidar com a questão do desmatamento amazônico?...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;Etanol&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O uso do álcool combustível é tido como vantajoso e é usado em larga escala no Brasil de modo que o CO2 emitido é reabsorvido no crescimento da cana. O problema é se o aquecimento global começar a ser usado como uma justificativa para mais desmatamentos  no país, seja na Amazônia ou outras regiões do país - como desejam usineiros  sedentos pela expansão da cultura de cana de açúcar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Um dos exemplos nefastos é que o aumento da produção de álcool em Alagoas coincide com o ápice do desmatamento neste Estado. Se já é questionável transformar terras, originamente destinadas ao plantio de alimentos, para a produção de energia, mais grave ainda é que isso seja feito em nome do aquecimento global...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Aliás, é muito estranho que o governo deixe o setor do álcool ser regulado pelos usineiros. Como bem sugeriu o jornalista André Trigueiro, da CBN, o Brasil precisa criar uma Canabras (versão Petrobras para que o setor canavieiro)...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;Esforço&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;De qualquer forma, o Brasil precisa dar passos importantes para um real esforço internacional para a redução dos gases que causam o efeito estufa. O governo brasileira precisa assumir sua responsabilidade como grande emissor do planeta. A começar, combatendo o desmatamento da Amazônia e promovendo políticas públicas que estimulem a redução do consumo de energia, especialmente entre as classes média e alta, as grandes consumidoras do país. E no mais, tem de tomar coragem para assumir um papel de destaque no cenário internacional. Para tanto, terá de aceitar que países  emergentes também tenham metas de redução de poluentes...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0); font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Leia também: &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://oreverso.blogspot.com/2007/02/quanto-tempo-ainda-iremos-perder.html" target="_blank"&gt;quanto tempo ainda iremos perder?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;Notas&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[1]&lt;/span&gt;Ver notícias nos portais do &lt;a href="http://www.greenpeace.org/brasil/greenpeace-brasil-clima/noticias/greenpeace-encerra-em-manaus" target=" _blank="&gt;Greenpeace&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://360graus.terra.com.br/ecologia/default.asp?did=22654&amp;action=reportagem" target=" _blank="&gt;360 graus per capita&lt;/a&gt;. 15 de novembro de 2006&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[2]&lt;/span&gt;Ver notícia &lt;a href="http://www.radiobras.gov.br/materia.phtml?materia=227375&amp;editoria=NA" target=" _blank="&gt;Agência Brasil&lt;/a&gt;. 1 de junho de 2005.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[3]&lt;/span&gt;Ver notícia &lt;a href="http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=856" target=" _blank="&gt;Inpe&lt;/a&gt;. 26 de outubro de 2006&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[4]&lt;/span&gt;Ver matéria no jornal Folha de S.Paulo &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0302200706.htm" target=" _blank="&gt;Adaptação: A crise climática pega Brasil desprevinido&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0302200707.htm" target=" _blank="&gt;Infra-estrutura urbana e saúde pública deverão ser repensadas&lt;/a&gt;. 03 de fevereiro de 2007.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-690258377591777503?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/690258377591777503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=690258377591777503&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/690258377591777503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/690258377591777503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/03/e-o-brasil-com-o-que-vai-contribuir.html' title='e o brasil, com o que vai contribuir?'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rn_dbRpxv4I/AAAAAAAAACo/a0SKJAZlVrw/s72-c/2107AC129a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-893213517158836615</id><published>2007-03-04T12:45:00.001-03:00</published><updated>2008-12-08T20:41:22.784-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Daniela Alarcon'/><title type='text'>e eu calei</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;por daniela alarcon (de la paz, bolívia); foto &lt;a href="http://qu.wikipedia.org/wiki/Imagen:Potosi2.jpg" target="_blank"&gt;Wikipedia Quéchua&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rerwo8op6qI/AAAAAAAAABc/oHCS4XZipUw/s1600-h/Potosi2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rerwo8op6qI/AAAAAAAAABc/oHCS4XZipUw/s200/Potosi2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5038103719429401250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Potos%C3%AD" target="_blank"&gt;Potosí&lt;/a&gt; (em &lt;a href="http://qu.wikipedia.org/wiki/Qhichwa_simi" target="_blank"&gt;quéchua&lt;/a&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;P'utuqsi&lt;/span&gt;, ou ruído) foi a cidade mais rica do mundo. Ali jaz o cume vermelho que, séculos e séculos, pariu riquezas para as latitudes mais ao norte de seu cerro rico. Umbigo inchado de prata, estanho. O chão da casa da moeda tem pegadas em  baixo relevo, tal era a forca para cunhar a martelo uma moeda que se ia oceano afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contos, há muitos – e estão longe de ser desinteressantes. Há o das senhoras donas de minas e seus faustosos jantares, há aquele do ano em que substituíram todos os paralelepípedos por barras de prata para a procissão passar. Mas eu não posso narrá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi a língua quando me engasgaram os gases que cospe a mina - foram quatro dias para meu suor deixar de vomitar enxofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi lá dentro que um homem me apertou a mão, e já não era humana essa mão que me agarrava. Tive ganas de fugir e de fato puxei minha mão presa entre as mãos do ex-homem. Ex-homem! Sua coca na boca, seu diabo adiante. Eu perdi o resto de virgindade que guardavam meus olhos (Foi há duas semanas. Meu nariz tem feridas por dentro e sangra a intervalos quase regulares).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora de La Paz me dizia hoje, justamente, sobre o labor do jornalista: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;hay que vivir con la gente y hay que contar sus historias&lt;/span&gt;". Me instava ternamente a fazer o que no mundo me dá mais prazer. E meu medo é o silencio em que incorro e esse desviar de assunto, mais que deliberado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não conto que dez anos é uma boa idade para ingressar na mina, como auxiliar em uma cooperativa? Por que não grito que há um menino que se chama Basilio, mineiro de 14 anos, cuja mãe tem de sobreviver com 25 dólares mensais? Talvez porque o restaurante em que jantei hoje custasse, vejamos, o salário mensal que essa quéchua tem para si e seus três filhos? Ou talvez por que arranquei minha mão quando o que mais devia era tragar aquela mão e aquele corpo pútrido de silicose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A língua está grudada no céu da boca. Mas eu chego ao Brasil e a desgrudo, nem que seja à faca. Porque se há que gritar. Falam de oito milhões de mortos, na "montanha que engole gente".&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-893213517158836615?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/893213517158836615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=893213517158836615&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/893213517158836615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/893213517158836615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/03/e-eu-calei.html' title='e eu calei'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rerwo8op6qI/AAAAAAAAABc/oHCS4XZipUw/s72-c/Potosi2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-4517276194558888356</id><published>2007-02-22T23:37:00.000-02:00</published><updated>2007-02-27T12:53:42.386-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>o prestes</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/red/2006/02/344836.shtml"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Prestes é um exemplo de resistência popular à injustiça social que oferece seu contraste mais cruel justamente aqui, na cidade de São Paulo, onde os mais pobres e os mais ricos convivem lado a lado, ora com violência explícita, ora velada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 23 andares do Prestes foram ocupados depois de anos de inutilidade. Ali, em pleno centro, um monstro de concreto estava vazio, morto, enquanto milhares de pessoas não têm dinheiro para pagar aluguel ou são obrigadas a morar longe, muito longe dos empregos, da cultura e do lazer que a cidade oferece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sem-teto se organizaram, muitos deles cansados de desviar o dinheiro da cesta básica para evitar o despejo de cortiços e quitinetes que, mesmo baratas, são difíceis de pagar para a maioria dos trabalhadores. Entraram no Prestes no meio de uma das noites de 2003. E ficaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali tiveram muito trabalho. Ligaram a força, pediram a instalação de telefones, recuperaram o sistema de abastecimento de água. Na medida de suas possibilidades, deram vida nova ao prédio. Foi o melhor processo de revitalização que poderia ter acontecido ali. Tiveram filhos, construíram uma biblioteca, um espaço cultural com exposições, palestras, música, arte. Transformaram o Prestes abandonado – tomado por ratos e baratas – em suas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o foco de resistência popular, o novo quilombo, a maior ocupação vertical da América Latina, antes de tudo, é um conjunto residencial. Lá moram camelôs, catadores de papel, eletricistas, guardadores de carro, carroceiros, empregadas domésticas. Para muitos, morar num dos apartamentos improvisados na avenida Prestes Maia, 911, Luz, é mais que um endereço, é garantia de trabalho. E dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a residência autogestionada. Tudo funciona na base do cooperativismo, desde a limpeza até a coordenação. A lição de democracia ensinada pelo Prestes passa pelas decisões tomadas em assembléia, pela liderança obediente do MSTC, pela luta diária contra a opinião pública, o poder público, a polícia, contra todas as forças sociais que transformam a ocupação em invasão, os sem-teto em criminosos, a resistência em transgressão, a revitalização em favelização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde pode haver justiça nessa reintegração de posse constantemente anunciada e adiada, anunciada e adiada? Os proprietários do Prestes, aqueles que detêm os papéis reconhecidos em cartório, devem muito IPTU para a Prefeitura: mais de cinco milhões. O Prestes ocupado pelos sem-teto, os 23 andares de moradia para aqueles que não têm outro lugar que não a rua, não tem preço. Mas a Caixa Econômica Federal estima que vale sete milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os militantes jamais vão impedir a polícia de expulsá-los. Não há comparação de forças quando há bombas e escudos de um lado, revolta e peito aberto do outro. Além do mais, qualquer tipo de enfrentamento físico vai contra a tradição dos sem-teto. O punho cerrado está lá para reivindicar, não para bater. A voz e a organização são as armas de ataque. Elas não ferem, convencem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, o Prestes tem que vencer, tem que se transformar de uma vez por todas num conjunto reestruturado com o apoio de arquitetos e engenheiros financiados pelos programas habitacionais da prefeitura, do estado e da União. Para que ganhe o status do símbolo que é, da força que representa, da mudança que pode iniciar quando o povo organizado desde baixo, por si mesmo, consegue vencer os mais espúrios interesses especulativos e mostrar que o ser humano vem antes. Sempre. &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-4517276194558888356?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/4517276194558888356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=4517276194558888356&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/4517276194558888356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/4517276194558888356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/02/o-prestes.html' title='o prestes'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-5083865842216422</id><published>2007-02-18T17:16:00.000-02:00</published><updated>2008-12-08T20:41:22.964-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>o grande artista do kaos - parte 1</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rd3syEGIWOI/AAAAAAAAABI/vAsBQKU5Si0/s1600-h/vigarista+jorge+1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rd3syEGIWOI/AAAAAAAAABI/vAsBQKU5Si0/s200/vigarista+jorge+1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5034440303307151586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Henrique George Mautner, mais conhecido como Jorge Mautner, iniciou sua carreira artística em 1958, quase por acaso. “Fui artisticamente descoberto na &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Revista Diálogo&lt;/span&gt;, onde textos meus foram publicados por Paulo Bonfim, Guilherme de Almeida e pelo filósofo Vicente Ferreira da Silva”, afirma ele, em entrevista concedida a este repórter durante a 5ª Bienal de Arte e Cultura da UNE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Filiei-me ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1963 e publiquei minha saudação a Brasília, que é o livro &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Kaos&lt;/span&gt;. Antes mesmo da cidade estar pronta, estive por lá, em 1958 e 1959”, afirma Mautner, que segue como um dos mais vigorosos artistas de sua época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premiado com o Jabuti de Revelação Literária, em 1962, pelo livro &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Dança da Chuva e da Morte&lt;/span&gt;, Mautner participou do Tropicalismo, movimento artístico tupiniquim capitaneado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Gal Costa, entre outros. Conhecido pela alcunha de “artista maldito”, Mautner inspirou-se nos hippies e no movimento beatnik para criar, escrever e compor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor de dez livros, como&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt; Kaos&lt;/span&gt; (1963), &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Narciso em Tarde Cinza&lt;/span&gt; (1965),  (1965),&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Vigarista Jorge Fragmentos de Sabonete &lt;/span&gt;(1973), &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sexo do Crepúsculo &lt;/span&gt;(1982) e &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Floresta Verde Esmeralda&lt;/span&gt; (2002), Mautner ainda é poeta, cartunista, violinista, pianista, compositor, artista plástico, cineasta e cantor. Há três meses, ele lançou uma autobiografia, chamada &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;O Filho do Holocausto&lt;/span&gt;, na qual conta detalhes de sua vida que até então permaneceram obscuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu lado mais famoso é o de compositor musical. Mautner é considerado um dos mais gravados compositores em vida no Brasil. Dentre as suas criações, estão as músicas&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt; Lágrimas Negras&lt;/span&gt;, gravada por Gal Costa; &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;O Rouxinol&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Herói das Estrelas&lt;/span&gt;, gravadas por Gilberto Gil; e também &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Maracatu Atômico&lt;/span&gt;, que fez história na década de 70 e retornou como sucesso retumbante na voz e na ginga de Chico Science, morto há exatos dez anos em um acidente automobilístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre tantas criações de Jorge Mautner, encontra-se o filme &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;O Demiurgo&lt;/span&gt;, considerado por Glauber Rocha como “o melhor filme já feito sobre o exílio”. Gravada em Londres em 1970, esta película reúne diversos artistas expulsos do país, como Jards Macalé, Dedé Veloso, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Leilah Assunção, Roberto Aguilar, Sandra Gadelha e o próprio Mautner, em uma trama chamada pelo artista de “chanchada filosófica”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, Mautner mantém o Pontão da Cultura do Kaos, que já visitou 22 pontos em cinco estados do país (São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Norte). As apresentações performáticas de Mautner e Jacobina, montadas com causos, poesias e canções, abordam temas históricos que inspiram novos olhares sobre o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia um trecho da entrevista concedida por Jorge Mautner:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Reverso - O que você acha que está sendo feito de mais importante, em termos de cultura afro-brasileira, no Brasil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jorge Mautner - &lt;/span&gt;A cultura afro-brasileira inaugurou, desde uma nova possibilidade de mundo, uma nova visão, que é algo além da mistura e da miscigenação. É um amálgama, nas palavras de Jorge Caldeira [autor do livro Noel Rosa, de Costas para o Mar], que não foi só feito com a independência de José Bonifácio em 1823, mas foi muito mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amálgama brasileiro é reinterpretado a toda hora. E existe uma absorção dos elementos que compõem esta alquimia, sejam eles indígenas, negros, europeus. Os bantos [grupo étnico africano] logo se misturaram com os índios e inventaram o Cururu [dança típica do Mato Grosso, organizada nas festas de São Benedito], o Cateretê ou Catira [típico do interior de São Paulo e Minas Gerais], e também esse amálgama criou a nossa viola caipira, e o nosso samba, que é antiqüíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar a obra artística maravilhosa de Abdias Nascimento, que foi homenageado aqui, na Bienal da UNE. E também lembrar que a cultura negra invade tudo. O que é o Rock n’ Roll? O que é Rhythm and Blues?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja você: o próprio Pavarotti quer cantar com o Caetano Veloso. Então, hoje em dia, a cultura negra tem uma abrangência enorme. A nossa música, assim como o futebol, tem ginga afro-brasileira. É a manha e a artimanha, e isso me lembra a capoeira, que é uma arte marcial inacreditável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente acha que a capoeira é só música e luta, mas não. Há uma linguagem simultânea, tríplice, que mistura a brincadeira, a dança, e a luta também. Ou seja: quando hoje se fala em multiplicidade, em simultaneidade, no mundo digital e quântico, basta olhar para a nossa cultura e vamos ver que isso já existe há muito tempo. Nossa cultura renova-se sempre, apesar de ter raízes antigas. Veja o hip-hop, o funk e o rap.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero lembrar, inclusive, que o rap é literatura. Se a letra foi abandonada em outros estilos musicais, como a música eletrônica, com o rap a letra ganha importância. A letra está ligada às crises sociais, mas também às crises existenciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe mais essa separação do gênero musical, como quando comecei minha carreira: “eu faço letra de música social” ou “eu produzo música individual”, não, hoje em dia tudo está amalgamado, e o melhor, que é com clareza&lt;br /&gt;O Brasil é um gigante que se fingiu de invisível até agora. Mas não dá mais. Ou o mundo brasilifica-se, ou vira nazista. Nós somos a chave para compreender o futuro. Não é só o futebol, a música, as artes... É como já disse: “Jesus de Nazaré, os tambores de candomblé”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na França, de onde vem a nata da realeza da Filosofia mundial, há um grupo de jovens que lançarão um livro chamado Teoria Rebelião conosco [do Ponto de Cultura do Kaos]. Estes jovens se intitulam “Os Sem-Filosofia” e estão desesperados com a situação mundial. Eles pedem auxílio aos artistas e intelectuais brasileiros para acabar com a terrível “compartimentação do conhecimento” que vitimou os europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;RVS - O que dizer do maestro Julio Medaglia [criador do arranjo musical de “Tropicália”, canção de Caetano Veloso], que considera o hip-hop e o rap como “anti-música” por não haver melodia, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;apenas um ritmo monocórdico?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;JM – &lt;/span&gt;Acho estranho, porque o funk, o rap e o hip-hop são de uma grande sofisticação, porque vão além da música tradicional. Tudo no Brasil começou como o mangue beat, que reúne a dissonância da música eletrônica e o ritmo dos tambores recifenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, pense: o rock quando surgiu era considerado pecado, considerado subversivo, mas nunca deixou de ser ouvido pelas pessoas. Indo além: o próprio samba era proibido pelo governo federal, até o início do Estado Novo, por ser altamente subversivo. Na década de 30, no Brasil, você poderia ouvir chorinho, lundu, modinha, mas o samba era um perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está aí a origem do nome da primeira escola de samba do Rio de Janeiro, “Deixa Falar”, da qual faz parte o músico Luiz Melodia e que hoje se chama Escola de Samba Estácio de Sá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;RVS – A propósito do tema “Deixa Falar”, você foi o primeiro artista brasileiro a ser exilado e um dos primeiros a ter sua obra censurada. Conte um pouco dessa época.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;JM - &lt;/span&gt;Eu fui artisticamente descoberto em 1958 na Revista Diálogo, onde textos meus foram publicados por Paulo Bonfim, Guilherme de Almeida e pelo filósofo Vicente Ferreira da Silva. Em 1962, recebi o prêmio Jabuti de Revelação Literária, com Deus da Chuva e da Morte. Eu conto tudo isso numa autobiografia recente, publicada pela editora Agir, chamada O Filho do Holocausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, em 1963, eu me filiei ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e publiquei &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Kaos com K,&lt;/span&gt; que para mim é uma saudação para Brasília. Antes mesmo de a cidade ficar pronta, estive por lá, em 1958 e 1959. Na época eu também escrevia uma coluna no jornal Última Hora, chamada de &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Bilhetes do Kaos&lt;/span&gt;. Um ano depois do golpe, em 1965, publiquei dois livros, Narciso em Tarde Cinza e o famoso Vigarista Jorge; por causa deles e por um disco com as músicas &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Radioatividade &lt;/span&gt;e&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Não, Não, Não&lt;/span&gt; eu fui enquadrado na Lei de Segurança Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui exilado para Nova York, depois para o México e depois fiquei sabendo que Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam em Londres. Lá, em 1969, eu os encontrei e filmei uma chanchada-filosófica chamada &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;O Demiurgo&lt;/span&gt;, que tem vários artistas no elenco, incluindo os dois e eu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano e Gil sempre quiseram voltar para o Brasil. Mas o comando da ditadura estava com os militares “linha-dura”, com [Garrastazu] Médici no poder. E os partidos não acreditavam que o regime estivesse chegando ao fim. Então a linha moderada do regime militar deu um sinal de que nós, artistas, poderíamos voltar para acelerar o processo de redemocratização. Então eu, Gil e Caetano chegamos ao Brasil em 1972.&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua...)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-5083865842216422?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/5083865842216422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=5083865842216422&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/5083865842216422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/5083865842216422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/02/o-grande-artista-do-kaos-parte-1_22.html' title='o grande artista do kaos - parte 1'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rd3syEGIWOI/AAAAAAAAABI/vAsBQKU5Si0/s72-c/vigarista+jorge+1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-8243356744489103935</id><published>2007-02-18T15:35:00.000-02:00</published><updated>2008-12-08T20:41:23.162-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>o grande artista do kaos - parte 2</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;(...continuação da entrevista com Jorge Mautner realizada na 5ª Bienal de Arte e Cultura da UNE).&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reverso – Enquanto você esteve no exílio, o regime militar chegou a monitorar suas atividades?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jorge Mautner - &lt;/span&gt;Sim. Havia um sujeito que me procurava a toda hora, pedia meu endereço, e dizia ser meu fã, em Nova York. Eu recebia a visita do companheiro Roberto Schwartz, do PCB, uma vez por mês. Esqueci de dizer, mas fiz parte do Partidão por 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, lá nos EUA, eu continuei minhas atividades políticas e reunia-me com os Panteras Negras, com os Students for a Democratic Society e outros grupos. A minha esposa, a Ruth, desconfiava desse sujeito que me seguia, ela dizia haver algo estranho. O sujeito disfarçava bem, porque conhecia a minha produção artística e também tinha um&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;a “bagagem artístico-literária”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, em 1985, eu já estava no Brasil e participei de um show no Rio de Janeiro. O tal sujeito foi me procurar no show para dizer: “Você lembra de mim? Naquela época, eu estava em missão pelo SNI [Serviço Nacional de Inteligência] e acabei virando seu fã”. Foi uma história engraçada. Além desse fato, eu sabia que havia espiões da ditadura seguindo de perto os passos de Gil e de Caetano, em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;RVS – Como ex-militante do PCB, qual tua opinião sobre a pauta racial dentro da esquerda brasileira, nos anos 1960? Pergunto isso porque foi tema de um debate ocorrido aqui na Bienal da UNE.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;JM – &lt;/span&gt;O problema é o seguinte: a concepção do Partido era européia, e ele atuava no plano abstrato. Para o Partido, estas questões raciais eram alienadas. Não podia haver etnia, isto era coisa dos fascistas. Então, na esquerda, existia esse preconceito errado, que limitava a nossa atuação. Limitou a tal ponto que alguns setores da esquerda negavam o indivíduo e o desejo de prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou lembrar aqui o Leon Trotsky que, na véspera de sua morte, nos últimos escritos publicados no México, fez uma autocrítica. Ele assume que errou muito ao menosprezar a importância das etnias, do indivíduo, dos nacionalismos locais e das culturas. Acho que foi o grande erro dele, que era o mais abstrato e internacionalista de todos os revolucionários. Enfim, ele mesmo admitiu isso por escrito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;Não tenho dúvidas de que o turbilhão existencialista, a realidade tão múltipla, a realidade aguda do ser humano, foi negada por tradição. É, de certa forma, uma herança do colonialismo. Existia esse favorecimento da erudição, do militante que é doutor e dos que não são doutores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acho que tudo isso foi refeito no Brasil, de um jeito ou de outro. Porque aqui é a nação onde há o amálgama da predominância negra na sociedade, incluindo na esquerda. Aqui o candomblé foi reinventado e na África ele é imanentista, geográfico. Por uma genialidade, no Brasil, foram criados os arquétipos muito antes de Carl Gustav Jung [psicanalista suíço].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;RVS – Mautner, conte para nós sobre seus mais recentes projetos com os Pontos de Cultura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;JM –&lt;/span&gt; Pois é, tem o Ponto de Cultura do Kaos, onde eu trabalho. E desde março do ano passado estou visitando vários Pontos pelo país todo, viajando para a Amazônia, para Brasília, para São Paulo, para Goiás, para Pernambuco, para Pirinópolis, para Natal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro Ponto de Cultura que visitei foi em Belém do Pará, para encontrar o mestre Verepeto, um ícone do carimbó [dança indígena surgida na Ilha de Marajó]. Depois fui para a pequena cidade de Abaetetuba [localizada no Pará], em que fiquei duas semanas para ver os remanescentes de quilombos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;Visitei Pontos de Cultura na zona da mata do Recife, como o terreiro de Xambá [primeiro quilombo urbano de Pernambuco]. Trata-se da única casa de candomblé com uma memória histórica preservada, com lembranças das&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rd3qNkGIWNI/AAAAAAAAAA8/0h91Q2owBNs/s1600-h/vigarista+jorge.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rd3qNkGIWNI/AAAAAAAAAA8/0h91Q2owBNs/s200/vigarista+jorge.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5034437477218670802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt; perseguições sofridas. Há até um museu, em um dos andares da casa. Também na zona da&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt; mata, eu conheci muito do maracatu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impressionante o que você encontra pelo Brasil afora. Em São Paulo eu encontrei um Ponto de Cultura evangélico, cuja música tradicional é o reggae. Trata-se de uma novidade antropológica sem fronteiras. Neste lugar, Nelson [Jacobina] e eu tocamos música de candomblé, de umbanda, e todos os presentes nos acompanharam e cantaram. Cada Ponto de Cultura vai além da imaginação, o entusiasmo é total e o amor pelo Brasil é absoluto, mas não é xenófobo, é de um otimismo inacreditável. &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-8243356744489103935?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/8243356744489103935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=8243356744489103935&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/8243356744489103935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/8243356744489103935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/02/o-grande-artista-do-kaos-parte-1.html' title='o grande artista do kaos - parte 2'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LRShkmCkWJA/Rd3qNkGIWNI/AAAAAAAAAA8/0h91Q2owBNs/s72-c/vigarista+jorge.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-1245586267204452621</id><published>2007-02-16T21:41:00.000-02:00</published><updated>2007-04-12T18:52:31.002-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>aquecimento global 3: estados unidos versus estados unidos...</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por renato brandão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente da hiperpotência insiste em afirmar que não há provas conclusivas de que o aquecimento global é causado pelo homem. Afirmação que vai de encontro com evidências da comunidade científica &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[1]&lt;/span&gt;. Gente do alto escalão do governo George Walker Bush vem ao público dizer que impor limites às emissões de gases do efeito estufa - ou seja, ao desenvolvimento baseado na queima de combustíveis fósseis- pode provocar desemprego...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu discurso sobre o &lt;em&gt;Estado da União&lt;/em&gt;, no final de janeiro, W. Bush afirmou &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[2]&lt;/span&gt; que os avanços tecnológicos salvarão o planeta da desgraça e ainda anunciou um aumento do uso de álcool combustível -algo que teria um impacto ínfimo sobre a redução das emissões de dióxido de carbono (CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialistas dizem que a substituição de 20% da gasolina por álcool até 2017 representaria uma diminuição de 1,5% no volume do poluente lançado dentro de dez anos e, portanto, não teria qualquer efeito na luta contra o aquecimento do planeta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que o etanol estadunidense é à base de milho. Segundo um estudo das Universidades de Cornell (Nova York) e Berkeley (Califórnia) &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[3]&lt;/span&gt;, converter plantas como milho (e também soja ou girassol) em combustível gasta mais energia do que o etanol ou o biodiesel fabricado!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Não há benefício energético em utilizar a biomassa das plantas para produzir combustíveis líquidos. Estas estratégias não são sustentáveis&lt;/em&gt;", criticou &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[4]&lt;/span&gt; David Pimentel, professor de ecologia e agricultura da Cornell e um dos autores do estudo. "&lt;em&gt;Produzir etanol ou biodiesel a partir da biomassa das plantas é tomar o caminho errado, porque você utiliza mais energia para produzir estes combustíveis do que aquela que você obtém a partir da combustão destes produtos(...) a produção de etanol exige grandes inputs de energia fóssil e, portanto, ela está contribuindo para importações de petróleo e gás natural e para déficites estadunidenses&lt;/em&gt;", explicou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com um artigo &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[5]&lt;/span&gt; de Claudinei Andreoli e Simone Pereira de Souza, pesquisadores da &lt;a href="http://www.embrapa.br/" target="_blank"&gt;Embrapa&lt;/a&gt;, a conversão do milho em etanol gasta quatro vezes mais energia do que da cana-de-açúcar (adotada no Brasil). Além de ressalvar que os custos de produção do álcool de cana são mais baratos do que os de milho -que é subsidiado pelo governo norte-americano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, não haverá nenhuma redução em escala com o anuncio de George W. Bush faz uma troca de "seis por meia dúzia", para inglês ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Iniciativas de fato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Embora a atual administração da Casa Branca continue a ignorar o grave problema ambiental em curso na Terra, governos de Estados e cidades importantes estadunidenses têm assumido voluntariamente metas para reduzir de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dianteira foi assumida pela administração do &lt;a href="http://www.gop.com/" target="_blank"&gt;republicana&lt;/a&gt; Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, que em setembro do ano passado assinou a Global Warming Solutions Act of 2006 &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[6]&lt;/span&gt;, um lei para cortar 25% das emissões californianas até 2020 (se a Califórnia fosse um país, seria o 12º maior poluidor do mundo)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em janeiro deste ano, oito governos de Estados do Nordeste estadunidense anunciaram a Regional Greenhouse Gases Initiative (da tradução, Iniciativa Regional para Gases do Efeito Estufa) &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[7]&lt;/span&gt;, na qual adotarão metas de redução de gases. Mais de 300 cidades norte-americanas (que representam mais de 55 milhões de habitantes - cerca de 18% da população dos Estados Unidos) adotarão suas próprias metas de redução de gases &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[8]&lt;/span&gt;. A iniciativa partiu primeiramente da administração &lt;a href="http://www.democrats.org/" target="_blank"&gt;democrata&lt;/a&gt; de Greg Nickels, prefeito de Seattle (capital do Estado de Washington, na costa oeste do país). Aos poucos, várias cidades foram aderindo, entre as quais Nova York, Los Angeles, Chicago, Philadelphia, San Francisco, Boston, Denver, Nova Orleans, Minneapolis, Austin, Portland, e Salt Lake City...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, falta apenas vontade política pelos lados da Casa Branca. E também fica evidente a possibilidade dos Estados Unidos reduzirem em pelo menos metade o seu padrão de consumo - o equivalente ao europeu atual, que também é elevado...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[1]&lt;/span&gt; Ver &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u16019.shtml"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;notícia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; sobre aquecimento global. &lt;em&gt;Folha Online, 17 de fevereiro de 2007.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[2]&lt;/span&gt; Ver &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/jan/23/208.htm" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;matéria&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; sobre anúncio da administração Bush sobre corte de consumo da gasolina. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;O Estado de S.Paulo, 23 de janeiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[3]&lt;/span&gt; Ver &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.springerlink.com/content/r1552355771656v0/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;resumo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; e &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[4] &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.news.cornell.edu/stories/July05/ethanol.toocostly.ssl.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;matéria&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; sobre&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; estudo do etanol produzido a partir do milho e um &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[5]&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://ecen.com/eee59/eee59p/cana_melhor_conversorl.htm" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;artigo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; sobre o assunto. &lt;em&gt;Cornell University&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;University of California-Berkeley, Julho de 2005&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;Economia e Energia, Dezembro de 2006&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Janeiro de 2007.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[6]&lt;/span&gt; Ver &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0302200709.htm" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;informe&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; oficial sobre a lei aprovada no Estado da Califórnia para redução de emissões de gases. &lt;em&gt;Governo da Califórnia, 27 de setembro de 2006.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[7]&lt;/span&gt; Ver o portal da &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.rggi.org/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Regional Greenhouse Gases Initiative&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, movimento de oito Estados norte-americanos (Maine, New Hampshire, Vermont, Connecticut, New York, New Jersey, Delaware, Massachusetts) que adotarão metas de redução de seus gases. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;RGGI, 17 de janeiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[8]&lt;/span&gt; Ver &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ci.seattle.wa.us/mayor/climate/quotes.htm#mayors" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;lista de cidades estadunidenses&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; que adotaram metas de redução de gases do efeito estufa. &lt;em&gt;Governo de Seattle, 18 de janeiro de 2007.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-1245586267204452621?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/1245586267204452621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=1245586267204452621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/1245586267204452621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/1245586267204452621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/02/aquecimento-global-3-estados-unidos_27.html' title='aquecimento global 3: estados unidos versus estados unidos...'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-745810709925129037</id><published>2007-02-14T00:36:00.000-02:00</published><updated>2007-02-28T16:53:26.629-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Marcos Angelim'/><title type='text'>Uma nova postura para um novo tempo</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por marcos angelim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;Sob a repercussão do relatório do IPCC acerca das mudanças climáticas da Terra e suas devastadoras conseqüências, ganha ímpeto a reflexão sobre como devemos agir para evitar o cataclismo anunciado. Governantes chamam a atenção para algumas das medidas a serem tomadas a nível governamental e cada um de nós é levado a se questionar tanto sobre sua participação no processo de degradação quanto na tentativa de diminuir seus trágicos efeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inquestionável o papel do consumo no processo de destruição do planeta: quanto maior o consumo, maior a quantidade de recursos naturais a serem retirados e transformados, gerando, assim, devastação e todo tipo de poluição. Já é lugar-comum afirmar que, se todos os habitantes da Terra tivessem o mesmo padrão de consumo dos estadunidenses, europeus e japoneses, o planeta não suportaria. Mas esse limite, imposto pelo fato de que os recursos naturais são esgotáveis e que a Terra não é imune à ação antrópica, parece não ter sido ainda compreendido nem pelas autoridades formuladoras das políticas de desenvolvimento econômico, que insistem em modelos fadados a agravar o quadro de degradação da vida, nem pelos cidadãos, que relutam a mudar seus hábitos de consumo. No entanto, estudos e &lt;a href="http://www.myfootprint.org/"&gt;fórmulas &lt;/a&gt;de calcular o impacto que exercemos individualmente sobre o meio ambiente encontram-se com facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção de carne e de outros produtos de origem animal, por exemplo, até bem pouco tempo passou despercebida como uma das principais causas de devastação de florestas, poluição de recursos hídricos e de emissão dos gases estufa. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, a FAO (&lt;em&gt;Food and Agriculture Organization&lt;/em&gt;), a produção de 1kg de carne bovina consome, em média, 15 mil litros d’água, enquanto a produção da mesma quantidade de cereais requer 3 mil litros. Outro &lt;a href="http://bichos.uol.com.br/ultnot/afp/ult296u653.jhtm"&gt;relatório&lt;/a&gt; do mesmo organismo afirma que a pecuária produz gases mais nocivos para a atmosfera do que o sistema de transportes, apontado, nos meios de comunicação, como o grande problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso país, em 2007, &lt;a href="http://www.portaldoagronegocio.com.br/index.php?p=texto&amp;&amp;amp;idT=854"&gt;tornou-se&lt;/a&gt; o maior exportador de carnes do mundo, deixando para trás a Austrália, antiga ocupante do posto. Na Amazônia, a maior parte das queimadas visa a preparar a terra para a pastagem do gado e para o plantio de grãos, como a soja, que serão destinados ao fabrico de ração de animais de corte no Brasil e no exterior. Apesar disso, poucos estão dispostos a sequer diminuir a quantidade de produtos de origem animal que consomem diariamente. Mas os vegetarianos, que nunca foram levados a sério e sempre foram vistos como hipongas e espiritualistas, disfarçam agora o prazer de saber que uma das principais razões de ser vegetariano começa a ser amplamente reconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vegetarianismo, contudo, funda na ética alicerce muito mais sólido e menos antropocêntrico do que a mera defesa do meio ambiente. É que, do ponto de vista ético, ele se justifica mais pelo dever moral de tratar com igualdade os interesses do outro – no caso, a alteridade constituída por outra espécie animal – do que pela necessidade de livrar as próximas gerações e a nós próprios dos problemas que a exploração desse outro acarreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expansão da esfera de consideração moral vem ocorrendo há muito tempo. Primeiro reconheceu-se a humanidade dos escravos; depois fez-se a abolição do escravismo e ele é hoje condenado onde quer que resista; em seguida, gradualmente, os ex-escravos conquistaram o status de cidadãos iguais a todos os outros, adquirindo direitos políticos, civis e econômicos. Assim foi também com as mulheres, que, apesar do sexismo ainda existente, alcançaram grandes vitórias no campo dos direitos. Mas a última etapa do alargamento da esfera moral, isto é, a inclusão dos não-humanos, enfrenta oposição cerrada da imensa maioria dos incluídos, sejam negros, homossexuais, mulheres ou ambientalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os argumentos em defesa da exploração das demais espécies em benefício dos humanos variam. Nas culturas judaico-cristãs, costuma-se alegar que Deus nos deixou os animais para servirem de alimento; outros afirmam que tudo não passa de simples obediência à lei da natureza, da cadeia alimentar, e que precisamos de carne para sobreviver, o que se provou não ser verdadeiro há muito tempo; os mais cultos, julgando ter argumentos mais refinados, traçam a fronteira na racionalidade, afirmando que podemos usufruir dos não-humanos porque não possuem razão – um traço que supostamente nos distinguiria de todo o resto da criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos esses argumentos, porém, escondem uma visão antropocêntrica da vida e um tipo de preconceito ainda quase desconhecido: o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Especismo"&gt;especismo&lt;/a&gt;, que, em poucas palavras, consiste na convicção, ou ideologia, segundo a qual os interesses dos seres humanos vêm em primeiro lugar, têm mais importância do que quaisquer interesses dos não-humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, é mais importante agradar o nosso paladar num churrasco de fim-de-semana do que evitar o sofrimento daqueles que foram mortos para que comêssemos a sua carne regada à cerveja. O surpreendente é que não é a posse da razão ou da linguagem que, em última instância, nos distingue dos não-humanos. Se assim fosse, portadores de deficiência mental profunda estariam fora do grupo humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como escreveu Locke, é o formato, o feitio do corpo que nos diferencia. Em suas palavras: “que quem quer que veja uma criatura com a sua própria forma e feitio, embora esta nunca tenha tido durante toda a sua vida mais razão do que um gato ou um papagaio, ainda lhe chamaria um Homem; ou quem quer que ouça um gato ou um papagaio falar, raciocinar e filosofar chamar-lhes-ia ou pensaria não serem mais do que um gato ou um papagaio e diria que aquele era um Homem estúpido e irracional e este um papagaio muito inteligente e racional”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Locke conseguiu evidenciar a verdadeira razão do tratamento desigual que conferimos aos não-humanos. Em outras palavras, ele desvendou o critério arbitrário por trás do pensamento e das práticas especistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filósofos como Jeremy Benthan e Peter Singer afirmam que é a sensiência (capacidade de sentir dor e prazer) o traço que deve ser levado em consideração na avaliação das nossas relações com os demais animais. Singer afirma que, se um ser sofre, não há justificativa moral para ignorar esse sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro expoente do movimento de libertação animal, o filósofo estadunidense Tom Regan, afirma que os animais são sujeitos de uma vida e que possuem um valor em si e para si mesmos, o que tornaria injustificável transformá-los em meios para um fim humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate em torno dessa questão é atual e os pensadores ligados ao movimento de defesa dos não-humanos têm travado debates interessantes com pensadores como John Raws e tantos outros opositores da inclusão dos animais na esfera de consideração moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa discussão, porém, em virtude dos interesses econômicos envolvidos e da própria dificuldade que temos de encarar uma situação que nos recusamos a enxergar como problema relevante, uma vez que é favorável aos nossos interesses, ocorre à margem da grande mídia e é desconhecida da grande maioria dos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, com o ganho de espaço que as questões relativas ao meio ambiente terão daqui em diante nas diversas editorias dos jornais, nos programas de TV e até mesmo nas conversas entre amigos, o debate em torno do especismo e do antropocentrismo com que encaramos a vida se torne mais freqüente e resulte em alterações do nosso comportamento em relação ao meio ambiente e às demais espécies, que devem ser vistas como merecedoras da vida e do planeta, e não como hamburgueres e &lt;em&gt;nuggets&lt;/em&gt; à nossa espera no fast-food da esquina.&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Leia também:&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;* &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://oreverso.blogspot.com/2007/02/duvido.html" target="_blank"&gt;dúvido!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;* &lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://oreverso.blogspot.com/2007/02/custos-e-sacrifcios-pela-terra.html" target="_blank"&gt;aquecimento global 2: custos e sacrifícios pelo planeta...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;* &lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://oreverso.blogspot.com/2007/02/quanto-tempo-ainda-iremos-perder.html" target="_blank"&gt;quanto tempo ainda iremos perder?&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-745810709925129037?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/745810709925129037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=745810709925129037&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/745810709925129037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/745810709925129037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/02/uma-nova-postura-para-um-novo-tempo.html' title='Uma nova postura para um novo tempo'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-117107309151069284</id><published>2007-02-11T00:00:00.000-02:00</published><updated>2007-02-27T12:49:59.498-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>duvido!</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada um relatório traçou o mapa da desgraça que o progresso humano provocou e vai continuar provocando, pelos próximos cem anos e mais, no planeta Terra. Não é demais lembrar que este é o único que temos para viver e – mais importante – que não somos seus únicos habitantes. Como o companheiro Brandão já &lt;a href="http://oreverso.blogspot.com/2007/02/quanto-tempo-ainda-iremos-perder.html" target="_blank"&gt;fez algumas reflexões&lt;/a&gt; sobre o relatório do &lt;a href="http://www.ipcc.ch/"&gt;IPCC&lt;/a&gt; e suas diretrizes, quero falar de outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos e não sabemos que destruímos dia após dia o meio ambiente. E sabemos e não sabemos os passos para amenizar a degradação. Por exemplo, praticando a simples e indolor coleta seletiva do lixo. É senso comum também que o consumismo destrói o planeta. Mas ninguém pára de comprar refrigerante em garrafa pet. O sonho de nove entre dez pessoas é ter um veículo particular. Os governos continuam mirando seu crescimento econômico no modelo que, além de pobreza, causa tempestades, degelo das calotas polares, inundações, etc. Todos queremos viver como nos Estados Unidos ignorando – propositalmente – que não há recursos naturais suficientes para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ilusão pensar que as pessoas – eu, você, o vizinho – vão deixar de lado as facilidades da vida contemporânea para preservar o próximo século de um planeta que não vão mais habitar. Talvez se a ciência descobrisse a fonte da vida eterna... Como não há chances de que isso aconteça no curto, médio ou longo prazo, precisamos de uma mudança radical, principalmente na economia. Porque capitalismo rima muito bem com progresso, prosperidade, aviões, arranha céus, indústrias produzindo a todo vapor, mas não com natureza. Preservar o planeta no capitalismo custa muito dinheiro, portanto, reduz o lucro, portanto, está fora de cogitação para os donos da bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dinheiro é bom. Quem tem, adora, pode comprar um monte de coisa. Carne, por exemplo. Nem precisamos de tanto dinheiro para comprar carne. E ninguém vai parar de comer, seja filé minhon ou acem. Mas o rebanho bovino – comendo, arrotando e peidando sem parar – está entre os maiores emissores de gases estufa à atmosfera. Aquele bifinho vistoso entre o arroz e feijão do almoço esconde uma boa parcela de culpa pela tragédia do planeta. Agora, que atire a primeira pedra quem vai abdicar do churrasco no final de semana, ou do pf disputado que divide um dia cansativo de trabalho. Depois, sem essa de carro. Vamos todos de busão, até quem pode comprar um BMW. Até pegarmos um dia chuva de calor, como os do verão paulistano, com o bumba lotado. Todas as janelas fechadas, o tráfego parado, a temperatura nas alturas, todo mundo suando... Como é que você vai se apresentar pro seu chefe desse jeito? E o cliente, o que vai achar das marcas de suor no entorno do seu sovaco? Tá, você promete que vai colocar um bom catalisador no escapamento do seu veículo. Até chegar a hora de trocá-lo. Daí vai pesar no bolso, tem as despesas extras das crianças, aquela comprinha em que você gastou demais. Como é que fica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então. Vamos supor que você vai sacrificar suas preferências gastronômicas em nome do bem-estar da natureza. Beleza, resolve parar de comer carne. E o substituto mais eficiente de proteínas e a soja. Mas a soja é a maior responsável pela expansão descontrolada da fronteira agrícola no Mato Grosso e outros estados da Amazônia Legal. Pra plantar, tem que desmatar. E o desmatamento, você sabe muito bem, também está entre os maiores promotores do efeito estufa, é a maior contribuição que o Brasil dá para o aquecimento global. E o rei da soja, Blairo Maggi, é o governador matogrossense. Faz parte inclusive da base de sustentação do presidente Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado, já sabemos. Algumas empresas vão lançar cada vez mais campanhas publicitárias dizendo que defendem o meio ambiente, usam papel reciclado, contribuem com o Greenpeace. Às vezes gastam mais na propaganda das bem-feitorias do que nas bem-feitorias propriamente ditas. Ganham, assim, mais clientes, aqueles preocupados com a natureza, enquanto emprestam dinheiro para indústrias que inevitavelmente vão poluir a atmosfera. Proteção ambiental vai também virar plataforma de políticos que, nas próximas eleições, não pensarão duas vezes em despolitizar a questão para ganhar votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As emissões, claro, serão reduzidas. Mas só até onde o sistema aceitar, só até onde nossas mordomias permitirem – o que, tristemente, é insuficiente. A batata quente &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;–&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt; e cada vez mais quente &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;–&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt; está com os incluídos, os que movimentam a máquina, os que gastam, que consomem, que poluem. Eles vão abdicar do carro, do churrasco, do ar-condicionado, da piscina? Eu vou? E você, vai? &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;Leia também:&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://oreverso.blogspot.com/2007/02/quanto-tempo-ainda-iremos-perder.html" target="_blank"&gt;quanto tempo ainda iremos perder?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-117107309151069284?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/117107309151069284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=117107309151069284&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/117107309151069284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/117107309151069284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/02/duvido.html' title='duvido!'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-2484079310604651537</id><published>2007-02-09T22:32:00.000-02:00</published><updated>2007-05-03T20:41:45.604-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>aquecimento global 2: custos e sacrifícios pelo planeta...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por renato brandão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deter o aquecimento global será um dos maiores desafios da humanidade nos próximos anos, e os resultados das negociações entre os atores globais vão demorar a aparecer. Diante das previsões preocupantes divulgadas na primeira parte do 4º relatório do &lt;a href="http://www.ipcc.ch/SPM2feb07.pdf" target="_blank"&gt;IPCC&lt;/a&gt; (AR-4), são necessárias respostas rigorosas ao desafio posto, que impliquem em compromissos dos países na redução das emissões de derivados de combustíveis fósseis na atmosfera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grupo de trabalho do IPCC está preparando um novo material, a ser divulgado entre abril e maio deste ano, contendo informações dos cientistas sobre como seria possível iniciar as reduções de gases que agravam o fenômeno do aquecimento global. É a chamada &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;mitigação&lt;/span&gt; -palavra que se tornará cada vez mais comum e, basicamente, se refere a medidas para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa na baixa atmosfera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;O desafio das reduções&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mas os especialistas já têm idéia em quanto será preciso reduzir as emissões de derivados de combustíveis fósseis na atmosfera -para evitar o pior dos cenários previstos pelos cientistas, ou seja, um aumento de até 6,4ºC na temperatura média global. Será preciso um corte &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;entre 50 a 65% das emissões de gases do efeito estufa&lt;/span&gt;. Isso mesmo! A humanidade terá de reduzir de 50 a 65% as emissões de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; e demais poluentes da atmosfera. Um desafio e tanto, ainda mais ao levarmos em conta o pouco caso dos países, nos últimos anos, para se fechar um acordo internacional sobre redução de emissões!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Se quisermos limitar o aquecimento a 2ºC, podemos jogar 'apenas' 750 bilhões de toneladas de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; na atmosfera neste século"&lt;/em&gt;, afirmou Meinrat Andreae, climatologista alemã, ao jornal Folha de S.Paulo&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[1]&lt;/span&gt;, um dia após a divulgação do novo relatório do IPCC. Segundo a climatologista, caso não façamos nada, emitiremos no fim do século até 1,4 trilhão de toneladas de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;! Sem delongas, um cenário catastrófico para o planeta. &lt;em&gt;"Não há um momento a partir do qual a coisa se torna impossível, mas ela fica mais difícil à medida que o tempo passa"&lt;/em&gt;, alertou Andreae...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005, a revista Science já alertara&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[2]&lt;/span&gt; que nunca foram registradas, em 650 mil anos, concentrações tão elevadas de gás carbônico na atmosfera do que atualmente. Voltemos a este assunto quando for divulgado a segunda parte do relatório de 2007 do IPCC...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O preço da fatura&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O primeiro informe do 4º IPCC deixou claro que ainda não é o "fim do mundo", mas se perdermos as oportunidades de mudarmos a partir de já, não haverá conserto para o planeta no futuro - a Terra se tornará um lugar inabitável, mesmo para o ser humano -espécime que se adapta com mais facilidade a variados ambientes. Com este quadro, alguns já começam a fazer as contas de uma mitigação pra valer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo do &lt;a href="http://www.labour.org.uk/" target="_blank"&gt;trabalhista&lt;/a&gt; Tony Blair, premiê do Reino Unido, encomendou no ano passado um estudo&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[3]&lt;/span&gt; sobre os efeitos das mudanças climáticas na economia mundial nos próximos 50 anos. O trabalho fez a estimativa de quanto sairia esta brincadeira: &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;1% do PIB global atual&lt;/span&gt; -equivalente a &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;US$ 350 bilhões&lt;/span&gt;-, mas se demorarmos muito, a conta subirá para &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;US$ 1 trilhão&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Relatório Stern&lt;/em&gt; (leva este nome por ter sido produzido pela equipe do também britânico &lt;a href="http://info.worldbank.org/etools/docs/library/138946/SternBio.doc" target="_blank"&gt;Nicholas Stern&lt;/a&gt;, ex-economista chefe do &lt;a href="http://www.worldbank.int/" target="_blank"&gt;Banco Mundial&lt;/a&gt;) prevê que o montante investido em mitigação para os próximos 10 a 20 anos evitaria a perda de &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;20% do PIB global por ano&lt;/span&gt; nos próximos dois séculos - caso nada seja feito para impedir que a temperatura da atmosfera suba mais 2ºC. Será que isto motivará as potencias globais a colocarem a questão ambiental como uma das prioridades de suas agendas?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A equipe de Stern avaliou ainda que estes investimentos não vão limpar o ar poluído durante as últimas décadas (tampouco vão evitar os danos causados pelas emissões em excesso do CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;). A análise é de que a situação está ruim e vai piorar, mas podemos ainda evitar uma catástrofe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No teatro das relações internacionais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para além de custos, o grande drama na discussão sobre mitigação se dará no campo diplomático. Quantos sacrifícios os Estados-nação estarão dispostos a realizar em prol do planeta, sabendo-se que no campo das relações internacionais o choque de interesses da cada país neutraliza acordos de âmbito global? A questão ambiental é difícil de ser lidada justamente por ser um problema de esfera internacional que tem de ser transferido para o campo nacional...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria fundamental incrementar o &lt;a href="http://unfccc.int/resource/docs/convkp/kpeng.html" target="_blank"&gt;Protocolo de Kyoto&lt;/a&gt;. O tratado teve o mérito de ter sido o primeiro acordo internacional para redução de gases do efeito estufa a vigorar no mundo - mesmo que não conte com a participação de dois grandes poluidores do planeta (Estados Unidos -o maior de todos!- e Austrália&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[4]&lt;/span&gt;). Sua importância era mais simbólica do que efetiva. Mas são necessárias metas mais agressivas para uma nova fase do protocolo, prevista para 2013, já que as do primeiro acordo eram muito modestas para causar algum impacto no ambiente -redução em 5% as emissões de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; dos países desenvolvidos&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[5]&lt;/span&gt; entre 2005 a 2012, algo em torno de 5 bilhões de toneladas do gás...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os principais lances devem ser dados pelos atores de maior responsabilidade histórica. Ou seja, Estados Unidos, União Européia, Japão, Canadá, Rússia, Austrália - ainda hoje &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_carbon_dioxide_emissions" target="_blank"&gt;os maiores emissores de gases do efeito estufa no planeta&lt;/a&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O dia em que o clima mudará e escapará de qualquer controle está próximo. Estamos no limite do irreversível(...) A crise ecológica não conhece fronteiras. Mesmo assim, nós ainda agimos frequentemente de uma maneira dispersa(...) Diante desta urgência, não de meias medidas. É o momento de uma revolução, no verdadeiro sentido do termo de nossas consciências, de nossa economia e nossa ação política"&lt;/em&gt; declarou&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[6]&lt;/span&gt; o presidente francês Jacques Chirac (do partido de centro-direita &lt;a href="http://www.u-m-p.org/site/index.php" target="_blank"&gt;UMP&lt;/a&gt;), anfitrião da reunião do AR-4. Mas será que o sucessor de Chirac em 2008 - o centro-direitista Nicolas Sarkozy ou a &lt;a href="http://www.parti-socialiste.fr/" target="_blank"&gt;centro-esquerdista&lt;/a&gt; Ségolène Royale- vai transformar palavras em ações?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Ricos"&lt;/em&gt; x &lt;em&gt;"Pobres"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Outro embate se dará entre &lt;em&gt;"Norte"&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;"Sul"&lt;/em&gt;. Os países &lt;em&gt;ricos&lt;/em&gt; vão cobrar mais das nações em &lt;em&gt;desenvolvimento&lt;/em&gt; (ou &lt;em&gt;subdesenvolvidas&lt;/em&gt;), especialmente sobre nações como China, Índia, Brasil e África do Sul, algum tipo de meta para redução de gases...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe ressaltar novamente a responsabilidade dos países &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;desenvolvidos&lt;/span&gt; na questão do aquecimento global. Os &lt;em&gt;pobres&lt;/em&gt;, que historicamente emitiram CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; na atmosfera em escala muito menor, serão muito mais afetados pelas mudanças climáticas do que os &lt;em&gt;ricos&lt;/em&gt;. Aliás, uma das razões que explica o &lt;strong&gt;subdesenvolvimento&lt;/strong&gt; dos &lt;em&gt;pobres&lt;/em&gt; é justamente por estes terem emitido muito menos derivados de combustíveis fósseis, por não terem consumido energia o bastante para serem &lt;strong&gt;desenvolvidos&lt;/strong&gt;!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se os &lt;em&gt;ricos&lt;/em&gt; reclamam responsabilidades para &lt;strong&gt;pobres&lt;/strong&gt; como Brasil, China e Índia, ora, não seria desejável que financiassem a mitigação? Com razão aparente, as nações &lt;em&gt;em desenvolvimento&lt;/em&gt; vão alegar seu direito &lt;em&gt;ao desenvolvimento&lt;/em&gt; (por que só os ricos tiveram oportunidades para se desenvolver e os demais não?)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, todos terão de ceder de alguma forma. Os cientistas do IPCC avaliaram que as oportunidades mais fáceis para reduzir as emissões virão dos países pobres&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[7]&lt;/span&gt;. Além do mais, no Protocolo de Kyoto, as nações "em desenvolvimento" não assumiram metas para reduzir suas emissões de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;. Austrália e Estados Unidos não assinaram o acordo e são os que mais reclamam deste item, que beneficia grandes poluidores. A China, menina dos olhos da economia mundial há décadas, é o segundo maior emissor de poluentes do planeta -e, de acordo com especialistas será o maior a partir de 2009&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[8]&lt;/span&gt;. Mas a potência oriental sacrificará seu crescimento econômico, este sustentado pela queima de carvão (85% da energia gerada no país vem da queima deste tipo de combustível fóssil), que por sua vez acelera o degelo do Himalaia?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mudanças culturais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Embora praticamente ausente das discussões, um ponto sensível é como conciliar a salvação do palneta com o atual consumismo desenfreado, que incita a destruição do planeta. As pessoas comuns deixarão de lado certos hábitos, em um mundo cada vez mais marcado pelo individualismo e egoísmo? Será possível atacar o problema sem mexer nos padrões de consumo no mundo? Em um sistema no qual as disparidades sociais são aceitas (e &lt;em&gt;as diferenças de classe&lt;/em&gt; são até estimuladas), sacrifícios para salvar a Terra seriam feitos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um mundo marcado pelas disparidades sociais (que além de aceitas, são até estimuladas), não é diferente que camadas sociais distintas tenham responsabilidades distintas. Famílias pobres consomem infinitamente menos que as classes média e alta. Estas não devem ficar isentas de obrigações - nem aqui nem no resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tema delicado, mas que para alguns já abraçam como solução a tecnologia. Mas é preciso muito mais que soluções tecnológicas para salvar a Terra. É preciso introjetar nos corações e mentes das pessoas a racionalização do uso da energia, a reciclagem e o estímilo à reutilização energética de resíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa responsabilidade coletiva é maior porque alguém terá de exercer pressão sobre os donos do poder global, para que as mudanças sejam feitas sem perda de tempo. Sem pressão do público, os políticos e as corporações&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[9]&lt;/span&gt; seriam impelidos a mudarem suas posturas com a rapidez exigida pelo quarto relatório do IPCC?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto estas perguntas não têm respostas prontas, o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;autor&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; apóia uma idéia, defendida por alguns especialistas, de que o Estado deve assumir o papel primordial na execução de políticas necessárias para diminuirmos o ritmo das mudanças do clima terrestre. Defendo o Estado como &lt;em&gt;agente regulador&lt;/em&gt; - "palavrão" que costuma escandalizar defensores do livre mercado. É preciso ter regras bem claras sobre o que é o certo e o errado. Quem mais teria legitimidade para definir regras, senão os governos - representantes eleitos pela população? Além do mais, está na hora de taxar empresas que emitem derivados de combustíveis fósseis, em outras palavras, estas devem pagar os custos da poluição (ainda hoje gratuita!) do ar. E seria bom deixar bem claro para a população quem topa participar dos esforços globais para diminuição das emissões de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; -através de "selos de reduções", algo do tipo, concedidos pelos países a quem realmente está se comprometendo com a Terra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado deve também estimular a conscientização social sobre o meio ambiente, através de campanhas (afinal, se dependermos somente das pessoas comuns, vixe, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;no longo prazo estaremos todos mortos&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[10]&lt;/span&gt;), juntamente com políticas de financiamento de tecnologias para a população, por exemplo, barateando painéis solares para o aquecimento da água para o chuveiro. E ainda é responsabilidade do Estado investir em energias mais limpas e renováveis (eólica, biomassa, ondas do mar, entre outras) -como pede um relatório da organização não-governamental Greenpeace&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[11]&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organizações ambientalistas como o &lt;a href="http://www.greenpeace.org.br/" target="_blank"&gt;Greenpeace Brasil &lt;/a&gt;e o &lt;a href="http://www.wwf.org.br/" target="_blank"&gt;WWF Brasil&lt;/a&gt; dão várias outras dicas para as pessoas, como:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*o uso racional de aquecedores, fogões e outros equipamentos que demandam a queima de gás natural ou derivados de combustíveis fósseis;&lt;br /&gt;* desligar completamente aparelhos eletrônicos (stand by significa "ainda ligado!);&lt;br /&gt;* uso de lâmpadas e eletrodomésticos "econômicos";&lt;br /&gt;* averiguar a procedência da maderia que você consome (a Floresta Amazônica, entre outras, agradece - vai que você está consumindo madeira ilegal?!);&lt;br /&gt;* o mesmo zelo para a carne que você consome (a pecuária é a principal causa do desflorestamento da Amazônia -com a derrubada da floresta e as conseqüentes queimadas para "limpar" as áreas destinadas ao pasto);&lt;br /&gt;* deixar mais o carro na garagem e utilizar transporte coletivo (se ele for ruim, exija que ele seja melhor, afinal, os automóveis - cinco milhões só na cidade de São Paulo! – são responsável por toneladas de poluentes lançados diariamente na atmosfera. Bicicletas também são boas alternativas, e caronas bem-vindas);&lt;br /&gt;* reciclar! -use produtos reciclados, reutilize outros...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proibir grandes carros ou enormes caminhonetes pesadas de uso pessoal urbano com alto consumo de gasolina, incentivar o álcool nos carros "flex fuel" e estimular o uso do transporte coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fundamental a conscientização da pessoas para o uso racional recursos energéticos (e também dos hídricos) do planeta. É a conscientização faz parte de um dever ético de reduzir o "nosso"&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[12]&lt;/span&gt; impacto -baseados no "nosso" padrão de consumo- no planeta. Algo que mantenha as esperanças de termos uma Terra ao menos habitável no futuro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, idéias não faltam. O que falta mesmo é vontade política de todos nós. Até porque, durante a década de 1980, a questão do &lt;strong&gt;buraco na camada de ozônio&lt;/strong&gt; conseguiu sensibilizar os poderosos do planeta e teve um relativo sucesso em sua resolução, embora sua recuperação demande décadas&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[13]&lt;/span&gt;...&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[1]&lt;/span&gt; Ver &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0302200708.htm" target="_blank"&gt;matéria da Folha de S.Paulo&lt;/a&gt; sobre mitigação do aquecimento global. &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Folha de S.Paulo&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, 3 de fevereiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[2]&lt;/span&gt; Ver revista Science &lt;a href="http://www.sciencemag.org/cgi/content/short/310/5752/1313/" target="_blank"&gt;1 (em inglês)&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/310/5752/1317/" target="_blank"&gt;2 (em inglês)&lt;/a&gt; sobre análise feita por pesquisadores europeus de uma coluna de gelo de mais de 2 mil metros (onde ficaram presas amostras microscópicas do ar ao longo da história), tirada da Antártida, a qual provou que o nível atual do CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; é de 380 partes por milhão, índice 27% mais alto que o outro pico do período. &lt;a href="http://www.sciencemag.org/" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Science&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, 25 de novembro de 2005.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[3]&lt;/span&gt; Ver &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/1/shared/bsp/hi/pdfs/30_10_06_exec_sum.pdf" target="_blank"&gt;Relatório Stern (em inglês)&lt;/a&gt;. &lt;em&gt;Nicholas Stern&lt;/em&gt;, 30 de outubro de 2006.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[4]&lt;/span&gt; A Austrália, que não ratificou Kyoto, vai perder A Grande Barreira de Coral até 2030. A &lt;em&gt;Barrier Reef&lt;/em&gt; (em inglês) contém a maior coleção de atóis de corais do mundo e foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1981. Os corais são tidos como "florestas marinhas", por serem essenciais no ecossistema marinho. Outra notícia relacionada ao clima é o anúncio do governo australiano de que a população do Estado de Queensland vai terá em breve de beber água contendo esgoto reciclado. Ver matérias &lt;a href="http://www.theage.com.au/news/National/Howard-blasted-over-Barrier-Reef-report/2007/01/30/1169919311290.html" target="_blank"&gt;1 (em inglês)&lt;/a&gt; (sobre corais), &lt;a href="http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1379268-EI299,00.html" target="_blank"&gt;2 (em português)&lt;/a&gt; (sobre corais) e &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2007/01/070129_australiaaguag.shtml" target="_blank"&gt;3 (em português)&lt;/a&gt; (sobre água para consumo reciclada do esgoto). &lt;a href="http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1379268-EI299,00.html"&gt;&lt;em&gt;The Age&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, 30 de janeiro de 2007; &lt;em&gt;&lt;a href="http://noticias.terra.com.br/ciencia"&gt;Terra&lt;/a&gt; (ciência)&lt;/em&gt;, 30 de janeiro de 2007; &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/"&gt;BBC Brasil&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, 29 de janeiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[5]&lt;/span&gt; O Protocolo de Kyoto dividiu os países em dois Anexos: um grupo de países (ao qual chamei "desenvolvidos", mas que são na realidade integrantes da &lt;a href="http://www.oecd.org/" target="_blank"&gt;Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico&lt;/a&gt; e alguns países ex-comunistas da Europa) são os que possuem compromissos obrigatórios na redução de emissões de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;; os demais países não tinham compromissos, ao menos para a primeira etapa do protocolo.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[6]&lt;/span&gt; Ver &lt;a href="http://br.today.reuters.com/news/newsArticle.aspx?type=worldnews&amp;storyID=2007-02-02T103050Z_01_B822626_RTRIDST_0_MUNDO-CLIMA-MUDANCAS-RELATORIO-POL.XML" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Reuters (1)&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://br.today.reuters.com/news/newsArticle.aspx?type=worldnews&amp;amp;storyID=2007-02-02T103050Z_01_B822626_RTRIDST_0_MUNDO-CLIMA-MUDANCAS-RELATORIO-POL.XML" target="_blank"&gt;Reuters (2)&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2007/02/02/ult1806u5446.jhtm" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;France Presse&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, 02 de fevereiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[7]&lt;/span&gt; Em declaração à &lt;em&gt;Folha de S.Paulo&lt;/em&gt;, Roberto Schaeffer, economista brasileiro que integra grupo de estudos do IPCC, explica que a &lt;em&gt;"razão desse potencial, de maneira geral, é que a infra-estrutura desses países ainda não foi totalmente construída. Quem ainda está por fazer usinas e indústrias ainda tem a opção de escolher tecnologias mais limpas. Para quem já tem tudo instalado, fica mais difícil"&lt;/em&gt;. Ver matéria do tópico [1].&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[8]&lt;/span&gt; Ver &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15481.shtml"&gt;matéria&lt;/a&gt; do relatório &lt;a href="http://www.worldenergyoutlook.org/2006.asp" target="_blank"&gt;World Energy Outlook 2006&lt;/a&gt;, que aponta a China como maior poluidora do mundo em 2009. &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.folha.uol.com.br/" target="_blank"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, 8 de novembro de 2006.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[9]&lt;/span&gt; Começam a falar de "vantagens econômicas" para empresas, que viriam a lucrar por serem "comprometidas" com o meio ambiente e coisas do gênero. Ou ainda possíveis beneficiadas, como &lt;em&gt;resseguradoras&lt;/em&gt; (as seguradoras das seguradoras) que, de acordo com alguns analistas, deverão enfrentar riscos financeiros de eventuais catástrofes climáticas.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;strong&gt; "No longo prazo, estaremos todos mortos"&lt;/strong&gt; ("&lt;em&gt;In the long run, we're all dead&lt;/em&gt;") é uma frase célebre do economista britânico &lt;a href="http://www.econlib.org/LIBRARY/Enc/bios/Keynes.html" target="_blank"&gt;John Maynard Keynes&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[11]&lt;/span&gt; Ver &lt;a href="http://www.greenpeace.org.br/energia/?conteudo_id=3099&amp;amp;sub_campanha=0" target="_blank"&gt;matéria&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.greenpeace.org.br/energia/pdf/cenario_brasileiro.pdf" target="_blank"&gt;relatório&lt;/a&gt; do Greenpeace, respostas a divulgação da primeira parte do relatório do 4º IPCC. &lt;a href="http://www.greenpeace.org.br/" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Greenpeace&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, 02 de fevereiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[12]&lt;/span&gt; O pronome foi usado propositalmente entre aspas, uma generalização necessária. Mas sabemos dos níveis distintos de consumo no mundo.&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[13]&lt;/span&gt; Ver &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u10285.shtml" target="_blank"&gt;matéria&lt;/a&gt; sobre recuperação da camada de ozônio. &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.folha.uol.com.br/" target="_blank"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, 9 de outubro de 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;Leia também:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;a style="FONT-STYLE: italic" href="http://oreverso.blogspot.com/2007/02/duvido.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;* &lt;a style="FONT-STYLE: italic" href="http://oreverso.blogspot.com/2007/02/quanto-tempo-ainda-iremos-perder.html" target="_blank"&gt;quanto tempo ainda iremos perder?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-2484079310604651537?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/2484079310604651537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=2484079310604651537&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/2484079310604651537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/2484079310604651537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/02/custos-e-sacrifcios-pela-terra.html' title='aquecimento global 2: custos e sacrifícios pelo planeta...'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-117052456223381025</id><published>2007-02-02T15:40:00.000-02:00</published><updated>2007-02-27T12:16:56.064-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>quanto tempo ainda iremos perder?...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por renato brandão; fotos &lt;a href="http://www.greenpeace.org.uk/" target="_blank"&gt;Greenpeace Reino Unido&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"O aquecimento do sistema do clima é inequívoco e agora se torna evidente, a partir de observações de acréscimos nas temperaturas globais médias do ar e do oceano, derretimento disseminado de neve e gelo e elevação do nível médio global do mar."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Quarto relatório do IPCC sobre mudanças climáticas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos segundos o homem ainda perderá? Está é a pergunta que muitos se fazem diante das conclusões da primeira parte do resumo (chamado "Resumo para os Formuladores de Políticas") divulgado hoje, sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007, em Paris (França) que sintetiza o relatório do 4º Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas &lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[1]&lt;/span&gt; (IPCC, do inglês &lt;i&gt;Intergovernmental Panel on Climate Change&lt;/i&gt;), da Organização das Nações Unidas (ONU)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o primeiro de um conjunto de quatro relatórios, elaborados por 2.500 cientistas, de 130 países, sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global do planeta Terra. Um segundo relatório será divulgado em abril e dirá o que deveremos fazer para nos adaptarmos às mudanças em curso e um terceiro trará sugestões para frearmos a velocidades destas mudanças. O grande mérito trazido por este informe é que, de agora em diante, a questão climática não será tratada como um assunto de âmbito de cientistas e ambientalistas, mas também ganhará espaço entre políticos e sociedades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dúvidas que os cientistas tinham no estudo anterior (de 2001) praticamente se dissiparam neste quarto painel do IPCC &lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[2]&lt;/span&gt;, que traça cenários desalentadores sobre o futuro da Terra, caso os tomadores de decisão (Estados-nação, políticos e corporações) e a sociedade não adotem medidas extremamente urgentes e adequadas para salvar o planeta....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/1600/680318/greenpeace2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/200/502885/greenpeace2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A começar, uma das conclusões mais inquietantes do documento é de que não importa o que façamos daqui para frente, o planeta Terra sofrerá, por centenas de anos, os efeitos do modelo de desenvolvimento baseado na queima de combustíveis fósseis [petróleo, carvão mineral] e na emissão de gases do efeito estufa [como dióxido de carbono (CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;) e metano (CH&lt;sub&gt;4&lt;/sub&gt;)], derivados destes combustíveis minerais. Inevitável! Não é mais possível reverter completamente o aumento do aquecimento global, nem que reduzamos as emissões de gases na baixa atmosfera, o aquecimento global e o aumento do nível dos oceanos vão perdurar por séculos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há conhecimento ou tecnologia que possa frear estas mudanças. Mesmo com esforços gigantescos que deveremos fazer, a partir de já (!), estes servirão apenas para evitar uma catástrofe futura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem ama o planeta e luta por sua preservação, foi uma conclusão muito dura. Mas não é momento de desanimar. É preciso seguir na batalha contra os "inimigos da Terra"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Adivinhe de quem é a culpa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Chamado pelos cientistas como &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;a href="http://www.ipcc.ch/SPM2feb07.pdf" target="_blank"&gt;AR4&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; (da sigla em inglês), o relatório não deixa mais dúvidas sobre quem é o culpado pela aceleração do aquecimento global na Terra. Os especialistas do IPCC consideram como "muito provável" [têm mais de 90% de certeza] que as mudanças de climas são resultado da ação do homem. Impossível haver mais certeza do que isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou claro que as atividades humanas baseadas na queima de derivados de combustíveis fósseis são as maiores responsáveis pelas mudanças climáticas em curso no planeta, pois agravam o efeito estufa. Devido a grande quantidade destes gases lançados na baixa atmosfera, o fenômeno do aquecimento global continuará por centenas de anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1990, foram despejados na atmosfera 6,4 bilhões de toneladas CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; por termelétricas, indústrias, agropecuária, desmatamentos e veículos. Já nos primeiros anos do novo século, o número cresceu para 7,2 bilhões. O AR4 assinala que onze dos últimos 12 anos foram os mais quentes desde que se mede a temperatura do planeta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quadro preocupante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desde o período pré-industrial, a temperatura média do planeta já subiu 0,76ºC. Nos últimos 50 anos, aumentou entre 0,6ºC a 0,7ºC. Nos próximos 20 anos, será acrecido mais 0,4ºC. E até 2100, se forem grandes os esforços para redução de gases na atmosfera, a temperatura subirá pelo menos mais 1,8ºC. Caso contrário, a elevação será ainda maior, de até 4,6ºC. E em um cenário mais dramático, 6,4ºC a mais, caso a atmosfera continue a ser um dos depósitos de lixo da atividade humana (detalhe: desde a era do Gelo, a temperatura na Terra subiu 5ºC)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só a temperatura média na atmosfera ficará quente, como também dos oceanos. Se no século passado, o nível do mar subiu 17 cm (principalmente após 1993), a elevação será de 18 a 59 cm até o final do atual. O relatório não descarta valores maiores para os próximos séculos, e os cientistas afirmaram ainda ser impossível apresentar uma estimativa melhor do aumento do nível do mar, pela falta de compreensão sobre as camadas de gelo que cobrem a Antártida e a Groenlândia. Mas se a camada de gelo da Groenlândia derreter completamente, o nível dos oceanos poderá subir mais 7 metros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não restam dúvidas de que os mais pobres pagarão mais caro na hora do clima vir cobrar a conta. Como algumas ilhas do planeta, o arquipélago de Kiribati &lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[3]&lt;/span&gt; desaparecerá dos mapas. Seus cerca de 100 mil habitantes terão de procurar outro país para viver. Eles farão parte de uma nova categoria de refugiados no mundo, os "refugiados do clima". "&lt;em&gt;A questão é: o que podemos fazer agora? Há pouquíssimo que podemos fazer para parar este processo&lt;/em&gt;", alertou Anote Tong, presidente do arquipélago, para a &lt;a href="http://br.today.reuters.com/news/newsArticle.aspx?type=worldnews&amp;storyID=2007-02-02T193215Z_01_B322703_RTRIDST_0_MUNDO-CLIMA-HUMANIDADE-CAUSOU-POL.XML"&gt;Agência Reuters&lt;/a&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Áreas costeiras e superfícies férteis também desaparecerão. A disponibilidade de água potável diminuirá consideravelmente nas regiões aonde os recursos hídricos já não são abundantes. A elevação das temperaturas médias no planeta tornará mais freqüentes e intensos ondas de calor, secas, tempestades e inundações. Por mais de um milênio. E haverá mais refugiados do clima migrando (se puderem) pelo planeta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doenças como malária, dengue e diarréia tendem a aumentar onde já existem, pois o aquecimento reduz mais as diferenças de temperatura entre inverno e verão, facilitando a reprodução de insetos vetores de doenças (e aves que terão de mudar suas rotas migratórias poderão espalhar mais doenças). Não é o fim do planeta, mas certamente será um mundo mais difícil para minha (e as próximas gerações) viver. Felizmente ou não, a espécie humana poderá se adaptar as novas circunstâncias, especialmente os mais favorecidos do sistema...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/1600/75916/greenpeace.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/200/251399/greenpeace.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas outros ecossistemas da Terra não terão a mesma habilidade. Estima-se que até 50% da fauna e da flora terrestres serão extintas. O Ártico como o conhecemos está com suas décadas contadas. A área, que já perdeu nos últimos 40 anos mais de 40% de suas geleiras. E em um verão, todo o gelo da região ártica desaparecerá para sempre. É um desastre para quem admira a beleza e a diversidade do local, a qual pude ver em filmes e documentários como o canadense &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.bacfilms.com/site/planeteblanche/" target="_blank"&gt;O Planeta Branco&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. O homem destruirá o habitat do urso polar -a neve. Não sobrará nenhum sequer. Nenhum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demora esperada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não surpreende que se tenha levado tanto tempo para se fechar este consenso sobre as responsabilidades do homem nas mudanças do clima, afinal as pressões para que a verdade não fosse difundida eram fortes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só nesta semana, há casos emblemáticos. Em depoimento no senado dos Estados Unidos, durante esta semana, pesquisadores estadunidenses acusaram a administração George W. Bush de forçar metade dos pesquisadores federais do país a não usarem em seus estudos os termos "aquecimento global" e "mudanças climáticas"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Casa Branca também já foi acusada, inclusive pelo próprio ex-vice-presidente Al Gore, de manipular relatórios da agência de meio-ambiente do país...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no dia em que o relatório foi divulgado, o jornal britânico &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/" target="_blank"&gt;The Guardian&lt;/a&gt; fez reportagem &lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[4]&lt;/span&gt; que acusa o governo de W. Bush, por meio de uma empresa de lobby, de oferecer US$ 10 mil a cientistas e economistas para que criticassem em artigos o AR-4, enfatizando defeitos e o chamando de "superficial" e de "distorcer dados científicos"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empresa de looby é a conservadora &lt;a href="http://www.aei.org/" target="_blank"&gt;American Enterprise Institute&lt;/a&gt;, financiada pela &lt;a href="http://www.exxonmobil.com/" target="_blank"&gt;ExxonMobil&lt;/a&gt; -a maior empresa petrolífera do mundo e estreitamente ligada à administração Bush. E segundo a reportagem do Guardian, mais de 20 integrantes da AEI já trabalharam como consultores do governo estadunidense! e os &lt;em&gt;lobbistas&lt;/em&gt; receberam mais de US$ 1,6 milhão da ExxonMobil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/1600/15550/logo_exxonmobil.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/200/868061/logo_exxonmobil.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A corporação -que aliás se manifestou &lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[5]&lt;/span&gt; nesta sexta-feira a respeito do relatório da ONU-, no mesmo dia divulgou &lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[6]&lt;/span&gt; seu o balanço no ano de 2006: US$ 39,5 bilhões de lucro! Trata-se do maior lucro da história do capitalismo! &lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;[7]&lt;/span&gt; Não deixando de mencionar que o recorde anterior pertencia a própria corporação (US$ 36,1 bilhões em 2005)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rival da Exxon, a Shell, também teve o maior lucro de sua história, com mais de US$ 25 bilhões. Com este montante, você acredita que será possível que os países cheguem a um consenso para as fundamentais reduções das emissões de poluentes?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão moral&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Muitíssimo mais que uma questão ambiental, econômica e política, salvar o planeta é uma questão ética: se nós conhecemos quais são as causas do aquecimento global, e se isso tem relação com as escolhas que nós fazemos no cotidiano, insistir no erro significa desprezar a vida, os ecossistemas e a própria civilização; persistir no erro significa ignorar a chance que temos de corrigir o rumo das alterações causadas pelo homem e seu modelo de desenvolvimento baseado na queima de combustíveis fósseis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os efeitos do aquecimento global vão durar por centenas de anos e os gigantescos esforços que devemos fazer a partir de já (!!!) serão apenas para evitar uma catástrofe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos segundos ainda perderemos?...&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-size:85%;" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver &lt;a href="http://www.ipcc.ch/SPM2feb07.pdf" target="_blank"&gt;o relatório completo em inglês no formato&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:85%;" &gt;IPCC&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 2 de fevereiro de 2007.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-size:85%;" &gt;[2] &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O texto integral do quarto relatório será divulgado por partes até novembro deste ano. A capital francesa recebeu durante esta semana um grupo de mais de 500 especialistas que produziriam o sumário executivo divulgado hoje (2 de fevereiro) em Paris. O relatório do 4º Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU é um dos trabalhos mais completos sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global já realizado. Foi produzido por um comitê de 2.500 cientistas e representantes de 130 países, ao longo de seis anos. O relatório deste ano não alterou significativamente as projeções do documento de 2001, mas os dados do quarto painel são mais detalhados e precisos do que o de seis anos. Além disso, o documento traz mais consensos dos cientistas a respeitos das mudanças climáticas e sobre quem o causou. E sua receptividade (e a preocupação internacional com as mudanças climáticas) é muito maior hoje do que nos anos anteriores. Criado pela ONU e a Organização Meteorológica Mundial em 1988, o comitê do IPCC divulga relatórios (divididos em fases) a cada cinco ou seis anos, que tem como objetivo alertar os países sobre as mudanças climáticas do planeta. Resta saber se este quarto informe dos especialistas estimulará governos, corporações e pessoas comuns a tomarem medidas para evitar que nosso futuro seja parece perigoso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-size:85%;" &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kiribati" target="_blank"&gt;República de Kiribati&lt;/a&gt; é um arquipélago situada na zona central do Oceano Pacífico, a nordeste da Austrália, integrado por 33 atols. &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:85%;" &gt;Wikipedia&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 2 de fevereiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-size:85%;" &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/international/story/0,,2004230,00.html" target="_blank"&gt;matéria&lt;/a&gt; do jornal britânico Guardian sobre a tentativa da Casa Branca de desqualificar o relatório do IPCC. &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:85%;" &gt;The Guardian&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 2 de fevereiro de 2007.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-size:85%;" &gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver &lt;a href="http://www.exxonmobil.com/Corporate/Newsroom/NewsReleases/corp_nr_mr_climate_ipcc.asp" target="_blank"&gt;informe&lt;/a&gt; da Exxon sobre o relatório do IPCC. &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:85%;" &gt;ExxonMobil&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 2 de fevereiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-size:85%;" &gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://home.businesswire.com/portal/site/exxonmobil/index.jsp?epi-content=GENERIC&amp;newsId=20070201005687&amp;amp;ndmHsc=v2*A1104584400000*B1170573347000*C4102491599000*DgroupByDate*J2*N1001106&amp;newsLang=en&amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;amp;beanID=2030803304&amp;amp;viewID=news_view" target="_blank"&gt;informe&lt;/a&gt; da ExxonMobil sobre seus lucros em 2006. &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:85%;" &gt;ExxonMobil&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 2 de fevereiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-size:85%;" &gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver matérias sobre lucro da Exxon nos portais &lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL3596-5600-1437,00.html" target="_blank"&gt;G1&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/2007/02/01/ult1767u85588.jhtm" target="_blank"&gt;UOL&lt;/a&gt;, de 1 de fevereiro de 2007, e &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0202200722.htm" target="_blank"&gt;Folha de S.Paulo&lt;/a&gt;, de 2 de fevereiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-117052456223381025?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/117052456223381025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=117052456223381025&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/117052456223381025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/117052456223381025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/02/quanto-tempo-ainda-iremos-perder.html' title='quanto tempo ainda iremos perder?...'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116804481266751968</id><published>2007-01-10T22:41:00.000-02:00</published><updated>2007-02-16T11:36:20.646-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Daniela Alarcon'/><title type='text'>entrevista com o zeroquatro (1)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;daniela alarcon, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;maurício reimberg, rafael sampaio e raoni maddalena&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/1600/362511/zeroquatro1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 136px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 157px" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/200/267609/zeroquatro1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Fred Zeroquatro, líder da banda Mundo Livre S/A, fala sobre o novo projeto do grupo, que ainda não tem data para ser lançado. O nome já está definido, assim como a imagem de capa. “A coletânea vai se chamar &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Combatsamba: Doze Anos Assaltando o Trem das Onze&lt;/span&gt;”, revela Zeroquatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O álbum Combatsamba será composto de canções como &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Meu Esquema, Super Homem Plus, Negócio do Brasil, Loirinha Americana &lt;/span&gt;e&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; Samba Esquema Noise&lt;/span&gt;, sempre no estilo rítmico que marca muitas músicas da banda: o samba-canção. O novo projeto do Mundo Livre, entretanto, tem um problema maior a vencer: a resistência das gravadoras multinacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vocalista informa que a banda tem pensado em lançar uma coletânea há algum tempo. “Já conversamos com uma gravadora. Estamos esperando que o nosso selo, o Ôia Records, fique mais estruturado para ter uma distribuidora que banque o trabalho”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta entrevista concedida aos membros do Reverso, Fred Zeroquatro, além de falar do novo trabalho a ser lançado em breve, faz um inventário do movimento mangue beat desde que foi lançado até os dias atuais e traça um balanço da nova cena musical pernambucana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Reverso&lt;/span&gt; - Qual o novo projeto do Mundo Livre S/A?&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Fred Zeroquatro&lt;/span&gt; - Estamos numa briga para lançar uma coletânea com fonogramas dos primeiros discos, que estão fora de catálogo. Músicas dos álbuns: &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Samba Esquema Noise, Carnaval na Obra, Guentando a Ôia&lt;/span&gt;, que não conseguimos recuperar. Os fonogramas ainda são das gravadoras multinacionais e das editoras que distribuíram na época. Porque quando você está fora das panelinhas das grandes gravadoras, eles dificultam mais para liberar os fonogramas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coletânea vai se chamar "&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Combatsamba: Doze Anos Assaltando o Trem das Onze&lt;/span&gt;". Temos o conceito de capa. Queremos faixas como S&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;amba Esquema Noise, Free World, Ultrapassado, Negócio do Brasil, Super Homem Plus, Loirinha Americana&lt;/span&gt;. Queremos músicas que sejam sambas politizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns sambas, também, do álbum Manuela Rosário e tem que entrar Soy Loco por Sol. Já conversamos com uma gravadora. Estamos esperando que o nosso selo, o Ôia Records, fique mais estruturado e que consigamos uma distribuidora que banque o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 2001, vemos que o caminho é ter completo controle sobre a nossa obra. Se o Mundo Livre for gravar um disco ao vivo ou um DVD, vai ter que ser com músicas desde o Manuela Rosário porque não temos controle dos fonogramas produzidos antes, estão todos sob controle das gravadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;RVS&lt;/span&gt; – O mangue beat morreu?&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;FZ&lt;/span&gt; - Críticos que eu admiro, do Rio de Janeiro e de São Paulo, chegaram a anunciar o fim do mangue beat, em frases como: “todo o potencial da cena musical de Recife morreu naquele acidente com Chico [Science]”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, nós do Mundo Livre soltamos um manifesto na internet chamado “Quanto vale uma vida?”, em que explicamos a precipitação desses críticos e colunistas, que mostra o quanto eles desconhecem o circuito musical complexo de Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu comparo o que aconteceu [ao Chico Science] com o destino de Bob Marley e Peter Tosh na Jamaica. Da mesma forma, Science tornou-se uma espécie de ícone, de mártir. E toda aquela galera que acompanhou o início da cena musical de Recife sentiu-se cúmplice dele, em uma espécie de guerrilha, uma revolução. Algo no sentido mais cultural, cuja marca é a renovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;RVS&lt;/span&gt; - Segundo o DJ Dolores, “o mangue beat morreu quando a imprensa foi atrás de novidades”. Você pensa dessa forma?&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;FZ&lt;/span&gt; - Esse tipo de polêmica com o DJ Dolores criou um clima de isolamento. Ele começou a perder diálogo com todo mundo em Pernambuco. O primeiro clipe do Mundo Livre S/A foi dirigido por ele. Somos amigos desde a época de punk rock. Mas o Dolores sempre foi de muitas polêmicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia diz que a “nova geração” não liga para Pernambuco. Mas, desde o início do nosso grupo, não levantamos a “bandeira de Pernambuco”, nem tocamos tambor de maracatu. Na verdade, a gente tem um vínculo maior com o samba do que o maracatu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;RVS&lt;/span&gt; - Mas a cena musical pernambucana já foi apelidada pela mídia de pós-mangue...&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;FZ&lt;/span&gt; - É a necessidade da mídia em ter o novo. Tentaram vender a tese de que novas bandas não têm a influência do mangue beat. A gente achou isso esquisito. Só que, recentemente, passamos a encontrar mais os membros das bandas novas, porque começaram a tocar em festivais maiores. Para a minha surpresa, eles vem me falar de Chico Science.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal do Mombojó me disse: “A gente tirava som do Mundo Livre toda hora na garagem”. A imprensa tenta alimentar polêmica, porque cria assunto. Desde o início, o mangue beat é a diversidade, sempre foi. No primeiro disco da nossa banda havia hardcore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mundo Livre S/A nunca precisou tocar tambor. Aliás, sofremos pressão da gravadora no nosso primeiro disco, dizendo: “Vocês tem um contrato na hora que quiserem, mas tem que botar um tambor, isso e aquilo”. E o grupo recusou, entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo fizemos dez anos de manifesto, dez anos do primeiro disco. Pela primeira vez surge um movimento musical que não é um movimento. Um gênero musical que não é gênero. Um manifesto que não é manifesto. É um release. E ao mesmo tempo colocou uma cidade [Recife] no mapa da música pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;RVS &lt;/span&gt;– Vocês sofreram algum tipo de cerceamento da imprensa por causa desta postura libertária que sempre assumiram?&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;FZ&lt;/span&gt; - Nós, do Mundo Livre S/A, somos boicotados pelos meios de comunicação de Recife, pelas rádios e até pela TV Universitária. A despeito disso, o público não pára de crescer e hoje os filhos da primeira geração [do mangue beat] continuam indo aos nossos shows.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um pouco parecido com o que houve na Jamaica e com o que aconteceu em Salvador depois da Tropicália. Você acha que se Gilberto Gil houvesse sofrido uma morte trágica na década de 60, teria deixado de existir os Novos Baianos? Não, porque a Tropicália é uma coisa que mexeu com o inconsciente coletivo de toda uma geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;RVS&lt;/span&gt; – O que há de novo na cena pernambucana?&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;FZ &lt;/span&gt;- O Mundo Livre S/A tem mais contato com as bandas que estão emergindo. Há uma banda cujo disco atual foi produzido pelo nosso baixista, o Areia, e que já está no segundo álbum. O nome da banda é Maciel Salu e o Terno no Terreiro, que é inacreditável. O ano passado eu subi no palco durante o show deles no Sesc Pompéia. É ótimo em termos de sonoridade e de show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da cena underground de Recife, tem o grupo Variante, que é uma coisa mais moderna, puxando pro dub, pro ska. O Coquetel Molotov é um coletivo de produtores, que tem programas de rádio, selo de álbuns, festivais, revistas. São jovens universitários que dominam totalmente a técnica para mobilizar o público, para realizar shows, captar recursos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O Coquetel Molotov tem uma curadoria fantástica. A revista é linda, a melhor que eu já vi.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; Muitas bandas de Recife&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; estão vinculadas a estes produtores. Tem o Rádio de Outono, tem o Superoutro, tem o grupo Volver. São muitas bandas na cena musical recifense. Tem uma, que eu gosto muito, chamada Azabumba, que logo vai chamar a atenção&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/1600/815712/zeroquatro.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; WIDTH: 121px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 156px" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/200/170878/zeroquatro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; da mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma cena undergound na capital e no interior de Pernambuco, dividida em estilos, como hip-hop e o choro. Do&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; interior do estado, eu destacaria a banda Sangue de Barro. No caso do samba e do choro, da musica instrumental, eu destacaria a banda Choro Brasil, que lançou recentemente um disco com a cantora recifense Mônica Feijó, produzido&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; também pelo nosso baixista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há circuitos fortes em Recife de acordo com o estilo. Há blues, jazz, samba, choro. Se eu nomear mais bandas, vou acabar sendo injusto com muita gente. Há uma segunda geração depois da nossa, muito boa, que continua com o mesmo estilo e não é “pós-mangue-beat”. São bandas como Eddie, Bonsucesso Samba Clube, o ex-vocalista do Jorge Cabeleira, chamada&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; Itacarina, que lançou disco agora... &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116804481266751968?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116804481266751968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116804481266751968&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116804481266751968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116804481266751968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/01/entrevista-com-o-zeroquatro-1.html' title='entrevista com o zeroquatro (1)'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116795479275126246</id><published>2007-01-07T21:44:00.000-02:00</published><updated>2007-02-16T11:40:28.214-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>barbaridade?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um dos sobreviventes daquele ônibus da Itapemirim queimado no Rio de Janeiro disse, em entrevista à Globo, que os criminosos responsáveis pelo incêndio foram embora como se nada tivesse acontecido, frios, impassíveis. Não é demais lembrar que sete pessoas morreram carbonizadas no episódio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Antes de engrossar o coro dos especialistas, governantes, autoridades e cidadãos comuns que pedem &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;pulso firme&lt;/span&gt; e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;mão forte&lt;/span&gt;, acredito que mais urgente, eficiente e necessário é pensar um pouco a realidade das pessoas responsáveis por tal ato, brutal e desumano a nossos olhos. Sim, aos nossos olhos. Porque no deles, na cabeça dos facínoras (para usar a expressão do presidente Lula), certamente não existiu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; brutalidade em atear fogo num ônibus de turismo e queimar sete pessoas inocentes até a morte. Ou existiu &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;– e eles estão pouco se lixando pra isso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; Talvez porque esses jovens nasceram e cresceram na periferia, talvez porque a realidade da periferia não seja, digamos, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;suave&lt;/span&gt; como a nossa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Certamente esses jovens já se chocaram com a morte tanto quanto (ou mais do que) nós com esse último ataque do crime organizado. Nos chocamos porque é uma das primeiras vezes que vemos coisas do tipo – vimos também em São Paulo, nos idos de maio. Eles, eles não. Já se cansaram de perder amigos e conhecidos na guerra silenciosa que mata muita gente nos recantos mais afastados da periferia – pelas mãos da polícia, do tráfico ou de cidadãos comuns que estreiam no crime para vingar adultérios, brigas mal resolvidas, jogos de futebol, enfim, casos banais que poderiam ser solucionados de muitas outras formas se não houvesse uma arma de fogo na parada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;É de conhecimento público: as vítimas preferenciais de homicídios no país são jovens de 15 a 24 anos, negros, pobres, moradores da periferia. Desta forma, não podemos simplesmente esperar, do alto de nossa inclusão social, que os jovens absorvidos pelo tráfico tenham visões semelhantes de brutalidade. Mesmo porque o jovem da favela foi criado numa realidade brutal o tempo todo, quando levou a primeira geral violenta da PM, quando o pai foi despedido do subemprego, quando o primo bateu na mulher, quando o vizinho foi encontrado morto com 12 tiros na cabeça do lado da porta de casa, quando o irmão foi preso, enfim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Portanto, é muito fácil sair por aí garganteando que queimar ônibus e carbonizar inocentes é uma barbaridade sem fazer essa diferenciação. É um crime hediondo, claro que é. Mas, para quem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Antes de mudar a legislação, consolidar o Regime Disciplinar Diferenciado, pregar a pena de morte ou tipificar o crime de terrorismo no Código Penal, bem antes, talvez seja melhor começar a prestar mais atenção no outro Brasil, naquele que não aparece na televisão. Ou que só aparece quando acontecem essas... &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;barbaridades&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116795479275126246?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116795479275126246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116795479275126246&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116795479275126246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116795479275126246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2007/01/barbaridade.html' title='barbaridade?'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116656488462781860</id><published>2006-12-19T19:44:00.000-02:00</published><updated>2007-02-16T21:01:32.698-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>a ilha que os muros não separam</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Universidade de São Paulo nunca foi nem deve ser uma ilha, um espaço imune às mazelas da sociedade. Quem convive no campus do Butantã, por exemplo, convive com pobreza, desigualdade, violência, congestionamentos e até alagamentos pelo simples fato de estar dentro da cidade de São Paulo. O Jardim São Remo e suas condições precárias de moradia estão ao lado; a criminalidade se reflete em ocorrências que vão desde pequenos furtos até estupros e assassinatos &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[1]&lt;/span&gt;; catadores de latinha trabalhando de madrugada contrastam com estudantes em festa; o fluxo de veículos é intenso e atravanca o trânsito nos horários de pico; chuvas intensas transbordam o córrego Pirajussara e inviabilizam a locomoção na universidade &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[2]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Polícia Militar também está presente no campus, talvez, agora, mais do que nunca. As mesmas viaturas da Força Tática que reprimem movimentos sociais no campo e na cidade sufocam as manifestações de estudantes, professores e servidores, dentro e fora da Cidade Universitária. Foi assim no ano passado, na luta por mais verbas para a educação&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt; [3]&lt;/span&gt; e nos protestos contra as eleições indiretíssimas para reitor &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[4]&lt;/span&gt;. A PM bate em sem-tetos, sem-terras e estudantes quando se exprimem politicamente. Todos são detidos e processados por vandalismo quando exercem sua liberdade de expressão nas ruas ou muros dentro e fora do campus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt; deu espaço no dia 18 de dezembro para o caso de dois estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) que estão respondendo criminalmente por escreverem mensagens políticas na parede do prédio da Letras e no asfalto. A pichação anunciava um ato contra o governo Lula marcado para acontecer em Brasília no dia 17 de agosto de 2005 &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[5]&lt;/span&gt;. As tintas diziam apenas, em vermelho, “Brasília 17”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudantes desta mesma FAU sofreram com um decreto da diretoria da unidade, que decidiu proibir festas noturnas no local sem maiores discussões. Se andarmos um pouco mais pelo campus e chegarmos ao prédio da História e Geografia, saberemos que uma rádio livre e experimental foi fechada pela Polícia Federal bem ali &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[6]&lt;/span&gt;. E que, em nome da “segurança” dos estudantes, um grupo de alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) simplesmente impediu a entrada de catadores de latinha numa festa gratuita, realizada em espaço público e a céu aberto. Impediu até mesmo os estudantes de atitudes banais, que sempre fazem, como subir em árvores ou no teto do autogestionado Canil. Tudo neste ano, dentro dos muros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, cada caso desses representa a usurpação do espaço público e da liberdade no campus, seja pela administração do universidade, seja pelos próprios (quem diria!) estudantes. O desrespeito é patente e mostra que o senso crítico e o desejo pela construção de um mundo mais justo definitivamente foram abandonados por parte considerável da comunidade universitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste e revoltante assistir à universidade se fechando cada vez mais &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[7]&lt;/span&gt; e investindo em repressão para resolver a violência, enquanto poderia iniciar um processo de vigilância comunitária, com uma Guarda Universitária mais presente e treinada para prevenir a criminalidade ao invés de tentar reprimi-la. É triste e revoltante assistir à reitoria restringindo o acesso da comunidade &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[8]&lt;/span&gt; como medida para reduzir a violência enquanto poderia mesmo é abraçar de vez a pobreza que está no entorno através de projetos de extensão – para além, muito além dos cursos pagos. É triste e revoltante assistir a estudantes, colegas, impedirem a entrada de catadores de latinha numa festa, como se o fato de catar latinhas com um saco preto seja rótulo de criminalidade. É triste e revoltante, enfim, assistir à prisão, espancamento e condenação de estudantes que fizeram nada além de contestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A USP não é uma ilha ao passo que sofre com os mesmos problemas que afligem a sociedade. Isso não quer dizer, no entanto, que ela deva reproduzir as mesmas formas inúteis de combate a estes problemas. E não, não se trata de tratamento diferenciado ou privilégio. Não se afirma, aqui, que a PM deva permitir uma pichação só porque foi feita por um estudante da USP; ou que o choque não nos deva reprimir nas ruas porque estudamos na maior universidade pública do Brasil; ou ainda que temos o direito de fazer festa porque, afinal, fomos aprovados pela Fuvest.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A universidade é um ambiente de discussão – e, conseqüentemente, de contestação. É hora de repensar conceitos arraigados na sociedade ao invés de simplesmente reproduzi-los. A não ser que tenhamos a convicção de que eles estão conseguindo resolver os problemas. Não me parece. Portanto, vejo que é hora de reagir – e cada vez mais – ao que acreditamos ser uma restrição de nossa liberdade. “Nossa”, não de estudantes da USP, mas “nossa”, de cidadãos e seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cerco se fecha contra os que se opõe à ditadura do pensamento único, que, nos jargões acadêmicos, podemos chamar de burguês, pós-moderno e neoliberal. Enquanto reajusta em 15 por cento a passagem de ônibus na cidade &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[9]&lt;/span&gt;, agravando a exclusão social e dificultando o acesso à cidade, a Prefeitura investe 4,5 milhões de reais na reforma da Oscar Freire &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[10]&lt;/span&gt;. A maioria da população se cala e a PM tortura &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[11]&lt;/span&gt; um estudante que participou dos protestos no fim de novembro. E fica tudo por isso mesmo, com o salário-mínimo na casa dos 350 reais e o “subsídio” parlamentar ultrapassando o teto dos 24,5 mil &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[12]&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste também ver estudantes comemorando a condenação de colegas e dizendo que três meses de detenção é “pouco” para quem “depredou” o patrimônio público. Acho válido colocar uma questão sobre o ato de depredar. Acredito que apenas escrever mensagens políticas em muros e ruas e seja lá o que for, meios públicos, não se trata de depredação &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[13]&lt;/span&gt;. O lugar fica feio, não dá para mostrar para os pais, mas continua lá, cumprindo sua função de muro, sem nada quebrado, sem nenhum prejuízo. Lógico, muita gente não gosta (e tem direito de não gostar) das mensagens grafitadas ou do resultado final da intervenção. Fica feio. Mas levar descontentamentos estéticos para o Tribunal de Justiça é uma reação completamente descabida, ainda mais na USP conivente com cursos milionários ministrados em ambiente público para encher as burras de grupinhos intelectuais antenados com o mercado &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[14]&lt;/span&gt;. A máxima punição que poderia ser aplicada aos estudantes da FAU pegos em flagrante pela Guarda Universitária seria re-pintar o local em suas cores originais, o que já é horrível por forçar uma espécie de auto-repressão da manifestação política. Processo judicial, nem pensar. E isso a toda manifestação político-artística dentro e, sobretudo, fora da USP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso estar redondamente enganado – e qualquer advogado poderia muito bem rir da minha cara –, mas vejo diferenças absurdas entre “crime” e “desobediência civil”, porque esta última tem motivação política. Confundir as duas coisas é o que a polícia vem tentando fazer ultimamente com a clara intenção de incriminar os manifestantes e impedir sua atuação, em clara discordância com a democracia. A luta pelo Passe-Livre sofre com isso. Figuras do MPL de Floripa respondem judicialmente por formação de quadrilha, apologia ao crime e atentado aos serviços públicos essenciais &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;[15]&lt;/span&gt;. São alguns dos crimes cometidos pelo PCC, por exemplo, nos ataques de 2006. E os estudantes catarinenses, o que eles fizeram foi se manifestar continua e coletivamente, por mais de um mês, contra o reajuste das passagens de ônibus em 2004. O movimento venceu, mas esses militantes podem perder – sua primariedade judicial, quiçá sua liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, eu concordo plenamente que temos de assumir nossas atitudes e posições políticas. É mesmo o que temos de fazer se acreditamos no que dizemos. Mas acredito ser muito fácil diminuir colegas – que devem estar, no mínimo, assustados com uma condenação completamente injusta – por recorrer a um jornal burguês como a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt; diante da total falta de solidariedade do corpo estudantil, docente, funcional e da Reitoria, que deveriam sair em sua defesa, mas muitas vezes acabam fazendo o papel de algozes. Por mais que discordemos da tendência política à qual eles pertencem, que critiquemos seu vanguardismo ou seu desprezo pelas instâncias tradicionais da política universitária, não podemos nos esquecer que o companheiro e a companheira da FAU estiveram ao nosso lado nas marchas de 2005 por mais verbas e, neste ano, contra o aumento do ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão está além do sectarismo político que domina o movimento estudantil da USP. Estão em jogo muitas de nossas liberdades constitucionais e, pior, nosso direito de contestar as leis e apresentar outras visões sobre o mundo e o comportamento da sociedade. Eu cria na universidade pública como o espaço para aplicar novos conceitos, sempre em busca de mais democracia e menos injustiça. Mas vejo, depois de quatro anos, que o conservadorismo está em todos os lugares, até e principalmente no campus. E quem luta contra ele sofre as mesmas restrições, seja da PM, seja da Reitoria. Claro, eu já devia saber. Afinal, a USP não é uma ilha. &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://143.107.94.37/pdf/jc/2006/306.pdf"&gt;Violência invade o campus&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Jornal do Campus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, primeira quinzena de abril de 2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1103200608.htm"&gt;Chuva provoca 16 pontos de alagamento e coloca a capital em estado de atenção&lt;/a&gt;” . &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 11/03/2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://143.107.94.37/pdf/jc/2005/301.pdf"&gt;Violência paralisa Assembléia&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Jornal do Campus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, segunda quinzena de setembro de 2005. Ver também “&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1509200501.htm"&gt;Estudantes e PMs duelam em avenida&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 15/09/2005.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://143.107.94.37/pdf/jc/2005/304.pdf"&gt;Co define três possíveis reitores&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Jornal do Campus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, primeira quinzena de novembro de 2005.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://143.107.94.37/pdf/jc/2005/300.pdf"&gt;Marcha atrai alunos a Brasília&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Jornal do Campus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, primeira quinzena de setembro de 2005.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://143.107.94.37/pdf/jc/2006/312.pdf"&gt;Polícia Federal fecha Rádio Várzea&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Jornal do Campus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, segunda quinzena de agosto de 2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0408200612.htm"&gt;USP vai comprar câmeras e monitorar sua área externa&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 04/08/2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://143.107.94.37/pdf/jc/2006/312.pdf"&gt;Acesso ao campus é controlado&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Jornal do Campus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, segunda quinzena de agosto de 2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1711200618.htm"&gt;Ônibus sobe mais que o dobro da inflação&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 17/11/2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/12/368344.shtml"&gt;E a população arcando com o aumento&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Centro de Mídia Independente&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 10/12/2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=12955"&gt;Cresce repressão aos protestos contra aumento de passagens em São Paulo&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 28/11/2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1512200602.htm"&gt;Congressistas aumentam o próprio salário em 91%&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Folha de S. Paulo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 15/12/2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[13] &lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;De onde eu tirei a idéia (à primeira vista absurda) de que escrever “Brasília 17” num muro da FFLCH não é depredação? Bom, começando do começo, acredito que “depredação” é uma palavra muito forte e agressiva para designar a atitude de dar umas pinceladas numa parede branca. Depredar carrega o sentido de quebrar, devastar, causar algum prejuízo, inutilizar, dificultar o funcionamento, inviabilizar, enfim. Como todo mundo apela para o Aurélio, lá vou eu: depredar é “destruir, assolar, devastar, roubar, saquear, espoliar”. O significado, portanto, é bastante violento. E pode ser aplicado quando alguém queima uma lixeira pública, arrebenta pontos de ônibus, derruba placas de sinalização, esmigalha vidros de trens e metrô. O prejuízo causado é tamanho que o equipamento tem de ser substituído pelo governo, causando prejuízos ao erário público. Ou seja, o poder municipal, estadual ou federal empenhou ali uma verba que, além de ter sido pulverizada pela, aí sim, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;depredação&lt;/span&gt;, terá de ser novamente destinada para que o que foi destruído possa continuar cumprindo seu papel. Uma lixeira, um vidro, um sinal de trânsito devem ser recolocados, provocando gastos extras. Vejo que pichar um muro não traz as mesmas conseqüências. Um muro pichado ou bem pintado, branco ou com intervenções coloridas, chapiscado ou com pedras, enfim, a cor e a aparência de um muro não o impede de cumprir sua função de... muro: continua servindo a seu propósito de barreira física, impedindo a entrada ou saída de pessoas ou protegendo equipamentos, ambientes ou o que quer que se queira proteger – da chuva, do vento, de roubo. Pichar não é como queimar lixeiras ou quebrar vidros, inutilizando o bem público. É, no máximo, quando feita sem pretensões artísticas, enfeiar, provocar desconforto. Mas seu objetivo é mesmo passar uma mensagem. Daí sua importância política. Podemos pensar, no entanto, que, quando pichamos um muro, estaremos prejudicando a tinta ali empregada para deixá-lo com uma, digamos, boa aparência. Além do mais, ninguém gostaria de ter seu muro pichado. Novamente, portanto, entramos no terreno da estética, e não na funcionalidade, do muro. E é por isso mesmo que acredito que a pena máxima – se há mesmo a necessidade de alguma punição – a ser aplicada a alguém que picha muros, quando pego em flagrante, é a re-pintura do mesmo.&lt;br /&gt;No entanto, quando a intervenção é política, cometeremos um erro ao tratá-la como uma atitude comum, banal, como escrever o próprio nome ou mensagens de amor pelos muros públicos e privados da cidade. Emitir uma opinião política ou tecer alguma crítica social nos espaços urbanos que não têm dono (ou que são de todos) é completamente diferente. Se alguém sente a necessidade de gravar sua mensagem com tinta ou spray é porque não lhe restou outro espaço para expressar sua opinião. Aí entramos no terreno das liberdades constitucionais – que prevêem a expressão política individual – em conflito direto com a falta de democracia no acesso aos meios de comunicação, uma outra e extensa discussão. Dessa forma, acredito que a condenação dos estudantes da FAU é duplamente errônea ao se basear na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;depredação &lt;/span&gt;de patrimônio público. Primeiro porque exagera seu significado, aplicando um conceito que pode ser válido para vidros quebrados ou lixeiras queimadas, mas não para muros pichados. Segundo porque despreza a motivação política da intervenção em face à realidade que vivemos hoje em dia. Esses são apenas opiniões para fomentar a discussão. Posso estar completamente errado, mas é isso que penso sobre o assunto atualmente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;[14]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver cursos de especialização, extensão, MBAs e similares oferecidos pela &lt;a href="http://www.vanzolini.org.br"&gt;Escola Politécnica&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://gestcorp.incubadora.fapesp.br/portal"&gt;Escola de Comunicações e Artes&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.fea.usp.br"&gt;Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade&lt;/a&gt;, entre outras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-size:85%;" &gt;[15]&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Ver “&lt;a href="http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed110/republica.asp"&gt;República Especial: Movimento Passe-Livre&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Caros Amigos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, edição 110. Ver também “&lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/12/369406.shtml"&gt;Processos contra militantes serão arquivados em SC&lt;/a&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Centro de Mídia Independente&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, 21/12/2006.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116656488462781860?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116656488462781860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116656488462781860&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116656488462781860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116656488462781860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/12/ilha-que-os-muros-no-separam.html' title='a ilha que os muros não separam'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116637377673377458</id><published>2006-12-17T14:28:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T21:38:11.356-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>a vontade que supera a técnica e a arrogância</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por renato brandão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Acabou mais um Mundial de Clubes da FIFA, o terceiro organizado pela máxima entidade do futebol – esporte no qual mais uma vez ficou demonstrado que favoritismo não garante vitória antecipadamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em campo: FC Barcelona, da Espanha, e o favorito da decisão, versus SC Internacional, do Brasil, o azarão. A cidade japonesa de Yokohama foi o palco da terceira final de um campeonato mundial de clubes promovido pela Fifa foi Yokohama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente o Japão não é um lugar que dá boas lembranças ao Barca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Favorito na final diante do Internacional, o Barcelona pecou por não ter jogado com humildade contra a equipe brasileira. Repetiu assim a história de 14 anos atrás, na Copa Toyota de 1992, quando el Dream Team comandado por Johann Cruyff (com jogadores como o dinamarquês Michael Laudrup, o búlgaro Hristo Stoichkov, o holandês Ronald Koeman e o espanhol Andoni Zubizarreta) caiu diante do bom São Paulo FC de Telê Santana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não se lembra do time catalão desembarcando em Tóquio, com toda a pompa de que iria passar fácil pela equipe do Morumbi. Porém, no final da partida –em que o Barcelona até demonstrou na primeira etapa todo seu favoritismo contra os brasileiros –, eram os são-paulinos que festejavam o título de campeão mundial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Barça não desembarcou com a mesma arrogância de anos atrás, mas o clube europeu deu mostras, no segundo tempo, de que poderia vencer o Internacional a qualquer momento, já que contava com um plantel formado por estrelas como Ronaldinho Gaúcho, Deco e companhia. Ainda mais porque na primeira etapa, o Colorado demonstrou muito nervosismo, sinal de amedrontamento diante de um dos clubes mais badalados do mundo. Algo normal. Os clubes europeus são realmente melhores tecnicamente, mais ricos et cetera. As equipes sul-americanas costumam respeitar demais as do Velho Continente, principalmente as italianas, espanholas, inglesas e alemãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo da sua condição de azarão, a equipe procurou jogar um futebol pragmático, baseado em uma forte marcação no seu sistema defensivo. Era a melhor opção, no entender do técnico Abel Braga, para compensar a inferioridade técnica da equipe brasileira. Faltava apenas à equipe acreditar deixar um pouco do respeito de lado, afinal no futebol, a vitória do mais fraco sobre o mais forte não é possibilidade remota. Bastava um pouco de sorte também, o acaso feliz, uma única oportunidade para matar o jogo. Foi o que aconteceu no segundo tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Colorado demonstrou muita raça e determinação. A aplicação tática defensiva dos seus jogadores ajudou a neutralizar o estilo de jogo do Barcelona, que esteve irreconhecível na etapa complementar. Depois de cinco minutos, os jogadores mais talentosos estavam apáticos. Impressionava a falta de disposição dos jogadores do clube catalão. Era impressionante a falta de garra para vencer o Internacional. Comportamento inverso que a equipe teve na final da Liga dos Campeões da última temporada (2005-06), quando o time da Catalunha venceu de virada o Arsenal, da Inglaterra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas contra o Inter, em uma competição não-européia e sem a badalação do interclubes europeu, os jogadores do Barça não se aplicaram integralmente para vencer aquela partida. Para o Inter, bastava explorar esta brecha. E a oportunidade surgiu para os gaúchos aos 36 minutos do segundo tempo. Em um chutão dado ainda do campo defensivo para o meio-campo, o reserva Adriano ganhou de cabeça e passou para Iarlei (melhor da partida, na modesta opinião do autor),q eu puxou o contra-ataque e serviu com inteligência novamente Adriano O camisa 16 não perdoou Valdéz. Com o gol, a partida estava praticamente ganha. O Internacional tinha jogado corretamente durante os oitenta minutos e só administrou o restante do jogo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o resto é história. Mesmo tendo o elenco menos forte (parecido com o São Paulo de 2005 também teve uma equipe mediana), o Internacional superou as limitações e bateu o poderoso Barcelona. Levou a taça para Porto Alegre, cidade que agora tem dois campeões mundiais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma lição que o futebol dá aos europeus, que ainda acreditam poder vencer uma partida unicamente pela camisa do clube ou do talento dos jogadores. Sejamos justos, a empáfia também aparece certas vezes no futebol sul-americano, inclusive o brasileiro (quem não vai se esquecer da decepcionante Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2006?). No futebol, não basta apenas talento e nome. Garra e determinação podem equilibrar uma partida. E a sorte pode pender para um ou outro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso destacar a admirável gana dos sul-americanos, em especial os brasileiros, para conquista o Mundial de Clubes. É para se estudar esta disposição dos clubes brasileiros pelo troféu. Em nosso país, este torneio é muito valorizado, tanto pela imprensa esportiva quanto pelos torcedores. Pessoalmente, acho a competição continental – sejam elas a Copa Libertadores da América ou a Liga dos Campeões da UEFA – mais importantes do que a Copa Intercontinental ou o atual Mundial da FIFA (as razões, bem, ficam para outro texto).&lt;br /&gt;Mas impressiona quanto os clubes do país almejam chegar à disputa contra o campeão europeu. Muitos atletas consideram este o jogo da vida deles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não por acaso que boa parte dos nossos times levantaram a taça nos últimos 25 anos: o CR Flamengo de Zico contra o FC Liverpool-ING (3 a 1, em 1981), o Grêmio FPA de Renato Gaúcho contra o Hamburgo SV-ALE (2 a 1, em 1983), o São Paulo FC de Telê Santana contra o FC Barcelona-ESP (2 a 1, em 1992) , o AC Milan-ITA (3 a 2, em 1993) e o FC Liverpool-ING (1 a 0, em 2005)....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Grêmio (em 1995), Cruzeiro (em 1997), Vasco da Gama (em 1998) e Palmeiras (em 1999) faltaram superar o medo que tiveram diante das camisas de ante Ajax-HOL, Borussia Dortmund-ALE, Real Madrid-ESP e Manchester United-ING, respectivamente. Nestas finais, os brasileiros entraram na condição de zebras, mas não aproveitaram a sorte que o futebol proporcionou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por acaso que o Brasil detém a hegemonia no atual formato do Mundial. Em três edições, foram três vitórias de clubes brasileiros. Além do Internacional e do São Paulo, se junta à galeria o SC Corinthians P, que levou o caneco em 2000 -título contestado tolamente e unicamente pelos rivais do clube do arque São Jorge...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feito do Internacional foi impressionante. E o futebol é um esporte fantástico...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116637377673377458?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116637377673377458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116637377673377458&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116637377673377458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116637377673377458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/12/vontade-que-supera-tcnica-e-arrogncia.html' title='a vontade que supera a técnica e a arrogância'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116595000753966768</id><published>2006-12-12T15:57:00.000-02:00</published><updated>2007-02-05T17:49:29.930-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>a oscar freire e os releases que falam por si</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por renato brandão&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Poeira, marteladas e barulho acabaram. No lugar dos operários, homens e mulheres bem vestidos e com a aparência favorecida em todos os aspectos, voltam a circular pelas calçadas da rua Oscar Freire.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Prefeitura de São Paulo e a Associação dos Lojistas esperam receber no evento cerca de 6 mil convidados a partir das 10 horas desse domingo. Na abertura da cerimônia, o prefeito Gilberto Kassab e Rosângela Lyra, presidente da Associação dos Lojistas, oficializam a entrega das obras e assinam um protocolo para ampliação do entorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trânsito será bloqueado na rua Oscar Freire, entre a Consolação e Haddock Lobo. O acesso será permitido apenas aos pedestres.Em cada quadra haverá apresentação de grupos de arte cênica, dança e música, além de oficinas de artesanato para confecção de mosaicos com materiais reciclados, customização de agendas e capas de celulares. Os espetáculos são coordenados por ong´s como Projeto Guri, Arrasta-Lata, Aprendiz, Jovens Mestres e Aliança da Misericórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosângela Lyra, presidente da Associação e também diretora da Dior do Brasil, encomendou à organização Orientavida, milhares de camisetas que serão vendidas durante o evento ao preço de R$ 50,00. &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;"Toda a renda será revertida para entidades carentes"&lt;/span&gt;, diz ela. "A camiseta ficou tão linda, que as clientes da Dior já encomendaram as suas. Vai virar um cult", conclui a experiente diretora da grife."&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto acima é o press-release da Associação de Lojistas da Rua Oscar Freire - em associação com a Prefeitura Municipal de São Paulo -, via situada no bairro dos Jardins, região nobre da cidade e conhecida por ser um dos principais centros de consumo de luxo na capital paulistana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desconforto para os endinheirados acabou, como sugere o informe em seu primeiro parágrafo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que &lt;strong&gt;homens e mulheres bem vestidos e com aparência favorecida em todos os aspectos&lt;/strong&gt; voltassem a circular pela Oscar Freire &lt;strong&gt;sem poeira, marteladas e barulho dos operários&lt;/strong&gt;, a fiação aérea foi removida e substituída pela subterrânea - de agora em diante, a iluminação será feita por 52 postes com luminárias interligadas aos cabos subterrâneos. Segundo a Prefeitura, o sistema de drenagem de águas pluviais foi totalmente refeito e foram instalados bancos e lixeiras de aço inox e de madeira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a Prefeitura, a reforma da Oscar Freire teve o custo de R$ 8,5 milhões - dos quais R$ 4,5 milhões foram pagos pelos cofres públicos. O resto da obra foi bancada por uma operadora de cartões de crédito (R$ 3 milhões) e por lojistas (R$ 1 milhão)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A administração municipal de Gilberto Kassab (PFL) justificou a obra como parte do Programa de Requalificação das Ruas Comerciais, um projeto da Prefeitura em parceria com associações de comerciantes de ruas que teriam características ou potencial comercial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Rosângela Lyra, presidente da Associação de Lojistas da Oscar Freire, a expectativa é que a revitalização da rua estimule a instalação de estabelecimento comerciais de outras marcas estrangeiras e nacionais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como na &lt;a href="http://oreverso.blogspot.com/2006_10_15_oreverso_archive.html" target="_blank"&gt;Peruada&lt;/a&gt;, a reinauguração da Oscar Freire também teve seu lado "social". Segundo informou o press-release, seria &lt;strong&gt;revertida para entidades carentes toda a renda obtida&lt;/strong&gt; com a venda de camisetas comemorativas da reabertura da via. Assim, &lt;strong&gt;homens e mulheres bem vestidos e com aparência favorecida&lt;/strong&gt; deram uma grande contribuição para um Brasil melhor - como defendem os entusiastas destas ações paliativas. Até aí, nada de novo em terra brasilis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas notório mesmo foi a escapulida no primeiro parágrafo do informe assinado pela assessoria de imprensa da associação de lojistas da rua. Ele deixou transparecer o pensamento de boa parte da elite paulistana e o seu desprezo pelas camadas mais baixas do estrato social. O/a jornalista que produziu o conteúdo do texto incorporou totalmente o preconceito social desta elite indiferente às mazelas do país - que, segundo dados recentes do &lt;a href="http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=2390&amp;amp;lay=pde" target="_blank"&gt;Pnud&lt;/a&gt;, tem a 10º pior distribuição de renda do planeta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a elite que se incomoda quando 20 descontentes aproveitaram-se dos festejos da reabertura da Oscar Freire para se manifestarem contra o aumento dos ônibus - algo considerado inadequado para aquele momento, como &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1112200623.htm" target="_blank"&gt;reagiu&lt;/a&gt; Rosângela Lyra -, mas que não tem o menor pudor em ostentar sua riqueza pelas ruas de São Paulo, a cidade com a maior frota de helicópteros particulares do mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o incômodo em circular com todo o exibicionismo que lhe é peculiar pela metrópole quando a poucos quilômetros de suas confortáveis residências vivam milhões de subcidadãos. Aliás, por meio de suas &lt;strong&gt;marteladas&lt;/strong&gt;, alguns destes permitiram não somente a &lt;strong&gt;homens e mulheres bem vestidos e com a aparência favorecida em todos os aspectos&lt;/strong&gt; voltarem a circular pelas calçadas da rua Oscar Freire, como também assumem os postos de trabalho considerados degradantes - a troco de uma baixa remuneração, insuficiente para dar um padrão digno de vida - e agüentam calados o aumento nas tarifas dos transportes coletivos, a má qualidade dos serviços dos hospitais e postos de saúde públicos, o arrocho salarial, o abuso da PM e do PCC, os desmandos de parte importante da classe política brasileira, entre outras coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta elite está pouco preocupada com a violência na periferia da cidade - mas que vem atrapalhando o modo de vida de &lt;strong&gt;homens e mulheres bem vestidos e com a aparência favorecida em todos os aspectos&lt;/strong&gt;. Violência em muita parte conseqüência nefasta de uma sociedade injusta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ora, vamos aguardar o press-release da inauguração da nova Paraisópolis (zona sul). E viva os 20 membros do Movimento do Passe-Livre que, com seu protesto inteligente e simples, contrangeram o prefeito-amigão dos "barões das catracas" e estragaram um pouco a festa da elite retrógrada paulistana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: por que será que à imprensa não tem sido tão combativa com a gestão do senhor Kassab quanto foi com a administração da dona Marta (2001-04)?... &lt;span style="COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116595000753966768?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116595000753966768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116595000753966768&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116595000753966768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116595000753966768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/12/oscar-freire-e-os-releases-que-falam.html' title='a oscar freire e os &lt;i&gt;releases&lt;/i&gt; que falam por si'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116508638705282586</id><published>2006-12-02T17:05:00.000-02:00</published><updated>2006-12-05T16:03:44.826-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Hugo Fanton'/><title type='text'>“democracia que me engana,na gana que tenho dela,cigana ela se revela...”</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por hugo fanton&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O ataque midiático aos movimentos sociais se intensificaram neste final de semana, com ação do MST em um porto de Alagoas e conseqüente anúncio do Incra de que iria CUMPRIR um ACORDO estabelecido com o movimento. Rádios, TVs e jornais acusaram o governo Lula de ser parcimonioso no “combate” aos “criminosos” do MST.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha&lt;/span&gt; publica em editorial deste sábado, 2 de dezembro, as seguintes frases:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sem o dinheiro do contribuinte, essa parolagem autoritária fazendo ode a um comunismo ludita estaria relegada ao limbo a que faz jus”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo “premiou o ato delinqüente com a promessa de mais desapropriações e mais verbas, quando o seu dever, como órgão de Estado, era o de recusar-se a negociar sob pressão criminosa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, tais palavras me lembram as acusações de que Lula quer controlar a imprensa com a campanha pela democratização da comunicação no Brasil. Dizem isso por considerarem a mídia democrática. Tal discurso uníssono contra ações políticas de movimentos sociais, bem como a criminalização destes, provam o óbvio: a comunicação no Brasil está muito, mas muito longe da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que menos entendo é se a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha&lt;/span&gt;, por exemplo, acredita no que fala. Ou melhor, se eles, de fato, pensam que seus leitores acreditam no que eles falam. A desonestidade é gritante. Num espaço de dois dias, um discurso que chama de autoritário um governo que prega a democratização e outro que criminaliza um movimento social. Discursos adotados por praticamente todos os jornais impressos, radiofônicos e televisivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chamada grande imprensa continua adotando discursos discriminatórios, negando hipocritamente a falta de pluralidade nas coberturas jornalísticas no Brasil e tentam ainda esconder o óbvio de que as concessões públicas de rádio e TV, por exemplo, estão concentradas nas mãos de poucos grupos oligárquicos do país. Queria saber o que o manual de redação da Folha pensa disso tudo. Pena que, quando chamado, ele não vem à universidade debater. &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116508638705282586?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116508638705282586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116508638705282586&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116508638705282586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116508638705282586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/12/democracia-que-me-enganana-gana-que.html' title='“democracia que me engana,&lt;br&gt;na gana que tenho dela,&lt;br&gt;cigana ela se revela...”'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116489005029645689</id><published>2006-11-30T10:32:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T15:09:31.016-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Marcos Angelim'/><title type='text'>orgulhosamente luso!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por marcos angelim&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apesar de estar longe dos holofotes da mídia esportiva desde que foi rebaixada nos campeonatos Brasileiro e Paulista, a Lusa até que foi lembrada em virtude da vitória sobre o Sport Recife (PE), na Ilha do Retiro, que lhe garantiu a permanência na Série B do nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário de equipes como Guarani (SP), Paysandu (PA), Vila Nova (GO) e São Raimundo (AM), a Portuguesa de Desportos não chegou ao fundo do poço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ver a vitória da minha Lusa sobre o time pernambucano e vibrar como nunca diante da tevê, saí para a rua envergando a camisa 10 rubro-verde, onde vários amantes do futebol vieram me cumprimentar pelo não-rebaixamento. "A Lusa não pode cair!", "Tem de voltar pra primeira divisão ano que vem...", diziam. Minha felicidade por não ter caído (sim, o torcedor cai junto com seu time!) somou-se ao prazer de constatar o quanto a Portuguesa é querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, porém, esse carinho não é o amor que poderia levá-la a contar com uma torcida imensa, como as de outros clubes brasileiros. É um sentimento meio envergonhado, enrustido, que tem muito a ver com o antilusitanismo explícita e implicitamente difundido no Brasil – uma aversão tão forte aos lusitanos que leva muitos descendentes diretos de portugueses a omitir suas origens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mania de perseguição, caro leitor? Peguemos um exemplo - só um entre tantos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira, 27 de novembro, esbravejando diante das imagens das enchentes que ocorreram em São Paulo, o apresentador (chamá-lo de jornalista seria ofender a categoria) do programa Brasil Urgente, exibido pela TV Bandeirantes, José Luiz Datena, atribuiu aos portugueses a responsabilidade pelos problemas brasileiros. Enchentes, incompetência das autoridades, parco crescimento econômico, baixa qualidade da educação no Brasil, criminalidade, tudo culpa dos portugueses, que roubaram o Brasil, levaram toda nossa riqueza, blá, blá, blá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o senhor Datena não saiba nada sobre as teorias econômicas predominantes à época colonial e a respeito do sul dos Estados Unidos da América, dos nossos vizinhos hispânicos e dos países caribenhos colonizados por holandeses – todos subdesenvolvidos e colônias de exploração no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade, quer nos orgulhemos disso ou não, é que o povo brasileiro tem em sua tripla matriz racial básica o sangue lusitano, o que faz da maioria de nós descendentes daquela gente que, na esteira do desenvolvimento capitalista, deixou sua terra além-mar para tentar uma vida melhor desse lado do Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, desde os primórdios da imigração portuguesa, ajudou a construir o Brasil, sujeitando-se a todos os tipos de trabalho. A mãe do sociólogo Florestan Fernandes, por exemplo, o criou trabalhando como empregada doméstica em São Paulo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao futebol. A Portuguesa, pelo próprio nome e por agregar em sua torcida milhares de portugueses e luso-descendentes, é, muitas vezes, discriminada dentro e fora das quatro linhas. Ao contrário do Vasco da Gama (RJ) e do Palmeiras, fundados por portugueses e italianos, respectivamente, a Lusa ainda é vista por muitos como um time de colônia, meio estrangeiro, apoiado por uma pequena torcida formada por luso-brasileiros, o que explica, em parte, a prática dos árbitros de roubá-la descaradamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escapar da Série C jogando fora de casa foi uma grande vitória, mas há desafios maiores pela frente. Além de trabalhar duro para voltar à elite do futebol brasileiro, a Portuguesa precisa reformar seu estatuto de modo a aumentar a transparência administrativa e a participação dos torcedores; profissionalizar sua administração, que atualmente está entregue a pessoas pouco preparadas para gerenciar o clube (só esse ano, a diretoria contratou mais de 70 jogadores – um absurdo); recuperar suas finanças; e afirmar-se como um time brasileiro para brasileiros de qualquer origem, acabando com a pré-noção de que para torcer pra Lusa o sujeito tem de ser português ou descendente direto de lusitanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que a vitória sobre o Sport Recife seja o início da recuperação da Lusa, um time que deve voltar a imprimir sua marca na história do futebol brasileiro não apenas como revelador de craques, mas como um clube combativo e campeão! .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos à luta, ó campeões!...&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116489005029645689?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116489005029645689/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116489005029645689&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116489005029645689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116489005029645689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/11/orgulhosamente-luso.html' title='orgulhosamente luso!'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116482838708149115</id><published>2006-11-29T17:11:00.000-02:00</published><updated>2006-12-01T15:23:51.586-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>guarani-kaiowás: a luta por um pedaço de terra</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)font-family:verdana;" &gt;por renato brandão; foto renato brandão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/1600/616481/Imag031.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/3298/2106/320/223664/Imag031.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="articleabstract"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Índios da etnia Guarani-Kaiowá fazem ritual no Pátio do Museu da Cultura, da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC/SP), em Perdizes (zona oeste da capital), durante evento realizado na manhã desta quarta-feira (28).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles vieram a São Paulo cobrar da Justiça a retomada dos processos de demarcação de suas terras, localizadas na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Na terça-feira (27), representantes dos Guarani-Kaiowás reuniram-se com autoridades judicias do Ministério Público Federal e do Tribunal Regional Federal da 3º Região (no bairro de Cerqueira César, centro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Guarani-Kaiowás exigem rapidez na solução do processo de demarcação de suas terras, que está atualmente paralisado pelas ações judiciais movidas por fazendeiros da região na Justiça sul-mato-grossense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Pa'í Kuara, representante dos Guarani-Kaiowás, o seu povo tem sofrido com a demora da regulamentação das terras, pois eles ficam impedidos de caçar, plantar e pescar - o que tem gerado fome e desnutrição entre os indígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o líder indígena, os fazendeiros têm cometido atos violentos contra os índios - incluindo assassinatos. Segundo a Comissão Indigenista Missionária (Cimi), uma das maiores taxas de suicídio é entre os jovens da população Guarani-Kaiowás. &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)font-family:verdana;" &gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116482838708149115?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116482838708149115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116482838708149115&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116482838708149115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116482838708149115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/11/guarani-kaiows-luta-por-um-pedao-de.html' title='guarani-kaiowás: a luta por um pedaço de terra'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116411761229021776</id><published>2006-11-21T11:50:00.000-02:00</published><updated>2006-11-24T17:44:30.346-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Marcos Angelim'/><title type='text'>o mst e a maior participação do povo na determinação dos rumos do Brasil</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por marcos angelim&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em 15 de novembro de 1889, concretizavam-se uma aparente mudança política e uma verdadeira repetição histórica no Brasil. A mudança era a passagem do Império para a República; a repetição, o fato de que, assim como no processo de independência política em relação a Portugal, o povo não participava efetivamente da modificação de regime. Como afirma o historiador Boris Fausto, “a queda da Monarquia restringiu-se a uma disputa entre elites divergentes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tendo participado, o povo não tem o que festejar e fica fácil desculpá-lo pela falta de civismo que demonstra ao aproveitar feriados como o de 15 de novembro simplesmente para descansar ou reunir a família numa comilança regada à cerveja. Eu, como não sou chegado a churrascos e reuniões familiares, aproveitei o feriado e uma carona para conhecer de perto, no Pontal do Paranapanema, um movimento social que deseja escrever uma nova história. Estou falando do MST.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria de nós conhece o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra através das lentes da grande mídia, que a maior parte das vezes enfatiza seus excessos táticos na luta pela reforma agrária, esquecendo (?) toda a verdadeira transformação que o movimento empreende na esfera social. A edição de Veja de número 1648, de 10 de maio de 2000, é um emblema desse tratamento midiático conferido ao MST e a outros movimentos sociais. Mas o que realmente é ignorado no MST pela grande mídia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fenômeno sócio-político mais importante que a mídia ignora – ou inverte – quando aborda o MST é a organização e a politização das massas excluídas. Esses aspectos aparecem nos meios de comunicação travestidos de baderna e doutrinação ideológica de esquerda. De fato, o discurso dos líderes do movimento é carregado de conteúdo ideológico, mas que direito tem a mídia de exigir sua subserviência aos valores da democracia liberal capitalista, se neste sistema pouco ou nada conseguem os excluídos e se os próprios &lt;em&gt;mass media&lt;/em&gt; propagam os valores das elites a que pertencem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos principais fatores da insignificante participação popular na determinação dos rumos da nação foi a inexistência, durante séculos, de movimentos sociais organizados capazes de forçar as elites a ceder às classes populares um lugar nos centros decisórios. Sem eles, o povo ora foi ou um joguete das elites, ora um expectador das mudanças (?) que elas empreenderam na história brasileira. E é essa força mobilizadora que leva as elites a temer o MST.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse movimento social, independentemente da viabilidade política e econômica de seu projeto de reforma agrária, tem o grande mérito de agregar excluídos do campo e das cidades, canalizando a energia dessa gente para a participação política além-voto. Não é difícil imaginar para onde sua força social se dirige quando não engajados na vida política. Mas nossas elites parecem preferir gastar com carros blindados e segurança privada em suas ilhas residenciais de luxo a ver o povo marginalizado organizado politicamente. Talvez considerem que dividir o bolo ainda saia mais caro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos municípios de Teodoro Sampaio e Mirante, visitei um acampamento à beira da estrada e um assentamento nos quais, além de entrar em contato com a realidade dos assentados, conversei com duas importantes lideranças do MST.&lt;br /&gt;O acampamento impressiona pela simplicidade das barracas de lona onde dezenas de famílias aguardam a regularização da terra pelo Incra. É gente simples, oriunda dos campos do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Já no assentamento, as famílias têm suas casas de alvenaria, com energia elétrica, água encanada e seus respectivos lotes demarcados; contam também com escola de ensino fundamental I e II e posto de assistência odontológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo são rosas nos assentamentos. Segundo os assentados, a assistência médica ainda é precária, o assentamento não possui escola de ensino médio – o que obriga seus jovens a sair do assentamento para ir a escolas distantes – e as dificuldades para conseguir financiamento para a produção agrícola ainda são grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, segundo José Rainha, o MST pretende tomar parte nos projetos governamentais de produção de energia renovável, a saber, de biodiesel. Para ele, com apoio do BNDES, os assentados do Pontal poderão cultivar oleaginosas, como a mamona e o girassol. Até agora a produção de biodiesel se dá pela iniciativa privada em parceria com o governo federal e alguns governos estaduais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém pode prever o futuro do MST, nem saber se os assentamentos vão se revelar um modelo duradouro e economicamente bem-sucedido de organização da agricultura familiar, mas a reforma agrária ainda parece estar longe do fim. De acordo com Diolinda, também coordenadora do movimento e esposa de Rainha, o MST ainda levará cerca de 15 anos para assentar todo o contingente de trabalhadores sem terra do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo que isso levará não tem tanta relevância. O mais importante é que o MST e outros movimentos sociais continuem sua missão de organizar os excluídos de maneira que possam interferir efetivamente no processo de construção do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116411761229021776?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116411761229021776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116411761229021776&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116411761229021776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116411761229021776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/11/o-mst-e-maior-participao-do-povo-na.html' title='o mst e a maior participação do povo na determinação dos rumos do Brasil'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116370194921758081</id><published>2006-11-16T16:21:00.000-02:00</published><updated>2006-11-29T18:18:10.583-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Hugo Fanton'/><title type='text'>só um devaneio</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por hugo fanton&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O poder de mobilização midiática na crise dos aeroportos brasileiros conduz meus pensamentos a lugares tortuosos. A cobertura impressiona pela intensidade e cobrança de resolução imediata. Jornais mobilizam grande quantidade de repórteres para mostrar o sofrimento dos pobres usuários dos aeroportos brasileiros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Além de apontar os problemas, cobra do poder público uma solução rápida. De forma até louvável, incomoda, com microfones e holofotes, aqueles que têm responsabilidade nessa crise que atinge em cheio a classe economicamente mais favorecida do país. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tal poder midiático me faz ter dessas reflexões que a vida de gado não nos permite ter. Penso mais naquilo que a imprensa deixa de fazer do que nos resultados de sua atuação na crise aérea. Digo isso por me perguntar como seria o Brasil se o mesmo número de profissionais fossem mobilizados para, diariamente, retratar o descaso com a população nas escolas e hospitais públicos, por exemplo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Imagino, vendo todos os dias belas mulheres desmanchando a maquiagem na espera por um vôo, como seria se a maioria dos jornais do país, impressos e eletrônicos, dessem o mesmo espaço a um paciente na fila de espera do SUS. Imagino ainda se eles procurassem os governantes para responder, a cada atraso num atendimento médico (para ficar só neste exemplo), o porquê do problema e quando haverá uma resolução. E ainda cobrar os responsáveis várias vezes ao dia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Como minha imaginação vai longe, chego a vislumbrar a explicação tecnocrata de que a crise aérea afeta fortemente a economia, a resposta hipócrita de que prejudica nossa imagem no mundo e todo esse blá, blá,blá que teima em não reconhecer a miséria e o descaso com a maior parte da população como os grandes responsáveis pelo não-desenvolvimento do país.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por fim, tento imaginar a serviço de quem a imprensa trabalha. Quais interesses ela defende. Mas nesse ponto percebo que estou indo longe demais e posso ser acusado de autoritário e de trabalhar contra a liberdade de expressão. Afinal, como posso ousar criticá-la? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Percebo como os devaneios são perigosos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E volto a ser gado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116370194921758081?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116370194921758081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116370194921758081&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116370194921758081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116370194921758081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/11/s-um-devaneio.html' title='só um devaneio'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116345229487562307</id><published>2006-11-13T19:07:00.000-02:00</published><updated>2006-11-24T17:47:03.356-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>o senador e o sociólogo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que a mídia foge do xis da questão relativa à condenação do sociólogo Emir Sader. O manifesto, a indignação ou as opiniões favoráveis à liberdade de expressão não almejam apenas proteger a reputação do professor da Uerj. A crítica apenas traz à tona a questão do desequilíbrio na Justiça brasileira. O sociólogo ofendeu Jorge Bornhausen ao chamá-lo de "racista". Pode-se perfeitamente dizer que existe uma dose de racismo em acusações de racismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, se Sader foi punido por isso, o senador do PFL deveria ter recebido condenação semelhante. O banqueiro catarinense, afinal, caluniou e difamou o PT referindo-se a seus militantes como uma "raça" da qual o Brasil deveria ficar livre pelos próximos 30 anos. Foi essa desigualdade que gerou os protestos e o manifesto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é uma questão de defender a patota esquerdista, mas de assegurar direitos iguais aos cidadãos brasileiros, independentemente de condição social ou ideológica. Não importa, como quer os muitos artigos e opiniões que ouço, se Emir Sader é entusiasta de Fidel Castro, bom professor, intelectual exemplar ou um enganador. O senador e o sociólogo definitivamente não podem ficar em situações diferentes perante a Justiça se cometeram o mesmo "delito". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade de expressão não é absoluta. Tem seus limites no respeito e na tolerância, na fronteira onde termina a opinião argumentativa e se inicia a ofensa e o ódio. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116345229487562307?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116345229487562307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116345229487562307&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116345229487562307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116345229487562307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/11/o-senador-e-o-socilogo.html' title='o senador e o sociólogo'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116317382550903748</id><published>2006-11-10T13:46:00.000-02:00</published><updated>2006-11-10T13:51:29.686-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>my city</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51); font-weight: bold;font-family:verdana;" &gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;quem estava achando um milagre a prefeitura dar tanta liberdade para camelôs batalharem uma grana no centro da cidade e na avenida paulista agora se depara com a realidade. foi só as eleições passarem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;na manhã desta quinta-feira, nove de novembro, a polícia militar reprimiu uma feira ambulante que acontece já há algum tempo no bairro do brás. precisando ganhar o pão, os camelôs resistiram. e, claro, tomaram bomba.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;o próximo alvo serão os ambulantes da avenida paulista. depois da rampa anti-gente e da bolsa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;saia da minha city&lt;/span&gt; empreendidos pelo ex-prefeito futuro governador, agora a classe-mídia começa a fazer sua campanha pela limpeza da paulista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;hoje a maior rádio do brasil começou a fazer sua parte e veiculou uma vinheta sobre o assunto. no ar, a opinião do médico diretor da maternidade pro-matre. se tanto a rádio quanto o hospital não poderiam estar localizados em lugar mais nobre, o doutor não poupou palavras. disse que os camelôs trazem sujeira e criminalidade, que as autoridades abandonaram a paulista, que o "cartão postal" da cidade deve ser preservado. e é só o começo. logo a guarda civil metropolitana será chamada para retirar os vendedores informais da região. se não conseguir, vem o choque. daí é bomba.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;ninguém faz aqui a defesa intransigente do comércio informal. só que quem prega a higienização do centro tem de ter em mente que o país não goza, infelizmente, de condições econômicas para dar emprego com carteira assinada para todos. as políticas adotadas pelo governo levaram a isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;como as pessoas precisam se alimentar, o dinheiro deve ser cavado. quem opta pelo caminho do que convencionamos chamar de "honestidade" vai vender suas bugigangas na rua. e qual melhor lugar para armar sua barraquinha do que o coração financeiro do brasil? Onde mais circula muita gente e muita gente com grana?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;o que a classe-mídia acredita ser um problema da avenida paulista na verdade é o problema de todo o país. os ambulantes ocupariam a avenida tiradentes ou a 23 de maio se o movimento fosse intenso e bem remunerado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;empurrar o desemprego para mais longe, para a periferia, não vai resolver o problema do povo. não vejo outra forma de classificar o coro do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;no ralé in our neighborhood&lt;/span&gt;. é, em inglês mesmo. porque a retórica do "cartão postal" da cidade é higienização social disfarçada de cidadania, de respeito às leis. conversa para inglês ver. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);font-family:verdana;" &gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116317382550903748?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116317382550903748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116317382550903748&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116317382550903748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116317382550903748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/11/my-city.html' title='my city'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116291010798417907</id><published>2006-11-06T22:33:00.000-02:00</published><updated>2007-02-16T12:11:50.593-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Marcos Angelim'/><title type='text'>eu quero acreditar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por marcos angelim&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis de novembro, segunda-feira brava, mesmo para um desempregado e aspirante a intelectual como eu. Um dia duro pela frente: ajudar o sogro a reparar a calçada de sua casa sob o sol escaldante do meio-dia. Não há pior tarefa para um cara habituado à caneta e ao teclado do que o trabalho braçal. Fazer e carregar massa, manusear a colher de pedreiro, juntar entulho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta habilidade se exige daqueles que não têm outra qualificação senão o raciocínio tosco e a força dos próprios braços para ganhar o pão! O que seria de você, caro leitor, se, de uma hora para outra, passasse a depender quase que somente da força física para viver? Mas não nos preocupemos com isso e voltemos ao relato, afinal não vai acontecer nem com você e nem comigo – privilegiados pelo acesso à educação, internet, ao trabalho intelectual, à renda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que suei para consertar a calçada, e ao fim do trabalho – ainda sob um sol que deixou minha pele vermelha e ardendo – restava uma tarefa que me deixava assustado: carregar todo o entulho produzido para uma espécie de brejo no fim da rua – ordem incontestável do sogrão. Com certeza passava dos 31 graus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que nos bairros pobres, como o Itaim Paulista, a temperatura costuma ser muito mais alta do que nos Jardins, pois as árvores são muito poucas. A imagem do brejo, ao longe, se formava trêmula no fim da rua estorricada... "Ah, que vida sofrida a minha!”. Mas quando tudo parecia perdido, a sorte que freqüentemente agracia os bem-nascidos colocou um bom homem no meu caminho – um carroceiro. Talvez aqui caiba uma explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um carroceiro pode ser tanto um homem que guia um cavalo amarrado a uma carroça quanto um sujeito mais desgraçado que tem, ele próprio, de puxar a carroça atulhada. No Rio de Janeiro do início do século XX, os homens que puxavam carroças eram apelidados de “burros sem rabo”. No século XXI, essa alcunha se perdeu, mas a atividade certamente cresceu bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carroceiro que veio ao meu auxílio era dessa segunda categoria. Um homem pardo, de baixa estatura, mal vestido, com a barba por fazer, de boné e puxando um carro de madeira cheio de pesados sacos de lixo. Ora, esse sim era adequado para o trabalho. Era perfeito! Tinha a pele um tanto escura (minha cútis branca não foi feita pra isso... E os raios ultravioleta!? Não quero nem pensar!), estava uniformizado, tinha o veículo próprio e era profissional reconhecível em qualquer lugar da cidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito solícito, antes que o víssemos, ofereceu-se para ajudar, mas não deu o preço. Coitado, não deve ter MBA!... Rapidamente arranjou uma pá, um saco de estopa e começou a enchê-lo com nosso entulho. Ajudando-o a recolher as pedras, não pude deixar de notar uma sacolinha de plástico amarrada na parte dianteira da carroça. Era transparente e deixava ver a comida dentro dela: arroz branco, caroços de feijão e pedaços meio amarelados que supus serem batatas. O aspecto era um tanto repugnante; tudo amassado, misturado... A sacola parecia suar mais do que eu. “Deve ser para o cachorro; já passa da hora do almoço... Vai azedar...", disse comigo à tucana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entulho na carroça – é hora de pagar e "muito obrigado" (ninguém agradecia mais do que eu pela boa sorte). Meu colega de trabalho deu-me na mão umas moedas, às quais somei mais algumas, e entreguei ao pobre homem, que agradeceu e partiu para o brejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto lhe demos? Não sei. Descobrir que não pagaria uma “quentinha” estragaria o meu dia. Prefiro acreditar que lhe garantimos o almoço e que a comida na sacola era para o cachorro. &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116291010798417907?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116291010798417907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116291010798417907&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116291010798417907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116291010798417907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/11/eu-quero-acreditar.html' title='eu quero acreditar'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-116138324459571156</id><published>2006-10-20T18:56:00.003-03:00</published><updated>2011-11-02T18:33:55.942-02:00</updated><title type='text'>é peruada, oba!</title><content type='html'>http://www.youtube.com/watch?v=PpoZPxjrzIU&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-116138324459571156?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://www.youtube.com/watch?v=PpoZPxjrzIU' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/116138324459571156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=116138324459571156&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116138324459571156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/116138324459571156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/10/peruada-oba.html' title='é peruada, oba!'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115881253960756650</id><published>2006-09-21T01:19:00.000-03:00</published><updated>2006-09-21T01:23:10.070-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Hugo Fanton'/><title type='text'>a inquisição no século XXI</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-family:verdana;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;por hugo fanton&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O recente debate acerca das declarações do Papa Bento XVI sobre o cristianismo e o islamismo lembra-me idéia de que pensamentos tidos como ultrapassados não só sobrevivem como podem ser dominantes numa sociedade, tendo nunca saído do meio acadêmico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Antes de mais nada, o Papa errou ao não medir o impacto político de suas declarações. Não o fez por não ser político. E também por isso não retira suas palavras. Apesar de comandar uma religião criada a partir da vida de alguém que fora político, Jesus, Bento XVI desconsidera suas funções enquanto tal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Entretanto, a reação do mundo cobrando desculpas de Joseph Ratzinger tem resquícios de um pensamento inquisidor da Idade Média, defendido outrora justamente pela Igreja Católica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O discurso de Bento XVI feito numa universidade alemã foi direcionado a teólogos e trata justamente dodiálogo entre as religiões. O Papa expõe parte de sua filosofia sobre o tema, pensamento produzido após anos de estudo, publicado e discutido no meio acadêmico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;teológico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando o mundo islâmico exige a retirada de trecho da teoria filosófica de um teólogo sob a ameaça de morte e ataques a fiéis cristãos, pratica a mesma lógica da Igreja Católica medieval quando ameaçava punição severa a quem não retirasse de suas obras trechos considerados ofensivos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tal pensamento inquisidor é aplaudido pela maioria dos que maldizem o catolicismo de outrora. Muitos, ao invés de cobrarem dos muçulmanos leitura atenta do discurso de Ratzinger e chamá-los para o debate teológico, preferem comparar um tratado a uma charge preconceituosa.     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Para entender a posição papal, basta a leitura do trecho final do discurso feito em Bonn:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"A declaração decisiva neste argumento contra a conversão violenta é isso: não agir de acordo com a razão é contra a natureza de Deus. O editor Theodore Khoury observa: para o imperador, enquanto um bizantino moldado pela filosofia grega, esta declaração é auto-evidente. Mas para o ensinamento muçulmano, Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está presa a nenhuma das nossas categorias, mesmo àquela da racionalidade."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E continua:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Neste momento, até onde diz respeito à compreensão de Deus e portanto à prática concreta da religião, nós estamos diante de um dilema inevitável. A convicção de que agir desarrazoadamente contradiz a natureza de Deus é meramente uma idéia grega, ou isso é sempre e intrinsecamente verdade?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ratzinger expõe uma diferença entre as teologias muçulmana e católica. Sua atitude, ao contrário de uma ofensa pura e simples, é a chamada para o debate teológico, para o embate de pensamentos. O confronto entre as idéias islâmica e católica de Deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao contrário de João Paulo II, que era político, Ratzinger não enxerga o diálogo entre as religiões&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;como o esquecimento das diferenças. O antigo Papa, em nome de uma política internacional, esqueceu punições corriqueiras aplicadas contra cristãos no mundo islâmico, bem como recusou-se a debater as diferenças teológicas. Já Ratzinger, enquanto teólogo, acredita&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;que diálogo entre religiões significa embate de idéias em busca do entendimento do que é Deus. O alemão está mais interessado em tentar descobrir em conjunto o que é Deus. Esse discurso não deveria então ser rebatido com bombas, mas com palavras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dessa forma, o pensamento inquisidor deveria dar lugar ao democrático. As sociedades, além de questionar um Papa que não tenha cumprido seu papel político, devem também questionar aqueles que se recusam a usar o debate como instrumento mais valioso na busca de uma verdade. &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115881253960756650?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115881253960756650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115881253960756650&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115881253960756650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115881253960756650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/09/inquisio-no-sculo-xxi.html' title='a inquisição no século XXI'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115281061991826858</id><published>2006-07-13T14:08:00.000-03:00</published><updated>2006-07-13T14:11:23.913-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>público, privado e queimado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Os ataques do PCC contra ônibus da cidade de São Paulo mostraram que essa história de parceria público-privada é uma grande balela. É impossível conciliar interesses tão distintos. Porque o que deveria atender a todos, não pode, ao mesmo tempo, satisfazer as vontades de uma pessoa ou um grupo de pessoas. Porque o que, em essência, deveria ser um serviço sem fins lucrativos, um direito de todos, não pode, ao mesmo tempo, gerar lucro para uma empresa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Na capital, assim como na maioria das cidades do Estado, o transporte coletivo urbano é oferecido à população por meio de parceria entre empresas e o governo municipal. A prefeitura paga uma determinada quantia para as viações, que cobram as passagens, compram os veículos da frota, contratam motoristas e cobradores e mecânicos e botam os ônibus na rua para levar e trazer o povo. Assim costuma funcionar, apesar de todo trabalhador achar que o passe poderia ser mais barato e que os ônibus poderiam passar com mais freqüência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Entre quarta e quinta-feira, criminosos queimaram mais de 50 ônibus. Como resposta, as empresas de ônibus retiraram a frota das ruas. Simples assim. Ontem pela manhã, o comandante da PM, Eliseu Eclair, informava pela tevê que apenas 15 por cento dos ônibus circulavam normalmente. Se o serviço já é ruim quando tudo opera na mais total normalidade, dá para imaginar o transtorno. E os prejuízos pelo dia não trabalhado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Claro, só não vê (e não comenta) quem não quer. As empresas preferem muito, mas muito mais retirar seus ônibus de circulação a tomar prejuízos com veículos queimados. Não se sentiram seguras para operar, deixaram os carros na garagem. Quem é que está ligando para a população? A população, que precisa trabalhar, não tem carro nem condições de pegar táxi, mora longe do emprego e não é atendida pelo metrô ou pelo trem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Transporte público é área estratégica, principalmente nas grandes cidades, onde não dá para andar a pé. É de interesse de todos que os ônibus circulem normalmente, na chuva ou no sol, com ou sem PCC. Fica a lição – mais uma – das conseqüências que a privatização irresponsável dos serviços públicos que se faz neste país. Ao menor sinal de prejuízo, a prestadora suspende seus serviços no ato. Para o beleléu vão os contratos com a prefeitura, o compromisso com a população.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Jogam a culpa para o PCC, porque hoje em dia todos os males da civilização paulista parecem ser originados dele, do crime, dos bandidos sem coração. Como se criminosos já nascessem criminosos, como se nada houvesse entre a organização da sociedade e o crime organizado. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115281061991826858?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115281061991826858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115281061991826858&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115281061991826858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115281061991826858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/07/pblico-privado-e-queimado.html' title='público, privado e queimado'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115280034938313147</id><published>2006-07-13T10:43:00.000-03:00</published><updated>2006-07-17T16:22:05.233-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>em coma, uma nação deitadaeternamente em berço esplêndido</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por renato brandão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;8h35 na Vila Medeiros, pedaço periférico da Zona Norte da capital. Descia às pressas pela rua que me levaria ao principal ponto de ônibus das redondezas - onde passam as principais linhas do transporte público naqueles arredores -, que levam trabalhadores, estudantes e tudo o mais para o Tatuapé, Belém, Santana, Praça do Correio, Praça da Sé...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia um dia típico. A padaria e o bar abertos, pessoas conversavam nas esquinas e tudo o mais... Durante o trajeto de casa até o pretendido ponto, cinco a dez minutos a pé, dividia meus pensamentos entre os recentes ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) e os da máquina de guerra de Israel sobre o Líbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao ponto, na Avenida Castro Júnior (Vila Sabrina), uma imagem fora do comum: os pontos de ônibus estavam lotados. Lotados para aquela hora, afinal não estávamos mais em horário de pico - pelo menos no distrito. Dezenas de pessoas aguardavam pacientemente a vinda de ônibus, pertencentes à empresa Sambaiba - consórcio que opera na região 2 (metade da Zona Norte, abrangendo distritos como Imirim, Vila Nova Cachoeirinha, Mandaqui, Santana, Tucuruvi, Jaçanã, Vila Maria, Vila Medeiros) da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eles não passavam. Claro, de cara associei que a Sambaíba proibira a saída dos veículos das garagens para as ruas. Desde ontem, quarta-feira, a SPTrans – empresa que gerencia o transporte de ônibus na cidade – contara mais de 40 ônibus queimados. Ontem mesmo queimaram um ônibus na Vila Madalena. Pensei que poderia ter sido o da linha 701-A (Parque Edu Chaves-Vila Madalena), o qual eu tomo para voltar para casa, quando volto da USP, principalmente. Mais tarde descobri que tratava-se de uma linha intermunicipal Vila Madalena-Vila Munhoz, da viação Urubupunga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei ao ponto, perguntei a um sujeito há quanto tempo esperava por um ônibus:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;- Desde às 6 horas&lt;br /&gt;- Seis? Então, não está circulando ônibus? Só lotações [microônibus]?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, apenas as lotações circulavam. Uma a uma, passavam direto e reto, sem parar naquele ponto, pois estavam, afinal, lotadas. Algumas se arriscavam a parar... Era chance de entrar. Assim, caminhei em direção a uma delas. Na porta de trás, um cobrador bradava "Lotação, metrô Tatuapé!!!". Antes que alguém tentasse a sorte de entrar no veículo, o cobrador fazia um alerta. Nisso, umas pessoas não entravam e voltavam para o ponto, decididas a esperar mais um pouco. O alerta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É dinheiro ou cartão [bilhete-único]?&lt;br /&gt;- Cartão&lt;br /&gt;- Hoje é só dinheiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, eu e outros que se recusaram a pagar em dinheiro (e a mais, pois a tática dos donos de lotação era de cobrar mais dos passageiros, já que o transporte era escasso como água no deserto) ficaram (mais) privados de saírem do bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, não é uma novidade aquela cena. Em dias de greve nos transportes coletivos, lotações e veículos clandestinos costumam cobrar mais pelo transporte coletivo - um acréscimo de um a três reais no valor normal, em geral. Mas o que me deixou impressionado com a cobrança abusiva desta manhã foi a total falta de sensibilidade destas pessoas, no momento da maior onda de violência em São Paulo. Durante às greves também persevera uma certa insensibilidade, mas a situação atual é pior ainda, porque quem tem tamanha coragem de se aproveitar da situação crítica, diante da difusão do medo pelo PCC? Ganhar mais? Ter mais lucro com a tragédia socialna cidade? Talvez não haja razão para ficar chocado. Desde que o mundo é mundo, há os aproveitadores de plantão, abutres que aparecem nos mais impensados e inoportunos momentos. Mas cada dia, eu sou surpreendido ainda mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre várias questões, algumas que ficam são: por que acreditar que uma cidade, uma nação mudará se temos pessoas com uma mentalidade tão reduzida, mesquinha, sem a menor solidariedade com o próximo?; por que acreditar em mudanças, se ao redor encontramos esta gente que suporta calada os males, sem esboçar revolta ou indignação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles (o PCC) não vão vencer. Esta é a afirmação mais pronunciada pelas principais autoridades do governo estadual nos meios de comunicação. Senão não é o discurso vazio adotado por toda a sociedade civil, boa parcela dela incorporou o "eles não vão vencer". Mas o questinamento a ser feito não é se o "PCC vai vencer", mas sim se o "Estado vai seguir perdendo". A organização criminosa não é capacitada para tal, mas faz uma grande contribuição para a deterioração do poder oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem a menor condição de sair daquele lugar rumo ao longínquo centro, o jeito era ir embora para casa. Não iria trabalhar tampouco à faculdade, muito menos ainda ao cinema, mais tarde, como planejara. Não havia porquê ficar no ponto de ônibus, logo fiz o caminho de volta. Subi pela rua colorida pelos desenhos no velho asfalto, alusão à Copa do Mundo de 2006. Sobre eles estavam fitinhas verde-amarelas, amarradas aos postes de luz, que davam o acabamento à expressão do "sentimento nacional" de vários brasileiros da periferia pobre e urbana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E la nave va...&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115280034938313147?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115280034938313147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115280034938313147&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115280034938313147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115280034938313147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/07/em-coma-uma-nao-deitadaeternamente-em.html' title='em coma, uma nação deitada&lt;br&gt;eternamente em berço esplêndido'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115207690883715712</id><published>2006-07-05T02:12:00.000-03:00</published><updated>2006-07-05T02:23:07.730-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>usp deve entrar no sambódromo em 2007</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/bandeira1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/bandeira1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O clima sério das universidades combina com carnaval? Se depender da escola de samba Acadêmicos de São Paulo, a resposta é sim. Nascida em berço uspiano no mês de janeiro deste ano, a Acadêmicos é formada por funcionários e estudantes de várias instituições, como Unicamp, Unesp, Cásper Líbero, Mackenzie, PUC, FMU e, é claro, a própria USP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escola planeja entrar pela primeira vez no sambódromo em 2007. E o tema do desfile é a história do carnaval, com uma mistura de cultura popular e erudita. Haverá desde alas de passistas representando o "entrudo", tipo de festa de rua da época do Brasil-Colônia, até alas do movimento Tropicalista, que virou febre no Brasil da década de 1970.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisar a história do carnaval para o tema aproximou a Acadêmicos dos verdadeiros acadêmicos, os professores universitários. De acordo com o presidente da escola, Dennis Albert, há professores conceituados da USP que querem participar do desfile. Entretanto, ele pede para que os nomes não sejam divulgados. "Os docentes têm medo de que a seriedade acadêmica acabe se eles abraçarem a idéia do carnaval", explica Albert, que é aluno do 5º ano de Letras da USP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele revela que o historiador José Ramos Tinhorão foi convidado para desfilar, assim como os músicos Chico César e Oswaldinho da Cuíca. Dentre os docentes, Albert confirma que convidou a professora de teatro Karen Müller, atualmente chefe do departamento de Artes Cênicas da USP. A intérprete do samba-enredo da Acadêmicos será a cantora Bernardete, "afastada do mundo musical há dez anos". A escola pretende retomar, por fim, alas desaparecidas das escolas de samba modernas, como a "ala pede-passagem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A divisão de alas será temática, de acordo com cada período do carnaval. Os futuros advogados desfilarão na ala dos Pierrôs, enquanto os médicos sairão vestidos de Arlequins. Os estudantes de História, Geografia, Sociologia e Filosofia estão na ala dos "pobres da coorte", enquanto os de Letras farão a ala do entrudo. Os estudantes de Comunicação e de Artes estarão na ala do movimento Tropicalista. Já os professores e funcionários desfilarão na ala do carnaval de Veneza, onde todos que quiserem podem usar máscaras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Albert, a escola de samba "é o maior projeto de integração artística das universidades de São Paulo que os estudantes já fizeram desde o fim do regime militar". Ele calcula que a Acadêmicos de São Paulo sairá com 13 alegorias, 27 alas, 300 pessoas na organização e 2.700 pessoas na avenida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre os passistas que vão ocupar o sambódromo, quase 200 são atores e bailarinos. O desfile tem até data marcada: 17 de fevereiro do ano que vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bateria da Acadêmicos terá 220 músicos, originários das próprias baterias estudantis das faculdades. "Contamos com a Rateria bateria da Escola Politécnica, a baterECA Bateria da ECA e a bateria da FMU para não fazer feio na avenida", ri o presidente. De acordo com ele, haverá um "curso de formação de ritmistas" a partir do 2o semestre, todas as quartas-feiras, para os interessados em fazer parte da bateria da escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mescla de popular e erudito também está na tal bateria. No meio dos bumbos, pandeiros e cuícas, haverá as vozes dos corais universitários, e até alguns violinistas - porém esses não serão uspianos, segundo Albert. "A quantidade de alunos e funcionários que desfilam em grandes escolas de samba ou tocam nas baterias é surpreendente", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ensaios da Acadêmicos de São Paulo começam em agosto e vão ocorrer às sextas-feiras, semanalmente. O local ainda vai ser definido, mas Albert diz que gostaria que fosse na Cidade Universitária da USP, em uma construção abandonada ao lado do Paço das Artes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os diretores da escola sabem que o conservadorismo nas universidades é enorme. Haverá críticas quanto ao desvio de foco do tripé universitário, baseado em ensino, pesquisa e extensão. Por isso, querem construir uma sede para a Acadêmicos fora dos muros da USP &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/carnaval1.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/carnaval1.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;até o ano que vem. "Nosso samba vai bater de frente com as escolas que se venderam ao mercado", diz Albert, que reforça o caráter erudito e "não-comercial" do enredo do desfile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros elementos que colocam a Acadêmicos num rol de seletos sambistas eruditos: as cores da bandeira, não por acaso iguais às da França; e a coruja, símbolo da escola e que também significa sabedoria. Até o hino da escola diz: "voa coruja querida / ecoa a cultura no ar / saber é a fonte de vida / viver é teu samba cantar!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como toda boa escola de samba, a Acadêmicos de São Paulo tem uma madrinha, que é a Rosas de Ouro. O batismo dos "sambistas universitários" acontece no mesmo dia do 35º aniversário da Rosas: no dia 22 de outubro deste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para participar dos ensaios ou ingressar na bateria, basta enviar um e-mail para &lt;a href="mailto:academicosdesaopaulo@uol.com.br"&gt;academicosdesaopaulo@uol.com.br&lt;/a&gt;. A Acadêmicos de São Paulo não está submetida a nenhuma reitoria nem recebe financiamento das instituições de ensino superior. &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115207690883715712?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115207690883715712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115207690883715712&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115207690883715712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115207690883715712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/07/usp-deve-entrar-no-sambdromo-em-2007.html' title='usp deve entrar no sambódromo em 2007'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115164151136234903</id><published>2006-06-30T01:21:00.000-03:00</published><updated>2006-06-30T01:25:11.376-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>novamente e toda vez</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia matou mais treze pessoas na semana passada, desta vez em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo. (Atente bem para as palavras grifadas a seguir.) Elas eram &lt;span style="font-style: italic;"&gt;suspeitas&lt;/span&gt; de tramar um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;possível&lt;/span&gt; assassinato de agentes penitenciários. A maior parte delas foi executada próxima ao Centro de Detenção Provisória da cidade, onde montavam uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;provável&lt;/span&gt; emboscada a alguns funcionários do presídio. Segundo os policiais, teriam &lt;span style="font-style: italic;"&gt;resistido&lt;/span&gt; à prisão. Outros três &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fugiram&lt;/span&gt;, foram perseguidos e assassinados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras grifadas revelam o nível de autoritarismo e truculência da polícia que nos protege. Os autodenominados "agentes da lei e da ordem" matam pessoas suspeitas de praticar um crime que sequer aconteceu. Matam. Matar é diferente de prender, só o que eles deviam poder fazer. Porém, matando, eles julgam, sumariamente. E matar nada tem a ver com justiça. Tem um pessoal aí que pede pena de morte no Brasil. Fingem que pena de morte não existe. Sempre existiu por aqui. Nem nos países em que a legislação prevê cadeira elétrica, injeção letal e que tais o Estado mata tanto. Aqui está a polícia que mais mata no mundo, a carioca e a paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os tribunais de rua. Não escutam, não dão chance para defesa. Desprezam o princípio elementar do direito - todos são inocentes até prova em contrário. É um resquício nojento da ditadura, esses 20 anos de atraso por que passou o país. A PM era autoridade absoluta e na calada da noite e até agora não se tocou que vivemos numa democracia - pelo menos é isso que está escrito na Constituição. Seqüestrava e matava naquele tempo, seqüestra e mata hoje. Mata, acaba com uma vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas democracia não é só voto. Aliás, um de seus maiores preceitos é o respeito à vida, acima de qualquer coisa. Essas treze pessoas tinham direito à vida. Ou não? Por que não? Só porque eram suspeitas? Quem disse que eram criminosas além dos próprios soldados que as executaram? E se por ventura fossem criminosas, teriam de ser mortas? Afinal de contas, existe ou não pena de morte no país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, ninguém jamais irá saber se elas eram culpadas ou inocentes de planejar a emboscada frustradas aos agentes penitenciários. Se a polícia os tivessem prendido, interrogado e principalmente investigado, quem sabe todos nós saberíamos, senão a verdade, algo mais próximo a ela. E mais um artigo sobre violência policial não teria sido publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aconteceu assim. Se as coisas funcionam dessa maneira, aqui foi mais um texto. Novamente e toda vez que a vida for desrespeitada por aqueles que acreditam que, matando pobre, está cumprindo seu dever e prestando um grande serviço para o país. &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115164151136234903?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115164151136234903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115164151136234903&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115164151136234903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115164151136234903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/novamente-e-toda-vez.html' title='novamente e toda vez'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115161420761530457</id><published>2006-06-29T17:46:00.000-03:00</published><updated>2006-06-29T18:06:22.113-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Júlia Tavares'/><title type='text'>jogo no anhangabaú: minha vez!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por júlia tavares&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;(escrito em 27 de junho, dia do jogo Brasil x Gana)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca foi obrigada a olhar para uma orelha por 45 minutos seguidos. Tampouco para a careca branca de um rapaz que se mexia muito. Aliás, nunca pensei que levantar as mãos em direção à cabeça fosse um reflexo tão comum. E tão mal-educado, afinal, não leva em conta pessoas baixinhas que estão tentando, de todas as formas possíveis, enxergar um pedaço do telão durante os jogos da Copa em pleno Anhangabaú. Pois é. Em Brasil x Gana, foi a minha vez de matar a curiosidade de fazer parte da massa que aparece feliz da vida nos intervalos by Galvão Bueno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco minutos antes do início era tudo alegria. Já tinha descolado um cantinho perto da cerca de metal que dividia a multidão composta de brasileiros sem-teto, moradores de rua e trabalhadores que escaparam de bancos e órgãos públicos do Centro de São Paulo. Aliás, muita gente com cara de classe média também dava o ar da graça, como as meninas loiras com blusinhas do Brasil. Um camarote da Brahma no vale lembrava badalação patrocinada de carnaval. Tão Brasil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do apito inicial, no entanto, uma nova onda de gente encobriu os dois terços inferiores da visão do telão. A cabeça fazendo força para arrumar brechas. “Abaixa a corneta!”, gritávamos eu e as pessoas menores que 1,60m. Os homens altos ajudaram narrando alguns lances. O gol, por exemplo, foi um grande esforço de imaginação. Só sei que aconteceu porque o povo pulou e estourou rojões – já? Em cinco minutos? E dá-lhe objetos voadores perigosos no ar. Meu deus do céu: precisa lançar copo de cerveja?! Mas logo era jogo de novo, ou melhor, a careca e a orelha. Viro para um casal do outro lado da cerca: dá para ver daí? Dá sim, dizem. Bom, mas não dava pra chegar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abandonei os colegas cabeçudos para ver o segundo tempo em algum boteco, outro gol imaginário. Por sorte me levantaram para espiar o replay. Mas o pescoço estava tenso e os pés, um tanto dormentes. Saio com vários outros desistentes, enquanto um grupo maior entra e passa pela revista policial. Há sempre brasileiros malucos querendo beber do sentimento BRASIL-SIL-SIL... Certo eles.&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115161420761530457?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115161420761530457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115161420761530457&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115161420761530457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115161420761530457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/jogo-no-anhangaba-minha-vez.html' title='jogo no anhangabaú: minha vez!'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115109244754044803</id><published>2006-06-23T16:51:00.001-03:00</published><updated>2006-06-23T16:54:56.766-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Hugo Fanton'/><title type='text'>“a américa latina é o laboratóriodos países desenvolvidos”</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;por hugo fanton, desde frankfurt&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Há um mês encontrei-me com um professor para entrevistá-lo. Atrasado, pedi desculpas e dei início à conversa, um tanto quanto envergonhado. Mas não houve problemas, já que o simpático peruano tinha muito a dizer. Minha tarefa era ter bastante atenção e registrar importantes palavras, que revelaram o pensamento alemão sobre a América Latina e trouxeram sugestões aos profissionais de comunicação, dentre outros assuntos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Minha idéia inicial era fazer uma série de perguntas, mas isso não foi necessário. Bastou uma. Após cerca de três horas de conversa, fiz a segunda e última questão, dando-me por satisfeito. Poderia aderir a uma prática comum nas redações e fingir que fiz uma entrevista tradicional. Para isso, pegaria trechos da conversa e inventaria perguntas que não foram feitas. Seria mais fácil pra mim e rápido para o leitor. Entretanto, trata-se de um blogue, sem editor nem dinheiro envolvidos. Permito-me, então, cometer o absurdo de escrever dois parágrafos sem nem ao menos dizer o nome do entrevistado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;“Sou dos Andes peruanos, Jauja, a 3.320 m do mar. Em 1982, fui a Lima para estudar filosofia e teologia, pois queria ser sacerdote”, essa foi a primeira frase de Hugo Pariona, cientista adjunto (Wissenschaft mitarbeiter) da Johann Wolfgang Goethe Universität, de Frankfurt, que enfrenta a difícil tarefa de tornar a América Latina um assunto interessante para os alemães.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;“Porém, não estava contente com a Igreja Católica peruana, muito conservadora, semelhante à época medieval, e desisti de ser sacerdote. Passei a estudar a educação. Cheguei a trabalhar como professor, mas meus métodos não agradavam e tive problemas em escolas peruanas. Então, vim pra Alemanha em 1992 e estudei por quatro meses. Conheci estudantes de direito, que viajaram comigo de volta ao Peru, onde permaneceram por seis semanas”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Você, leitor, está lembrado daquele programa da TV Cultura: “Senta que lá vem história”? Após essas primeiras palavras percebi que o papo iria longe. Conferi o gravador, acomodei-me no sofá, deixei delado a relação de perguntas e anotei o que segue.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;“Sofri um acidente de carro e fiquei em coma induzido, sete meses na cama. Os médicos disseram que tinha um tumor no meu cérebro, mas minha mãe não autorizou a operação. Resolvi ir à Alemanha após sugestão de um médico. Meus amigos aconselharam-me a viajar como turista e enviar documentos à faculdade, para conseguir visto de estudante e poder fazer todo o tratamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Aos poucos, aprendi a língua. Pude ingressar na Universidade e dar continuidade ao tratamento, que duraria mais de quatro anos. Entrei em psicologia. Fiz quatro semestres e desisti, pois tratava-se de umapsicologia muito experimental. Passei a estudar pedagogia e política. Interessava-me por ciência política para poder voltar e fazer política no Peru. O problema é que na América Latina, em geral, as pessoas não aprendem política para entrar na política. Elas têm dinheiro e isso as credencia para disputar o poder. Terminei o curso em cinco anos”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Ao leitor que se empolgou, peço desculpas. Devo cortar o texto. O lado direito do meu cérebro manda que eu continue sem me preocupar com o restante do blogue. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Mas devo conter-me em respeito aos outros textos. Na parte cortada, que este parágrafo substitui, o professor diz estar interessado por ecologia social e métodos de transdiciplinaridade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;“Passei a estudar métodos de comunicação, porque sofremos da falta de informação correta, de conhecimento. O problema na América Latina é que nos bombardeiam com informações que não são úteis, supérfluas ou não decodificadas. A maioria da população só tem acesso a notícias muito supérfluas ou muito complexas. Outro problema na América Latina é a existência de fronteiras não necessárias, que barram o fluxo do conhecimento entre os países”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Novo corte. Pariona diz agora ter interesse em diferentes teorias, como a dos sistemas, que sugere o transporte dos métodos das ciências naturais, sobretudo, às sociais. Além do estudo dos sistemas de relações internacionais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;“O Brasil é um jogador adequado no mundo. Econômica e cientificamente é o único na América Latina que pode competir com o restante do planeta. Precisamos trabalhar com outros conceitos na América Latina, que tratam de interdependência. Mas não como os países industrializados, que trabalham com interdependência apenas econômica. Um novo conceito abrangendo cultura, política e área social.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Interesso-me, principalmente, pela teoria da democracia e processos de democratização. Isso supera conceito de desenvolvimento. Os países ricos têm sistema democrático que funciona. Devemos medir processos que possam nos levar a ter sistema que funciona. Disso virá o desenvolvimento. Apesar de termos meios adequados, na América Latina tudo ocorre de forma muito lenta. Há pensamento de que se economia não funciona, não há desenvolvimento”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Sugiro agora ao leitor que preste bastante atenção nas palavras que seguem. Nunca enxerguei nossas “resoluções” com esses olhos. Lá vai:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;“As pessoas não percebem que já tentamos de tudo. A América Latina é a região dos experimentos. Muitos teóricos dizem isso aqui. Trata-se da região em que os países desenvolvidos experimentam algo que não podem testar em seus países. É o laboratório dos países desenvolvidos. E a América Latina não aprende, não vê que já tentou de tudo. Procura sempre novos princípios econômicos. Mas não se dá conta de que é a democracia, são as instituições que garantem as regras do jogo, para todas as partes do sistema – ecologia, política, trabalho, etc.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Devemos criar uma base. O mundo desenvolvido, antes de tudo, se dedicou à democratização. Na América Latina só podemos apontar duas democracias consolidadas: Uruguai e Costa Rica. Quem diz isso são teóricos da democratização, apoiados em critérios políticos adequados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de há 20 anos ter ocorrido a abertura democrática, o Brasil, por exemplo, ainda convive com máfias que se organizam contra o sistema policial. O Estado de Direito funciona em certa medida. O sistema democrático não consolidou-se. Os políticos do Brasil não têm uma carreira dentro de seus partidos, que tenham se legitimado na sociedade. Mas apenas representantes de interesses próprios. Alguém que paga a própria campanha e vence a eleição. Parlamentares que são ao mesmo tempo donos de empresas, fábricas, grandes fazendas e meios de comunicação. Há eleição e processos democráticos, mas falta legitimação”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Neste momento há uma pausa. Não na conversa, mas na argumentação, que passa à identificação mais detalhada de nossos problemas, introdução no tema “imprensa” e apontamentos de possíveis soluções. Devido ao tamanho, corto aqui a primeira parte e, na próxima semana, publico o restante. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115109244754044803?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115109244754044803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115109244754044803&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115109244754044803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115109244754044803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/amrica-latina-o-laboratriodos-pases.html' title='“a américa latina é o laboratório&lt;br&gt;dos países desenvolvidos”'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115108276439969241</id><published>2006-06-23T14:08:00.000-03:00</published><updated>2006-06-23T14:12:44.430-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>questão de angústia</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;era terça-feira e eu voltava do trampo pra casa, às oito e meia, mais ou menos. subi no busão, abri um livro e fiquei lendo. não tinha muita gente, nada apertado. tava de boa. então entra um vendedor. carregava com uma caixa de doces.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;"pra vc que está saindo do trabalho agora e tá com fome, tenho aqui um docinho de qualidade pra enganar o estômago até o jantar." tinha apenas alguns centavos no bolso e estava com fome. resolvi comprar somente uma das quatro paçocas que ele vendia por um real. dei quarenta centavos. ele resolveu me dar duas paçocas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- tá estudando, né?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- tou, respondi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- estudante sempre tem desconto. vc estuda o quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- jornalismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- pô, que legal. já que vc é jornalista, vou te falar uma verdade. uma verdade daquelas que não existem, sabe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;fiquei intrigado e curioso. ele veio:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- sabe por quê a sptrans proíbe a gente de vender doces no ônibus?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- por quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- porque a prefeitura não quer que as pessoas vejam que existe gente desempregada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;"pode ser verdade", pensei. quer dizer, uma das verdades. ainda mais em dias de hoje, em governos como esse, que emparedam a pobreza. porque não quer que a elite veja o resultado da ordem social que beneficia uns e exclui outros. pobreza, sim, mas não na paulista, não no metrô, não no centro. quer ser pobre, seja, mas longe da porta da minha casa. é triste. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;-- legal que vc vai ser jornalista, porque a esperança do povo está no trabalho dos jornalistas, cara. pensa nisso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;vendeu mais alguns doces e saiu, o cara que não tinha mais de 25 anos e já se encontrava sem perspectivas. me deixou com a responsabilidade profissional ainda mais pesada e com a certeza do quê o jornalismo deve fazer. com urgência. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115108276439969241?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115108276439969241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115108276439969241&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115108276439969241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115108276439969241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/questo-de-angstia.html' title='questão de angústia'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115100014911627070</id><published>2006-06-22T15:13:00.000-03:00</published><updated>2006-06-22T15:17:09.680-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>o futebol é inocente</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;É besteira dizer que futebol é ópio do povo. Ninguém deixa de se preocupar com política por causa do futebol. Se a Copa do Mundo ganha todos os espaços da mídia de quatro em quatro anos, não é culpa do futebol. As pessoas normalmente já estão se lixando para o que acontece por aí. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;É absolutamente normal, num país em que ninguém se preocupa com a coletividade, que os jogos da Alemanha ganhem todos os espaços. Os jornais também não colaboram. Sua cobertura política não vai muito além de Brasília. O que acontece fora dos núcleos duros do poder nem sempre chama atenção. Como durante a Copa as coisas ficam mais lentas entre os parlamentares, o conteúdo dos jornais refletem a morosidade – e escolhe a Copa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O comportamento da mídia, não é difícil perceber, é um reflexo do comportamento da classe-média do país – que tem voz, que é dona da imprensa. E o que é a classe-média? Grosso modo, podemos dizer que é o setor mais individualista da sociedade. Parodiando a música de Max Gonzaga, são pessoas que não estão nem aí se morre gente ou tem enchente nos bairros pobres, que querem que se exploda a periferia inteira, mas que ficam indignadas com o Estado quando são incomodadas pelo mendigo que estende a mão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;É fácil e mentiroso colocar a culpa na Copa, no peso do Ronaldo, nos comentários infames do Galvão. Aliás, o futebol mesmo é um retrato do país. Vejamos nossos jogadores. O Brasil é mestre em revelar talentos e vendê-los a preço de banana para o exterior. Lá eles se valorizam e jamais voltam a mostrar sua arte em gramados tupiniquins, a não ser no fim de carreira. E na economia, não é assim? O Brasil produz matérias-primas a dar com pau e exporta tudo. Lá, elas são trabalhadas, agregam valor e são revendidas aqui para uma pequena parcela da população que pode pagar. O que são jogadores como Ronaldinho e Kaká senão matérias-primas da bola altamente valorizadas no mercado internacional?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Existem vários poréns em relação à Copa. O campeonato se transformou muito mais numa grande festa comercial do que um acontecimento futebolístico. Basta vermos quantas exibições artísticas vimos em Frankfurt, Hamburgo, Gelsenkirchen... Nenhuma. Todos os times jogando feio, querendo ganhar em vez de incrementar o espetáculo. É o esquema do capital transnacional, que, afinal de contas, banca todas as jogadas que vemos pela tevê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O futebol, no fim das contas, é mais vítima que algoz. Foi instrumentalizado, só pode ser chamado de “arte” em nossa memória distante. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115100014911627070?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115100014911627070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115100014911627070&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115100014911627070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115100014911627070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/o-futebol-inocente.html' title='o futebol é inocente'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115066007252225663</id><published>2006-06-18T16:38:00.000-03:00</published><updated>2006-06-18T17:13:24.850-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Hugo Fanton'/><title type='text'>três histórias de copa do mundo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;por hugo fanton, desde frankfurt&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O susto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrondo. Gritos. Acordo assustado, sem distinguir ao certo sonho e realidade. Hesitante, caminho à minha janela. Abro a cortina e me deparo com a morte. Desde que cheguei emFrankfurt, ouço histórias de pessoas que se suicidam na moradia de estudantes. Parece ser tradição por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De longe, o rosto transmite uma incompreensível paz. São instantes eternos em que minha alma é bombardeada por todo tipo de sentimento. Meu espírito sofre por não saber qual pensamento ou reação trará a paz que a instantes tinha em meu tranqüilo sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente não sei no que pensar. Não faço idéia de como decifrar um enigma que pode nem mesmo existir. Continuo a olhar o corpo. Algumas pessoas caminham como se não houvesse nada no local. É a vida, que teima em enfrentar a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tem estréia do Brasil na Copa. Ao voltar da magra vitória por 1 a 0, passo pelo local. Há velas e flores. Faço o sinal da cruz e lembro que vivo. Ou o contrário. Essa tal de Copa me faz esquecer obviedades. E a vida se encarrega de me lembrar.&lt;br /&gt;Vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As crentes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preguiça. Hoje verei o jogo na casa do Thiago. Estou cansado de ir ao telão. Paro no ponto do metrô de rua e ouço minha língua. Penso que o maior choque ao voltar ao Brasil será ouvir pessoas falando português ao meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não caso com alguém sem Deus.&lt;br /&gt;- Mas é tão bonito converter um namorado.&lt;br /&gt;- Mas a pessoa precisa ter o chamado. Namorar alguém sem o chamado é impossível.&lt;br /&gt;- Já namorei um cara que não estava com Deus. Mas ele me respeitava.&lt;br /&gt;- A própria bíblia diz pra não se misturar.&lt;br /&gt;- Mas ela está falando dos judeus, é outra história.&lt;br /&gt;- É, mas pra mim tem que ter o chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assunto muda. Passam a falar da beleza dos alemães.&lt;br /&gt;Entro no metrô. Em cinco minutos estou no destino. Desço acompanhado pelas brasileiras. Dirijo-me à primeira televisão para ver se o jogo começou. México e Angola 0 a 0.&lt;br /&gt;- Você é brasileiro?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Vimos seus traços. Então você ouviu tudo o que a gente falou?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Ai, que vergonha.&lt;br /&gt;- Vocês moram aqui?&lt;br /&gt;- Não, somos missionárias. Viemos fazer um trabalho aqui na Copa.&lt;br /&gt;- Que legal. Interesso-me bastante por religião. Que tipo de trabalho estão fazendo?&lt;br /&gt;- Temos uma barraca nas margens do rio e atendemos as pessoas. Se der, passa lá pra visitar a gente.&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de Deus me domina por instantes. Lembro-me que não fui à missa no último domingo. No próximo, tem jogo do Brasil com a Austrália.&lt;br /&gt;Será que o México fez um gol?&lt;br /&gt;E, assim, as idéias vão se transformando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O humorista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo. Desta vez sem barulhos. Ligar o computador é, como sempre, meu primeiro ato do dia. Ao procurar as últimas notícias da Copa, deparo-me com a Morte. Ou é a Vida? Meus pais são os primeiros a vir à mente. E a idéia de Deus volta. Mas por instantes.&lt;br /&gt;Lembro-me de uma conversa que tive ainda quando criança. Meu irmão me dizia que o Bussunda era inteligente e entendia de política.&lt;br /&gt;- Jura, Dan?&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mundo mudou. Impressionante como o mundo da criança muda. A cada descoberta, uma nova pessoa surge. Novos parâmetros. Quando será que a gente perde esse magnífico poder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Morte desnuda a Vida.&lt;br /&gt;A incompreensão volta.&lt;br /&gt;Sinto Deus. E tudo o que eu queria era saber se o Ronaldo tinha treinado bem... &lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;strong&gt;[r]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115066007252225663?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115066007252225663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115066007252225663&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115066007252225663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115066007252225663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/trs-histrias-de-copa-do-mundo.html' title='três histórias de copa do mundo'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115029751915780674</id><published>2006-06-14T12:00:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T12:05:19.200-03:00</updated><title type='text'>carta abierta a mi hija que esta en las calles</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51); font-family: verdana;"&gt;por manuel gerrero antequera, desde santiago&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Con el alma en un hilo te escribo estas palabras mientras te encuentras en paro nacional movilizada en las calles, en las marchas, en las tomas de liceos con tu uniforme escolar de primero medio luchando por aquello que yo ni mi generación fuimos capaces de conseguirte: una educación de calidad.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Y me siento miserable tecleando en este computador como si fuera un piano vacio de cuerdas que ya no tienen resonancia ni peso especifico necesario como para poner orden en este mundo, pues es en clases donde debieras estar, jugando con tus amigas, coqueteando dulce con tus amigos, descubriendo los primeros pétalos del amor...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pero entiendo, no sabes como entiendo lo que haces junto a decenas de miles de maravillosos pingüinos auto organizados. A rostro descubierto enfrentan una maquinaria muy bien diseñada y aceitada por quienes desde la sombra ejercen el poder, ejercen la desorganización y la falta de solidaridad como estrategias de reproducción de la dominación.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Como es posible que haya quienes concertadamente quieran que la mayoría de ustedes, el futuro de nuestras vidas, la flecha que abrirá a la humanidad a nuevos rumbos, permanezcan ignorantes, solo fijados a una identidad de consumidores, aislados, farandulizados, enajenados del real potencial que albergan en sus almas y cuerpos, para ser eximios profesionales, artistas, constructores, obreros calificados...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No hija mía, que no te engañen, no fue por este orden de cosas que morimos segundo a segundo la infancia que tuvimos bajo dictadura y que hicimos frente, a tus mismos catorce años, rompiendo el miedo, creando conciencia, volviéndola organización, reencantando la confianza en el colectivo, para exigir pan, trabajo, justicia y libertad. Tu abuelo no aguanto con los dientes apretados las descargas eléctricas para que hubiera generaciones de estudiantes de primera, segunda, tercera y cuarta categoría en democracia. Tu bisabuelo no aprendió a leer y a escribir en forma autodidacta y a organizar a la FECH a principios del siglo XX para que al siglo siguiente se mantuviera la diferencia de clase, apellido, comuna y etnia de origen como los principales pilares de segmentación de la educación y el mercado laboral en el país. Tampoco tu tatarabuelo, Manuel Jesús, hizo trizas sus rodillas de zapatero militante a fines del siglo XIX para que hubiese niños que en el siglo XXI tienen que trabajar para poder pagar sus estudios y mantener a sus familias...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Mucho se habrá avanzado, pero es más lo que queda por hacer. Que no te cuenten cuentos para cejar en tu batalla. Ustedes están en lo justo, en lo correcto, en lo que como pueblo, generación tras generación, hemos bregado para nuestro país y la humanidad.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tampoco tuvimos yo, tu abuelo, tu bisabuelo y tatarabuelo los medios de comunicación de masas a nuestra disposición; la derecha en forma oblicua o directa siempre se encarga de hacer circular mensajes confusos para dividir y quebrar a los movimientos sociales. El centro político, por su parte, siempre te seguirá hasta que sus tibios y confortables intereses no se vean perjudicados. La izquierda, por ultimo, tradicionalmente ocupa los espacios abiertos por las masas auto organizadas para presionar a los gobiernos de turno a seguir su propia agenda programática, pero sin someterse al liderazgo, conducción y ritmos de estas masas conscientes. Ya lo estarás conociendo hija mía, ojalá esta vez fuese distinto...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pues, es lo que ocurrió con el movimiento de los igualitarios en el XIX; con los obreros y estudiantes a principios del XX; con los campesinos en la segunda mitad del siglo pasado; con los pobladores, bajo la dictadura...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Estamos orgullosisimos de ti hija mía, de Maria Jesús y todos tus compañeros y compañeras a lo largo de todo Chile y los cientos de liceos y colegios movilizados. Continúen guiándose por la intuición responsable, en el respaldo que les otorgan sus propias fuerzas. Hagan suya la memoria, comprensión, imaginación y voluntad colectiva que en forma plural han ido abriendo caminos de mayor justicia social, democracia y solidaridad en Chile. No necesitan estar permanentemente movilizados, pueden descansar, celebrar, reflexionar, evaluar, aprender, y luego volver a actuar. Recuerda que ni Roma ni nada sólido se construyo en un día. Y no necesitamos más mártires, los queremos vivos y sanos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ustedes lo han hecho mejor que todos nosotros. Ustedes nos están aleccionando al mundo adulto, nos han devuelto la esperanza y la confianza que los fines más idealistas se pueden obtener con los medios más concretos y realistas si hay voluntad, tolerancia y organización. Nos han vuelto a abrir la fe individual y colectiva que reconoce la obligación de trabajar por la justicia en el mundo. Vemos como ustedes, hombres y mujeres en formación ya dedican sus vidas al servicio de otros, sobre todo a los que tienen mayor necesidad, los pobres y marginados, y como les incomoda la consolidación de situaciones de privilegio. ¡Que buena nueva!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;"El cobre por el cielo y la educación por el suelo", "Ahora es cuando"... Ay hija may, gracias por todo esto. Tengo el alma en un hilo y desde la admiración humilde por todo lo que han logrado movilizar, estoy cierto que somos muchos y muchas de todas las edades que hoy renovamos ante ustedes nuestro compromiso de hacer todo lo necesario para alcanzar una sociedad en que la educación sea excelencia para todos, que asegure el desarrollo mas completo posible de todas las dimensiones de la persona, unido al desarrollo de un sentido de los valores y del compromiso al servicio de los demás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;No descansare hija mía hasta que esta sociedad otorgue prioridad a las necesidades de los pobres y haya cada vez mayor cantidad de personas dispuestas a sacrificar el propio interés por la promoción de la justicia. Te lo prometo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Tu padre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Santiago de Chile, 5 de junio 2006 &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0); font-family: verdana;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;a style="color: rgb(204, 153, 51);" href="http://santiago.indymedia.org"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: verdana;"&gt;centro de medios independientes de santiago, chile&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(204, 153, 51); font-family: verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115029751915780674?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115029751915780674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115029751915780674&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115029751915780674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115029751915780674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/carta-abierta-mi-hija-que-esta-en-las.html' title='carta abierta a mi hija que esta en las calles'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115028858747757565</id><published>2006-06-14T09:29:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T12:16:30.513-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Júlia Tavares'/><title type='text'>15h15 no ônibus perus-lapa:dia de estréia da seleção</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;por júlia tavares&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/onibus1.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A placa que avisa a lotação máxima do ônibus neste 13 de junho à tarde também estava de folga e não apitou coisa nenhuma. Na altura da Alfonso Bovero com a Cotoxó, a moça de camiseta amarela quis entrar de qualquer jeito. “Tô aqui desde as duas e meia, os outros dois nem pararam”, protesta. “Vai pra frente, pessoal, tá vazio lá atrás”, alguém pede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee”, um povo grita. “Vazio nada!!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!! – comemorou-se, quando alguém ameaçou abrir o teto-móvel do ônibus para ventilar, a resmungos do motorista. O único profissional em exercício enquanto a cidade toda estava liberada do escritório pedia cuidado pra não quebrar aquele alçapão do teto. Mas era tudo farra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que aperto. “Assim, só com uma gelada!” Empurra daqui, de lá, sempre um sufoco cada vez que mais um torcedor queria entrar no Perus. Coitado, vai perder o jogo? “Não pára não, motorista, vam´bora!”... e quando ele arrancou, de porta aberta com gente pendurada, parecia até fazer favor. Ao menos, parou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando a Pompéia e entrando nas quebradas e curvas forçadas do bairro de vovôs, a festa era repetir o "aeeeeeeeeeeeeeeeeeee!" para todo carro que buzinava – todos devidamente uniformizados, bandeira, etc e tal. Aperto, risada, risada, resmungo. Mais risada que resmungo. “Vamo que não quero perder o jogo”. A cobradora usava faixinha verde-amarela de tricô no cabelo, magrinha que só; não fosse o jaleco da cooperativa, ninguém diria que era cobradora oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de uma vez o motorista não parou no ponto. "Motoristaaaaaa!!! Olha o ponto!!!!" Parava metros depois e o coitado preso na lata de sardinha ainda saía com despedidas e torcidas e gritos de “sorte pra gente!!”. Todos brasileiros, todos amigos. Quando dois passageiros entraram com apito, um camarada se animou: “cadê a moça da corneta?” Do lado da cobradora, eis que a dona do instrumento de plástico com grife 25 de março abre um sorriso enorme pra logo cornetar. "Fooooooooooooooooom!" Mais risada. Seguiriam assim até a Lapa... Até Perus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Deus quisesse, chegariam à TV antes das 16h, horário de Brasília. Sabe-se lá que horas seriam em Berlim. &lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115028858747757565?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115028858747757565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115028858747757565&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115028858747757565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115028858747757565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/15h15-no-nibus-perus-lapadia-de-estria.html' title='15h15 no ônibus perus-lapa:&lt;br&gt;dia de estréia da seleção'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115012384716109723</id><published>2006-06-12T11:42:00.000-03:00</published><updated>2006-06-12T14:46:55.120-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>adeus, chico mendes! (2)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Do topo de um prédio em ruínas no mesmo terreno, três militantes jogaram vários pedaços de papel picado. Como se a burocracia fosse, por fim, enterrar o acampamento. Um dos três gritava, sem sucesso, a um policial munido de uma câmera, que fotografava o senhor Romilde sobre seu cavalo: “Vai embora, seu pelego! Vai embora!”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Meia hora depois que a encenação terminou, o “Pedro de Lara” riu, enquanto caminhava na multidão que se espremia por um corredor de policiais. “Os polícia querem que a gente saia mas tá difícil passar”. E a tropa de choque observou, impassível, a formação da marcha final dos moradores da Ocupação Chico Mendes rumo ao centro de Taboão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Abaixo, mais fotos do fim da Ocupação Chico Mendes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;1) Os sem-teto, em marcha rumo a Taboão, receberam apoio de vários militantes;&lt;br /&gt;2) Enquanto isso, os tratores da prefeitura estavam a postos para derrubar os barracos;&lt;br /&gt;3) A fumaça dos barracos queimados quase engole o prédio.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/poderpopular.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/poderpopular.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/trator.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/trator.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/predio.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/predio.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na avaliação dos sem-teto, a ocupação foi uma vitória política, econômica e de organização. O coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Jota Batista, líder dos sem-teto, diz que a Ocupação Chico Mendes contribuiu para a reforma urbana no Brasil. Para o movimento, não basta receber casas se não houver um plano federal que garanta moradia digna para todos, e se as famílias não se organizarem para reivindicar esse direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações sobre a ocupação Chico Mendes em:&lt;br /&gt;1) &lt;a href="http://www.mtst.info"&gt;Website do MTST&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;2) Reportagens &lt;a href="http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=9581"&gt;1&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=10316"&gt;2&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=11414"&gt;3&lt;/a&gt; sobre a luta dos acampados em Taboão. &lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115012384716109723?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115012384716109723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115012384716109723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115012384716109723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115012384716109723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/adeus-chico-mendes-2.html' title='adeus, chico mendes! (2)'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-115012232912327285</id><published>2006-06-12T10:09:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T09:52:32.876-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>adeus, chico mendes! (1)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Depois de oito meses e dez dias de resistência, a Ocupação Chico Mendes, localizada em Taboão da Serra, município da Grande São Paulo, terminou na sexta (9) com forte emoção entre os sem-teto. As lágrimas marcaram o tom do ato simbólico preparado pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), que realizou a encenação da morte do acampamento. As duas primeiras imagens estão abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;1) A Ocupação Chico Mendes, já vazia, foi derrubada pouco depois desta foto;&lt;br /&gt;2) Um garoto sem-teto observa a organização da marcha final do acampamento.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/acampamento.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/acampamento.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/brasil-mtst.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/brasil-mtst.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/acampamento.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/marchavistadecima.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escolhido para personificar “Chico Mendes” foi Romilde Francisco dos Reis, um senhor de meia-idade e bigode, trajado com um chapéu, roupa de vaqueiro e botas. Seu personagem simbolizou a luta das 860 famílias resistentes da ocupação, cuja força foi comparada à do seringueiro, morto na década passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montado em um cavalo, senhor Romilde, conhecido como “Pedro de Lara” pelos outros sem-teto, carregou uma bandeira do MTST e foi simbolicamente “alvejado” pelos militantes que encarnaram as “ordens de reintegração de posse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A encenação durou apenas alguns minutos, mas foi o suficiente para transmitir a mensagem carregada de emoção que todos os presentes sabiam: a morte da Ocupação Chico Mendes foi feita com palavras, e as armas usadas foram papel e tinta. O que matou o acampamento foram as seguidas ordens de reintegração de posse, as difíceis negociações com a Polícia Militar, a prefeitura de Taboão da Serra e o governo de São Paulo. &lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-115012232912327285?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/115012232912327285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=115012232912327285&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115012232912327285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/115012232912327285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/adeus-chico-mendes-1.html' title='adeus, chico mendes! (1)'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114987643027080753</id><published>2006-06-09T15:04:00.000-03:00</published><updated>2006-06-09T15:19:44.516-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Hugo Fanton'/><title type='text'>altos e baixos de um furãoou às margens da alegria</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);font-family:verdana;" &gt;por hugo fanton, desde frankfurt&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um dia em que aconteceu de tudo. Conversas com ídolos, ameaça de prisão, uma negativa desoladora e uma meta atingida. Vivi muitas horas de briga entre a tristeza e a alegria, entre meu lado profissional e meu lado torcedor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quarta-feira fui à Königstein com uma grande esperança: conseguir uma credencial para cobrir os treinos do Brasil. Estudante de jornalismo que sou, gostaria muito de participar da cobertura da Copa. Torcedor fanático, queria ver os craques da seleção de perto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assim que cheguei, os representantes da cidade me informaram ser o Rodrigo Paiva, assessor de imprensa da CBF, o único que poderia me dar a credencial. Fui, então, ao centro de treinamentos do Brasil à procura do assessor. Tentei entrar no local reservado a jornalistas, mas os seguranças me barraram. No caminho de volta, encontrei Tostão, para quem pedi, sem sucesso, o telefone de Paiva. Minha última tentativa na entrada principal foi o Fernando Calazans.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Muito solícito, o colunista chegou até a pegar um papel com meu telefone, para entregar a Paiva. Saí de lá extremamente agradecido pela disposição do Calazans, mas certo de que não receberia a ligação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao deixar a entrada principal do centro de treinamentos, parecia que a sorte voltara. Encontrei uma grade aberta, sem policiais por perto, e rapidamente entrei. Havia mais barreiras à frente, porém já bem perto dos jogadores. Cheguei ao lado oposto da zona mista, onde os craques da seleção davam entrevistas. Nesse momento, o Hugo jornalista simplesmente ignorava o torcedor. Estava com o ídolo Ronaldinho na frente, mas apenas gritava: Rodrigo Paiva, Rodrigo Paiva!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não consegui falar com o assessor. Andei, então, pela escola que contorna o CT e achei um último portão aberto, já no gramado. Entrei, mas um cachorro me denunciou. Cerca de cinco policiais vieram correndo me pegar e continuei caminhando, como se nada estivesse acontecendo. Fui parado já próximo dos jogadores. Dessa vez, não tinha conversa. Os seguranças acionaram a polícia para me prender.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Já nervoso, gritei pelo nome de Paiva, na última tentativa de conseguir a credencial. E, como que por milagre, fui atendido. Entretanto, o golpe final no meu sonho de jornalista veio com a resposta: “Não posso te arrumar a credencial. Faria alguma coisa se pudesse te ajudar”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Você pode me ajudar, sim! Não deixa me prenderem, por favor!”, respondi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Paiva, além de me livrar dos policiais, disse que eu poderia ver o treino. Sentado no melhor lugar da arquibancada, meu lado torcedor não conseguia vencer a batalha contra meu lado jornalista. Assisti triste à apresentação dos jogadores, lamentando estar de fora do Mundial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O mais interessante era que eu, sem credencial, estava no melhor lugar para ver as movimentações. Pela proximidade com o campo e pelo silêncio (estava só, apenas com alguns funcionários da CBF) pude ouvir até as conversas dos jogadores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O ambiente da seleção pareceu ser o melhor possível. Durante todo o treino ouvi brincadeiras entre as estrelas do Brasil. Ronaldo e Adriano faziam piadas entre si e com Júlio César. Certa hora, Ronaldinho deu um passe bem longo a Cafu, enquanto outros jogadores gritavam: “é um garoto”, “olha como corre”. Já Robinho, ao sair do treino, desafiou Roberto Carlos a enfrentar suas famosas pedaladas. O lateral fugiu do desafio ouvindo gritos de “arregão” vindos dos jogadores que faziam alongamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ronaldo foi um dos primeiros a sair de campo. O Hugo jornalista voltou à tona e fiquei na esperança de entrevistá-lo. Foi aí que aconteceu o mais interessante. A presença do ídolo trouxe a intimidação que muros, seguranças e policiais não tinham despertado em mim. Estava decidido a falar com o jogador, mas o Hugo torcedor dizia: é o Fenômeno. Isso me intimidava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ouvi, então, o craque comentar com assessores que não estava com muita vontade de dar entrevistas. Foi o suficiente para o fã vencer a batalha psicológica e eu desistir. Antes de ele sair, ainda falei:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ô Ronaldo, essa Copa é sua, você vai arrebentar!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Obrigado, respondeu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A alegria de um torcedor voltara. Vi todos os jogadores passarem a poucos metros. Quando o treinador chegou perto, perguntei:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Depois da Copa vai pro Timão, né Parreira?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Vamos ver - disse sorrindo o comandante da seleção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ao deixar o local, bastante contente por ter conversado com ídolos, um assessor de Paiva me disse para não voltar a fazer aquilo. O “jornalista” frustrado voltara a dominar meu ser. Assim, as duas faces de uma mesma pessoa seguiam numa eterna briga. O torcedor triunfante e o repórter que falhara disputavam por qual sentimento me dominaria. Até eu encontrar o editor do saite Trivela.com, Carlos Eduardo Freitas, para quem contei meu dia. Freitas insistiu que eu não deveria ficar triste, já que tinha uma boa história. “Era, outra vez, a alegria”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);font-family:verdana;" &gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114987643027080753?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114987643027080753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114987643027080753&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114987643027080753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114987643027080753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/altos-e-baixos-de-um-furoou-s-margens.html' title='altos e baixos de um furão&lt;br&gt;ou às margens da alegria'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114987545096090425</id><published>2006-06-09T14:48:00.000-03:00</published><updated>2006-06-09T14:50:50.986-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>violência daqui, violência dali</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51); font-family: verdana;"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Violência nunca é bem-vinda. Verbal, física, psicológica, moral, não importa. Ela quebra com a ordem democrática, despreza o diálogo e rememora épocas em que se resolviam os conflitos antes do surgimento da política. Prejudica o interlocutor. Por isso, socos, pontapés e ofensas devem ser deixados de lado em prol do debate civilizado. O confronto deve ser sempre o das idéias, nunca o da força.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O que aconteceu na terça-feira na Câmara dos Deputados é triste e perfeitamente repudiável, porque violento. No entanto, a ação do MLST (Movimento pela Libertação dos Sem-Terra) não deve ser analisada somente pelo viés do quebra-quebra empreendido em Brasília.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;As imagens são fortes e apelam para isso. Um carro sendo empurrado pra dentro do Congresso, uma moça destruindo terminais de computador, vidros quebrados, seguranças saindo de maca. O que já é aterrador por si só fica pior com os comentários da repórter da Globo. “Eles não têm medo de mostrar o rosto”. Transformam os manifestantes em bestas tresloucadas com apetite destrutivo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Parto do princípio que nenhuma ação é gratuita. O MLST não foi até Brasília com o intuito de arrebentar com tudo, tampouco empreendeu a invasão forçada por gosto, porque é acha divertido entrar estourando as coisas. São pessoas. Pensam. Em sua maioria, são politizadas. Sabem que tudo aquilo é patrimônio público. Não podem (como nenhum ser humano pode) ser chamados de massa de manobra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A mídia dá maior espaço para o que de negativo os movimentos sociais fazem, na clara tentativa de denegrir sua imagem. Mas a tevê não explica as condições em que vivem ou como são tratados para que suas ações desemboquem em atitudes extremadas como a de terça-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Por exemplo: o latifúndio que expulsa os trabalhadores da terra é uma violência? Vejo que uma única pessoa (ou família) deter milhares de hectares de terra é uma violência. Deixar o solo sem uso ou plantar eucalipto ou cana-de-açúcar em áreas imensas enquanto tem gente morrendo de fome é uma violência. Matar sem-terra que estão buscando terra pra trabalhar (porque não são vagabundos) é uma violência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E violência, aprendemos ainda na primeira série, gera mais violência. Na cidade é assim, no campo não poderia ser diferente. Dá (sempre dá) nisso que vemos na telinha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;E que partido mais estranho é o PT. Levou mais de um mês pra expulsar Delúbio Soares, ponta-de-lança do mensalão, mas defenestrou Bruno Maranhão, um dos participantes do ato de terça, em menos de 24 horas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0); font-family: verdana;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114987545096090425?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114987545096090425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114987545096090425&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114987545096090425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114987545096090425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/violncia-daqui-violncia-dali.html' title='violência daqui, violência dali'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114962217727200873</id><published>2006-06-06T16:07:00.000-03:00</published><updated>2006-06-06T17:01:30.713-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>MLST dá um tiro no pé de todos os sem-terra</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/mlst1.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 222px; CURSOR: hand; HEIGHT: 159px" height="155" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/mlst1.jpg" width="221" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O canal Globo News acabou de transmitir uma reportagem sobre a invasão do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) ao Congresso Nacional. As imagens da Globo mostram que eles destruíram a entrada, quebraram computadores e desejavam empurrar um carro (!?!) dentro da Câmara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles planejavam entregar um documento ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo, mas foram barrados pela segurança da Câmara. Então partiram para a violência. Quantos ficaram feridos na manifestação? Essa é a pergunta para a qual eu gostaria de resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa: agora retrocedemos mais uns passos no caminho para a reforma agrária. A mídia, o PSDB, o PFL, a UDR e todos os latifundiários não vão perdoar a esquerda pelo ataque desse grupo. Aguardem a próxima capa da "revista Veja", retratando todos os sem-terra do Brasil como marginais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer que o MLST rachou com o MST já nos anos 80. Mas para a imprensa isso não importa. São sem-terra acima de tudo. Serão tratados como "bárbaros" pela imprensa, "revolucionários" pela esquerda radical (PSTU e adjacentes); mas acima de tudo estão iludidos, e foram usados como "massa de manobra" de lideranças políticas acima deles. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Haverá, ainda, muita exploração política do caso, podem ter certeza. Incluindo transmissão das imagens nas propagandas eleitorais do PSDB e do PFL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto: essa é a esquerda que queremos?! Violenta e destrutiva? Não creio. Foi um tiro em nosso pé e justo num momento decisivo, em que é necessário posicionar-mos com relação à candidatura do governo Lula para exigir que ele cumpra, no próximo mandato, as demandas dos movimentos populares e da esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: a foto publicada no blog não é da invasão propriamente dita ao Congresso (pq não há fotos na internet ainda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem é do ano passado, quando o MLST ocupou o Ministério da Fazenda e bloqueou todas as entradas e saídas.&lt;br /&gt;Pra quem quiser ler mais, há uma &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikinews.org/wiki/Sem-Terra_do_Brasil_invadem_Ministério_da_Fazenda"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;reportagem sobre a ocupação&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;, publicada no Wikinotícias. Basta clicar &lt;/span&gt;&lt;a href="http://pt.wikinews.org/wiki/Sem-Terra_do_Brasil_invadem_Ministério_da_Fazenda"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;neste link&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, que dá para a notícia.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt; [r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114962217727200873?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114962217727200873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114962217727200873&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114962217727200873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114962217727200873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/mlst-d-um-tiro-no-p-de-todos-os-sem.html' title='MLST dá um tiro no pé de todos os sem-terra'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114953594619937988</id><published>2006-06-05T16:30:00.000-03:00</published><updated>2006-06-05T16:32:26.336-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Hugo Fanton'/><title type='text'>copa no brasil? não!</title><content type='html'>&lt;style&gt;!--   @page { margin: 2cm }   P { margin-bottom: 0.21cm }  --&gt;&lt;/style&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51); font-family: verdana;font-size:78%;" &gt;por hugo fanton, de frankfurt&lt;/span&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Muito se fala na possibilidade de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014. Estou há oito meses vivendo na Alemanha e sinto-me seguro em afirmar: é absurda a idéia de organizar o evento no País.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Falo isso por não possuirmos instituições sólidas, não vivermos em uma democracia consolidada e, como conseqüência, não respeitarmos direitos mínimos de nossos "cidadãos".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Os alemães, antes de tudo, confiam em suas instituições. E isso é a base de tudo. Na organização da Copa, não estão em jogo apenas a capacidade de construir excelentes estádios, ter boa infra-estrutura de transportes e manter a segurança. Mas de garantir que seus cidadãos continuem a viver num Estado de Direito. Que educação, saúde e outros serviços públicos não sofram qualquer abalo. Isso é uma certeza aqui, pelo simples fato de serem sólidas as instituições que governam o País.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E é aí que está nosso grande problema. Não temos isso com ou sem Copa. Vivemos uma crise que mostra toda podridão do nosso sistema político partidário. Executivo, Legislativo e Judiciário mostram-se incapazes de garantir direitos básicos da população que, desconfiada, não acredita em algo que nem ao menos entende.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Onde não há confiança sequer nos três poderes republicanos, o que dirá num possível "Comitê Organizador da Copa"?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Antes de sair aos quatro cantos do mundo, apoiado por governistas e oposicionistas, defendendo a candidatura do Brasil ao Mundial, o presidente Lula deveria esclarecer que não só estamos despreparados para receber bem o mundo, como não conseguimos sequer garantir direitos básicos de nossa população.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Participei de uma entrevista com um secretário de governo alemão mostrando que o direito dos alemães de andar em ruas limpas seria respeitado durante a Copa. Parece até piada...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Um Brasil que criminaliza movimentos sociais, impede o cidadão de sair às ruas e reivindicar aquilo que o Estado lhe deve, onde a polícia bate em manifestante e faz "justiça" com as próprias mãos, tem condições de entrar na discussão de como evitar terrorismo internacional, por exemplo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Entretanto, o debate em torno do tema é, como sempre, superficial. Fala-se de construção de estádio, onde não há escola. Respeito ao turista, onde não há cidadania. Da mesma forma que a reflexão em torno do escândalo do mensalão resume-se a saber o quão corrupto é o PT ao invés de o quão democrática é a sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A Copa do Mundo no Brasil é mais um faz-de-conta nacional. Fazemos de conta que somos uma democracia sólida apesar de a população não entender o que lê, de pouquíssimos saberem o que é representação política, de a compra de votos no congresso já ser institucionalizada por meio da liberação do orçamento (algo que Lula e FHC fizeram sem problemas), etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; font-family: verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Do mesmo modo, fazemos de conta que podemos pleitear o Mundial. Mostrar porque não temos direito de sediar a Copa não interessa ao governo, oposição e mídia. Pois, para isso, teríamos que colocar em dúvida todo um sistema. Trava-se, então, um debate simplista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;É falado que não há dinheiro, estádio, transporte, etc. Está na hora de revelar ao povo que não há democracia. Que o sistema é podre e precisa ser mudado. Desejam organizar a Copa num Estado desprovido de qualquer instituição sólida e confiável. Querem convidar o mundo a visitar um povo que tenta sobreviver, miseravelmente, neste território a que chamamos de Brasil. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0); font-family: verdana;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114953594619937988?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114953594619937988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114953594619937988&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114953594619937988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114953594619937988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/copa-no-brasil-no.html' title='copa no brasil? não!'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114953595161016728</id><published>2006-06-05T16:19:00.000-03:00</published><updated>2006-06-06T20:41:18.156-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>violência e corrupção policial têm solução?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/policia1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/policia1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Os policiais dividem o seu papel: normalmente a Polícia Civil é corrupta e a Polícia Militar é violenta". É assim que Denis Mizne, diretor do Instituto Sou da Paz, resume as atrocidades cometidas em nome da lei e da ordem no Brasil, que perduram desde a criação desses setores, em 1964. Os dois crimes têm solução: "é preciso criar Ouvidorias para registrar os casos de violência; e também fortalecer as corregedorias, para punir os corruptos", diz Mizne. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Para funcionar, as ouvidorias precisam ser independentes, eleitas democraticamente, e trabalhar em acordo com a sociedade civil organizada. &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as corregedorias devem evitar ser submetidas às opiniões de delegados e oficiais da polícia. Na opinião de Mizne, só respondendo diretamente ao secretário de segurança pública é que a corregedoria se torna imparcial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Estas medidas podem cumprir o que a corregedoria de São Paulo promete: "assegurar a disciplina e apurar as infrações penais na Corporação Policial". Mizne ainda reforça a importância do papel do Ministério Público (MP). Mizne, no entanto, qualifica de ineficiente o Ministério de São Paulo. "Nenhum juiz sabe o que acontece dentro de um presídio", afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o diretor do Sou da Paz, os investimentos do governo Lula na Polícia Federal levaram a avanços, como o fim da corrupção nesse setor e sua comprovada eficiência. Mas ainda é pouco. "A Polícia Rodoviária Federal, por exemplo, é a mais corrupta da nação", diz ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Segurança &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;O tema da segurança pública também foi prioridade na 10ª Conferência Nacional pelos Direitos Humanos, que ocorreu em Brasília na última semana. A insurreição do Primeiro Comando da Capital (PCC) fez o especialista em segurança pública, Marcos Rolim, afirmar que o Estado brasileiro não tem controle sobre os policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A violência e a corrupção estão protegidas por uma 'caixa preta' mantida pela própria Corporação Policial", diz Rolim,&lt;br /&gt;que é ex-deputado federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto Rolim quanto Mizne repudiam a idéia de unificar as polícias Civil e Militar. Para Rolim, "reunir os defeitos dos dois setores não beneficiará ninguém". Ele afirma que esta proposta é retórica e é um risco para a democracia.&lt;br /&gt;"Imagine que nossa polícia, dividida como está, é mal-preparada e comete barbáries. Se estiver reunida, o corporativismo e a impunidade aumentarão". Para o ex-deputado, esse hipotético grupo policial, armado e mal-preparado, poderia facilmente aplicar um golpe de Estado quando fosse conveniente devido a seu tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mizne é simpático à idéia de integrar os serviços de inteligência das polícias Civil e Militar, mas crê que "haverá resistências dos próprios policiais" à idéia de unificá-los, além de não trazer benefícios práticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;PCC, Lula e a repressão &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Sobre o papel de Lula diante do recente ataque do PCC ao estado, Mizne acha que ele foi hipócrita. "O governo federal agiu como se fizesse um favor, isentando-se de culpa pelo ataque", afirma. Para ele, o problema do crime organizado é nacional, porque envolve o tráfico de drogas e do contrabando de armas. Mizne acha que a política de segurança para o Brasil, feita pelo governo federal nos três anos em que detém o poder, não foi séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rolim, que elaborou o plano de segurança pública para a campanha de Lula em 2002, admite que pouco foi colocado em prática por falta de investimentos. "Na Lula nas próximas eleições", explica.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/pcc.2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 212px; CURSOR: hand; HEIGHT: 135px" height="130" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/pcc.0.jpg" width="208" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os dois concordam que a recente mobilização feita no Congresso Nacional para aprovar o chamado "pacote do pânico" foi um erro. O "pacote" foi uma resposta dos deputados ao atentado do PCC e incluía a proposta de vinculação de verbas federais para a segurança pública, o que Rolim acha absurdo. "O repasse de verba aos estados já é razoável. Mas é mal gasto", diz ele, que continua: "o dinheiro é investido em armas e instrumentos de repressão, enquanto deveria ser usado para reforçar o sistema de inteligência dos setores policiais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mizne concorda. Para ele, a polícia precisa de investimentos em inteligência para mapear crimes e criar uma estratégiateoria, é um ótimo plano. Espero que seja diferente, numa eventual vitória de  para combatê-los. "Mas não dá para descartar a repressão, afinal sempre vão existir crimes", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Periferia &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de falar em "democracia do medo" nas cidades, Mizne admite que a situação na periferia das grandes cidades é pior. O Jardim Ângela, bairro citado pelo advogado, foi apontado pela ONU, em 2000, como o lugar mais violento do mundo. De cada cem mil habitantes, morriam cerca de 116 anualmente. Se o cálculo fosse entre a população masculina entre 15 e 25 anos de idade, o índice subia para 200 mortos por cem mil habitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nas periferias, existe um culto à violência para defender a honra pessoal", lembra Mizne. E ele justifica as estatísticas, ao dizer que os jovens são o principal alvo das balas disparadas pelos policiais e pelos criminosos na periferia. Os que mais morrem na cidade têm entre 15 e 24 anos, e os que mais matam têm entre 18 e 24. Mizne continua: "cerca de 60% dos homicídios em São Paulo são cometidos por réus primários".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o advogado, o governo precisa investir na educação dos jovens, e oferecer alternativas à "profissionalização" do crime. Os primeiros passos são construir escolas e oferecer postos de trabalho prioritários recém-formados no ensino fundamental e médio. "Se na periferia os bares são a única forma de lazer, é óbvio os jovens freqüentadores terão problemas com a violência, o álcool e as drogas no futuro", lamenta Mizne. &lt;strong style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114953595161016728?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114953595161016728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114953595161016728&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114953595161016728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114953595161016728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/violncia-e-corrupo-policial-tm-soluo.html' title='violência e corrupção policial têm solução?'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114928151549132588</id><published>2006-06-02T17:46:00.000-03:00</published><updated>2006-06-02T17:51:55.496-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Fernanda Campagnucci'/><title type='text'>conferência fortalece movimentosde direitos humanos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;CONFERÊNCIA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;por fernanda campagnucci&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A expectativa para a 10ª Conferência Nacional de Direitos Humanos era grande. Reunidos em Brasília de 31 de maio a 2 de junho, cerca de 700 representantes de organizações e movimentos sociais trouxeram denúncias e experiências de suas cidades. Os aplausos dos militantes na mesa de abertura, por vezes de pé, traduziam nas palmas a esperança de se avançar nas discussões sobre os direitos humanos e seus defensores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Apesar de o tema central da Conferência ser "Modelo Econômico e Direitos Humanos", a temática mais expressiva – discutida em todos os painéis e grupos de trabalho –, foi a questão da segurança pública. Segundo Paulo César Carbonari, da Coordenação do MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos), o debate foi motivado com os crimes em São Paulo, há duas semanas, e o processo de criminalização dos defensores dos direitos humanos que emergiu dali. "O momento histórico exige essa reação", afirma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Ainda na abertura do evento, Carbonari se mostrou bastante animado com a realização da Conferência. Sentado no chão, como os outros que não couberam nas 350 cadeiras do auditório lotado, ele já esperava resultados concretos da Conferência. Para ele, não se avançou desde a última, que aconteceu em 2004. E "ficar parado, em Direitos Humanos, é andar para trás", acrescenta. Depois de participar dos três dias de discussões, o professor de filosofia em Passo Fundo (RS) avalia os avanços e desafios da 10ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, que terá uma carta compromisso com as conclusões discutidas e aprovadas pelos participantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Qual é sua avaliação desses três dias de debates?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Conferência é sempre um processo importante porque fortalece os movimentos, ajuda a troca de experiências e mantém as pessoas animadas nessa luta. Levantou-se um conjunto de temáticas nos seus painéis e grupos de trabalho, inclusive propostas que são fundamentais para que possamos fazer dois movimentos substantivos. Um deles é manter e fortalecer a luta, estruturar-se contra esse processo de exclusão e também pela transformação das instituições no país. Mas também ficou muito forte a idéia de que há uma cultura, um movimento conservador, que tem crescido nestes últimos tempos. Os eventos das últimas semanas ajudaram a dar mais espaço para esta posição conservadora refratária dos Direitos Humanos e que se traduz objetivamente no processo de criminalização das lideranças dos defensores e também de movimentos sociais. Esses dois componentes ficaram muito fortes e explícitos nesta Conferência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Que dificuldades se encontram neste tipo de conferência?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Na Conferência de Direitos Humanos ainda sofremos um mal substantivo: nós não conversamos com a sociedade, infelizmente. Esse é o nosso maior limite e o nosso grande desafio. Porque se nós queremos transformar estruturalmente e incidir nessa cultura refratária nós temos que abrir um diálogo mais significativo com a opinião pública. A ação dos meios de comunicação de massa é importante, mas não basta isso. Precisamos montar estratégias para ampliar esse debate.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Como é possível ampliar esse debate para a sociedade?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;São algumas frentes estratégicas. A primeira é o investimento maciço na Educação e a formação permanente das pessoas. Por isso a Educação em Direitos Humanos tem um papel fundamental. O segundo aspecto é que os movimentos devem ir para a rua, marcar presença. Ainda estamos no anonimato. Aparecemos, em geral, com a opinião pública contrária a nós. "Esses são os fulanos que defendem os bandidos", como se defender seres humanos não fosse correto. Mas acho que temos que ter uma ofensiva mais pública, e positiva. Um terceiro aspecto são os investimentos em massa. Gasta-se muito em publicidade, mas o governo deveria fazer uma grande campanha de mídia – daquelas que não se consegue senão pagando –, campanhas institucionais, de promoção dos direitos humanos e afirmação da atuação de seus defensores. Esse momento histórico exige essa reação. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;E quais foram os avanços que a 10ª Conferência trouxe para o Sistema Nacional de Direitos Humanos?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Os dois grupos que discutiram estratégias concretas para o Sistema Nacional de Direitos Humanos – um que discutiu Conselhos e o outro Política Nacional – acumulou um diagnóstico importante da situação e sobretudo um conjunto de propostas. A primeira é que a gente aprove o projeto de lei que cria o Conselho Nacional de Direitos Humanos, mesmo tendo críticas a ele – nos comprometendo com um projeto de revisão e aprimoramento em seguida; a segunda proposta, quanto à Política Nacional, é uma questão-chave: vamos fazer um diagnóstico e uma avaliação profunda da Política Nacional de Direitos Humanos de tal maneira que possamos angariar posições para já no ano que vem fazermos a atualização do Programa Nacional de Direitos Humanos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Como foi a atuação do Governo nesse sentido?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Nessa direção do Programa Nacional o Governo foi fraco. Ele não pode editar uma lista de ações, tem que vincular a questão orçamentária e traduzir em possibilidade de ação. Na Conferência esses foram avanços significativos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A temática central da Conferência é justamente a relação entre o modelo econômico e a sociedade. Essa discussão foi desfocada pelo debate da segurança pública?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O tema do modelo econômico é novo para os movimentos. Nem as organizações de defesa de direitos humanos tem um acúmulo e uma atuação consistente com esse viés. Esse tema foi posto mais como uma provocação para que as próprias organizações da sociedade civil percebessem que a questão do desenvolvimento tem a ver com direitos humanos, do que esperar um acúmulo mais propositivo. De fato, a Conferência não conseguiu se concentrar nesse tema. Mas isso é conseqüência desta realidade: ainda não temos uma compreensão indivisível dos Direitos Humanos. As organizações discursam isso, mas o tema ainda não está incorporado. Só o fato de termos posto esse tema é uma espécie de ação afirmativa, mostra que ele também faz parte dos direitos humanos. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114928151549132588?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114928151549132588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114928151549132588&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114928151549132588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114928151549132588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/conferncia-fortalece-movimentosde.html' title='conferência fortalece movimentos&lt;br&gt;de direitos humanos'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114927609431135755</id><published>2006-06-02T16:05:00.000-03:00</published><updated>2006-06-02T17:52:48.886-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Fernanda Campagnucci'/><title type='text'>por que não uma lei de responsabilidade social?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;CONFERÊNCIA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por fernanda campagnucci&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Não se defende os Direitos Humanos sem mudar o modelo econômico vigente. Com base nesta premissa, representantes de movimentos sociais de todo o país discutiram alternativas à Lei de Responsabilidade Fiscal (LFR) no segundo dia da 10ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, que acontece em Brasília de 31 de maio a 2 de junho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A Lei de Responsabilidade Fiscal – promulgada em 2000 - é o sustentáculo jurídico para o superávit primário, mecanismo criticado pelos conferencistas por desviar recursos públicos dos gastos sociais para pagamento de juros. A lei de Responsabilidade Social segue a lógica inversa: vincula a administração pública a metas de implementação de políticas públicas. Maria Lúcia Fatorelli, auditora Fiscal da Receita Federal, enfatiza: "O que está se fazendo com a atual política econômica é uma transferência de renda dos mais pobres aos mais ricos".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Em 2005, o governo gastou R$ 139,1 bilhões apenas de juros e amortizações da Dívida – interna e externa -, R$ 58,77 bilhões a mais que todo o gasto com Saúde, Educação, Assistência Social, Organização Agrária, Segurança Pública, Habitação, Cultura e Saneamento juntos, de acordo com os dados do Fórum Brasil do Orçamento (FBO).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Fatorelli propõe uma "Auditoria Cidadã", para abrir a "caixa preta" da dívida pública. Para ela, todo cidadão brasileiro deve se perguntar de onde essa dívida surgiu, quem se beneficiou com ela e onde foram aplicados esses recursos. Além da auditora, compuseram ao painel "Modelo Econômico e Direitos Humanos" na Conferência Luiza Erundina, deputada federal (PSB-SP) e ex-prefeita de São Paulo, Márcio Pochmann, professor de Economia da Unicamp e Hildete Pereira de Melo, professora de Economia da UFF (Universidade Federal Fluminense).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Dívida Social&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Contabilizar a dívida social é um dos desafios propostos pelos conferencistas. Márcio Pochmann defende que um conselho seja criado dentro do próprio Estado para mensurar o quanto deve ao povo brasileiro. "Precisamos trilhar o mesmo caminho que foi feito nos anos 80 para dimensionar a dívida pública, quando, após intenso debate, ela foi reconhecida e oficializada", diz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Hildete de Melo reforça a necessidade de se reconhecer o trabalho da mulher em casa, que permanece invisível no cálculo das Contas Nacionais brasileiras. A pesquisadora mediu, em parceria com os também economistas Claudio Considera e Alberto Di Sabbato, que o trabalho de lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos e administrar a casa se traduziriam em R$225,4 bilhões em 2004, uma fatia de 12,76% do Produto Interno Bruto (PIB).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Após o painel, na parte da tarde, um grupo de trabalho se propôs a organizar as demandas que surgiram na exposição dos economistas. Uma das resoluções tiradas pelo grupo é apoiar e exigir a aprovação do &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.forumfbo.org.br/publique/media/LRFS%20versão%20final_.pdf"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;projeto de lei&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; complementar apresentada pelo FBO, em tramitação na Câmara dos Deputados, que inclui os parâmetros sociais na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRFS). Além da lei, os participantes sugeriram a formulação de diretrizes para a distribuição de riquezas e a cobrança de impostos sobre as grandes fortunas. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114927609431135755?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114927609431135755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114927609431135755&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114927609431135755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114927609431135755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/por-que-no-uma-lei-de-responsabilidade.html' title='por que não uma lei de responsabilidade social?'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114925505607862795</id><published>2006-06-02T10:27:00.000-03:00</published><updated>2006-06-02T10:33:32.683-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>negros denunciam extermínio racial</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;CONFERÊNCIA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A aliança entre racismo e violência foi um dos temas abordados no segundo dia da Conferência Nacional de Direitos Humanos (CNDH), que teve início no dia 31 de maio e vai até 2 de junho, em Brasília. Representantes do movimento negro e quilombola, promotores e justiça e policiais sentaram para discutir o que chamaram de “extermínio dos jovens negros” na sociedade brasileira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Por extermínio entende-se “a morte sistemática por balas letais, tiros na cabeça, nuca, tórax, como acontecia na década de 70, com a atuação da Rota, e que teve continuidade com os esquadrões da morte, a Scuderie Le Cocq”, diz Deise Benedito, do movimento Fala Preto, de São Paulo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Para Deise, existe um projeto político que vigora no país desde a abolição da escravidão, em 1888. “A população jovem trazida da África para trabalhar nas minas e fazendas de cana-de-açúcar perderam seu valor econômico com o fim do regime escravocrata”, explica. “Com a imigração, o colono europeu passou a ter acesso à escola e ao trabalho, enquanto que para o negro não houve políticas públicas de moradia, saúde ou educação.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A militante faz eco com as palavras do ex-delegado carioca Hélio Luz, que no documentário Notícias de uma guerra particular (1999) diz que a polícia faz “política de repressão” e “mantém o pobre na linha, pagando imposto e sem reclamar”. Deise afirma que o projeto branco da sociedade brasileira estigmatiza como inimigo o negro jovem, desempregado e morador de favela. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A criminalidade entra, então, como uma alternativa de vida aos adolescentes pobres das grandes cidades. “As crianças estão mergulhadas num cenário de colaboração entre o tráfico e os moradores. O Estado até agora entrou apenas de forma paliativa, omissa, corrupta e perversa”, declara Carmem Silveira, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Governo Federal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Polícia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Apesar das críticas constantes ao papel da polícia, membros da corporação estiveram presentes à discussões. Um deles é o sargento Absolon, da PM baiana, que exibe com orgulho recortes de jornal sobre sua atuação comunitária junto às crianças de Vitória da Conquista. Ele, que diz fazer o policiamento desarmado, afirma que a maior missão da polícia é implantar os direitos humanos. “Temos um projeto em que crianças, adolescentes e seus familiares vão pra dentro do quartel jogar capoeira e conhecer a função do policial. Chegamos a ter, de 1995 a 1997, mais de mil alunos.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;No mesmo tom conciliador, o tenente-coronel Rivaldo, da PM goiana, coloca que “o objetivo da polícia é a defesa da vida. Mas hoje a corporação enfrenta uma agressão social”. Segundo ele, colocar a polícia em pólos negativo (ou positivo) ou os defensores de direitos humanos em pólo positivo (ou negativo) é errado. “A gente não tem que polarizar, tem de mudar comportamentos.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Existe uma troca de farpas bastante intensa entre defensores dos direitos humanos, policiais e opinião pública. Uns são acusados de “defender bandido” ou de “humanistas”, outros de “assassinos” ou “defensores da ordem”, conforme o contexto social. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nessa discussão, os ataques do PCC à polícia paulista se transformaram num marco, a todo momento lembrado. A onda de violência chegou a mudar até mesmo a tônica da CNDH, que originalmente discutiria o modelo econômico neoliberal mas acabou se rendendo à segurança pública. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114925505607862795?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114925505607862795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114925505607862795&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114925505607862795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114925505607862795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/negros-denunciam-extermnio-racial.html' title='negros denunciam extermínio racial'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114918452503810414</id><published>2006-06-01T14:50:00.000-03:00</published><updated>2006-06-01T15:04:44.603-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>tom da abertura é de crítica ao governo e de defesa aos militantes</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;CONFERÊNCIA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 10ª Conferência Nacional pelos Direitos Humanos começou na quarta-feira (30) com críticas aos ataques sofridos pelos defensores de direitos humanos. "Eu temo que a onda de violência em São Paulo leve a um avanço do pensamento reacionário e de grupos de extrema-direita no Brasil", diz o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deputado, que compôs mesa com o ministro da SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos) Paulo Vannuchi Leme, com a deputada Maninha (PSOL-DF), com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e com Ivônio Barros, coordenador do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos, criticou duramente o pacote de leis aprovado pela Câmara no calor do ataque do PCC, chamado de "pacote do pânico" pelo Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Neste mesmo plenário, já vi serem propostas leis para redução da maioridade penal. Isso é um absurdo", desabafa. Para Ivônio Barros, os defensores de direitos humanos estão sendo ameaçados por forças retrógradas, que abusam de bordões como "direitos humanos para humanos direitos" e "bandidos não tem direitos humanos". "Pedem pela implantação da pena de morte, mas se esquecem de que ela já existe", lamenta o coordenador do Fórum, referindo-se a mortes seletivas "que atingem os negros e os pobres, todos eles cidadãos brasileiros".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tom da mesa de abertura foi crítico ao governo e à política econômica, muito "neoliberal" na opinião de Barros. Para ele, a reforma agrária se arrasta, sem rumo; as políticas indigenistas param e há autoridades que "têm coragem de dizer que eles exigem terra demais"; o Judiciário é um bastião de defesa das elites; e os últimos três anos da SEDH foram frustrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a esperança com outro caminho possível foi explicitada pelos membros da mesa, desde que existam alternativas ao atual modelo econômico e que seja combatida a corrupção. "Se de cada quatro prefeituras deste país, três estão envolvidas com desvio de dinheiro público, como vão existir políticas públicas que funcionem?", brada Barros. Para Cristovam Buarque, existe apartação social no Brasil, tanto de raça quanto de classe. A tragédia de São Paulo foi uma consequência da desigualdade social. "O massacre foi cometido contra os que são estranhos para nós, de classe média. Não os vemos como semelhantes", diz ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Brasil precisa de uma política nacional de direitos humanos que não seja alterada pelos interesses partidários", diz Paulo Vannuchi Leme. Ele reconhece que o governo Lula errou ao rebaixar o status de Ministério da SEDH nos anos passados. Para Leme, se não houver política pública de longo prazo para os direitos humanos, eles não serão implantados plenamente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Greenhalgh criticou, ainda, a criminalização que a Justiça comete contra os ativistas de direitos humanos e os líderes de movimentos sociais. Ele clamou aos participantes da Conferência para que fosse feito um "ato de desagravo" em defesa dos militantes incriminados. "João Pedro Stédile (MST), Conceição Paganele (AMAR), Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê (militante dos sem-teto) e muitos outros estão sendo perseguidos politicamente", finalizou o deputado. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114918452503810414?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114918452503810414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114918452503810414&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114918452503810414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114918452503810414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/tom-da-abertura-de-crtica-ao-governo-e.html' title='tom da abertura é de crítica&lt;br&gt; ao governo e de defesa aos militantes'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114916789645994033</id><published>2006-06-01T10:10:00.000-03:00</published><updated>2006-06-01T14:42:07.990-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>secretário fica nervoso e erra ao responder críticas sobre transporte</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/bussinger.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 192px; CURSOR: hand; HEIGHT: 163px" height="174" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/bussinger.jpg" width="186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Os moradores de São Paulo têm razões para reclamar do transporte público da cidade. Existem 3.318 ônibus velhos circulando pelas ruas paulistanas, de acordo com a Secretaria Municipal dos Transportes (SMT). Estes ônibus - que são 22,12% da frota - têm mais de dez anos, a idade máxima até que devam ser trocados por veículos novos. Tal limite de idade está estabelecido em todos os contratos firmados entre a prefeitura e as empresas concessionárias das linhas de ônibus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O Secretário dos Transportes, Frederico Bussinger, argumenta que é preciso rever os contratos. “Esta lei dos dez anos é burra”, diz ele, exaltado. O nervosismo pouco a pouco tomou conta das respostas de Bussinger, que também é engenheiro. Ele chegou a ficar com o rosto vermelho e elevou o tom de voz. O Secretário equivocou-se, ao mencionar a última renovação da frota de ônibus em 1996 e usar repetidamente a palavra “2006” para se referir ao ano citado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após este instante de exasperação, em que chegou a sugerir que só 1.500 ônibus estão velhos, desmentindo as informações da Secretaria, Bussinger respondeu que pretende substituir gradualmente a frota antiga até que acabe o mandato do prefeito Gilberto Kassab (PFL).&lt;br /&gt;Só em 2006, a SMT pretende trocar 689 veículos “caducos”. Outra solução apontada pela Secretaria é o uso de um “selo de qualidade dos ônibus”, que será colocado atrás do banco do cobrador, para que os próprios usuários verifiquem se os veículos estão em bom estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Bussinger, há ônibus com dois anos que estão em péssimas condições e outros, com dez anos, que ainda podem ser usados sem problemas. Por isso a lei dos dez anos “é burra” e precisa ser modificada. A Secretaria justifica a quebra da regra dos dez anos com a afirmação de que ela é comum a todas as gestões anteriores da prefeitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando José Serra assumiu, ele herdou cerca de 800 ônibus velhos da gestão anterior”, argumenta o Secretário. Para ele, se os 3.318 ônibus fossem adquiridos imediatamente, a prefeitura pagaria um valor estratosférico para cada veículo. “Este custo, se houver, será pago com o aumento de tarifas dos usuários”, brada o secretário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Problemas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Além do envelhecimento da frota, há problemas como a retirada de inúmeros ônibus de circulação, o sucateamento dos que restaram, a superlotação dos pontos de embarque e o excesso de trânsito. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Existem cerca de 15 mil ônibus na cidade, mas, segundo o vereador Antônio Donato (PT-SP), que integra a Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara Municipal da cidade, houve uma redução na frota feita às escondidas. Na apuração feita pelo vereador, a prefeitura fez um acordo informal com as concessionárias e permitiu que fossem retirados 8% dos ônibus em circulação (1,2 mil) para diminuir o gasto das empresas. “O acordo da prefeitura é irregular e quebra o contrato entre o poder público e a iniciativa privada”, reclama Donato. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Transporte Público de São Paulo avaliou, em 2005, que a frota havia sido reduzida em 3%, ou 441 veículos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Para o ex-Secretário dos Transportes, Carlos Zarattini, que foi colega de Bussinger quando os dois trabalharam para a gestão de Marta Suplicy, há uma série de problemas acumulados pela pasta. “Cresceu o engarrafamento no trânsito e a superlotação dentro dos veículos nos horários de pico, e a SMT não têm sabido lidar com isso”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;Mudança de planos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Zarattini crê que a solução para a superlotação e o engarrafamento é a continuação do projeto dos corredores de ônibus e dos terminais de transferência pela cidade, iniciados durante a gestão anterior. “Não se pode desfazer este projeto. O [Frederico] Bussinger participou da elaboração dele durante o mandato da prefeita Marta. Eu não entendo porque ele quer abandoná-lo”, diz.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O programa elaborado durante a gestão petista prevê a instalação de cinco eixos de corredores de ônibus para 2005, quatro para 2006, totalizando 325 quilômetros exclusivos para os ônibus até 2008. No entanto, nem um metro de corredor foi entregue no ano passado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Só duas obras estão previstas no ano de 2006: o Corredor Expresso Cidade Tiradentes, conhecido como “Fura Fila”, e o prolongamento do Corredor Ibirapuera. Segundo Zarattini, a opção da prefeitura em levar as duas obras adiante é um erro, porque o Fura-Fila é muito caro. “É uma ‘herança maldita’ da gestão [de Celso] Pitta”, avisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Ele questiona também a política da prefeitura quanto ao uso do bilhete único. “Os benefícios sociais da população, como a chance de usar quatro ônibus por duas horas, estão sendo pouco a pouco cortados na atual gestão da prefeitura”, reclama. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Zarattini critica ainda o cadastramento do bilhete único realizado pela SMT. Para ele, quem perde são os cidadãos mais pobres e ignorantes, que não se cadastram para andar pela cidade e chegam a gastar seis reais para sair dos bairros de periferia onde vivem. “A SMT quer ‘tirar o couro’ dos mais pobres e aumentar seus rendimentos com o dinheiro deles.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Já o atual Secretário dos Transportes comemora o cadastro. “Há cerca de 2,8 milhões de cidadãos cadastrados. As fraudes diminuíram quase a zero”. Ele não nega que ainda haja fraudes, mas estipula uma redução de sete milhões de infrações por mês com o uso do bilhete único cadastrado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Bussinger é a favor do bilhete único, que trouxe benefícios econômicos à população e levou “mais de 500 mil pessoas a usarem o transporte público em vez de automóveis”. Mas sem o controle do cadastro, na opinião do engenheiro, “o risco de fraudes é grande”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Trânsito&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A Secretaria dos Transportes planeja resolver o problema do trânsito paulistano pelo corte de linhas de ônibus. De acordo com Bussinger, há superposição das linhas e muitas fazem trajetos parecidos. Há excesso de veículos em alguns itinerários e escassez em outros. Ele anunciara, em março, a redução de 37,7% das linhas de São Paulo, de 829 para 315. “Estudos mostram que quanto maior o número de ônibus circulando pelas ruas, mais caótico e congestionado fica o trânsito”, detalha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Existem determinadas metas que Bussinger espera cumprir até o fim do seu mandato. Uma delas é a de alocar, no máximo, seis usuários de ônibus por metro quadrado de espaço no veículo. Outra meta é garantir que qualquer pessoa tenha que esperar no máximo 15 minutos por seu ônibus. Por último, o Secretário espera que, no futuro, nenhum munícipe tenha que andar mais do que 500 metros para chegar até um ponto de ônibus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Não há, entretanto, qualquer sinal de que o “programa de racionalização” vá ser implantado, ou que será possível alcançar as tais “metas”. A própria Secretaria, ouvida pela reportagem, silenciou sobre o programa de racionalização. “A população ficará a par das mudanças conforme elas vierem a ser feitas”, informou, em nota oficial, a SMT. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114916789645994033?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114916789645994033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114916789645994033&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114916789645994033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114916789645994033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/secretrio-fica-nervoso-e-erra-ao.html' title='secretário fica nervoso e erra &lt;br&gt;ao responder críticas sobre transporte'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114916705773853490</id><published>2006-06-01T09:59:00.000-03:00</published><updated>2006-06-02T16:23:48.540-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>direitos humanos encontrambarreiras no modelo econômico</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;CONFERÊNCIA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Cada vez que se fazia uma crítica ao modelo econômico vigente, os aplausos eram inevitáveis. Foi assim que a platéia ovacionou repetidas vezes o líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), João Pedro Stédile, e a professora de políticas públicas da UFRJ, Laura Tavares, na abertura da 10a Conferência Nacional dos Direitos Humanos, em Brasília.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Num tom que usualmente não é o seu, Stédile afirmou que a desigualdade social vigente no Brasil é o maior problema de direitos humanos do país. “Se não tivermos coragem de mudar essa política econômica, seremos eternamente bombeiros do capital. Sem mudança, não há direitos humanos que resolva o problema do povo.” O alvo principal do ataque foi a prioridade que o governo dá ao superávit primário, ou seja, ao pagamento da dívida externa, em detrimento dos investimentos sociais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Para o líder do MST, o imperativo da mudança se coloca em números. São 120 milhões de pobres no Brasil, 10 por cento de desemprego (o dobro na Grande São Paulo, triplo entre a população jovem), cerca de 1 trilhão de dólares em riquezas transferidas da América Latina à Europa e Estados Unidos na última década, 30 por cento do arrecadado pela União destinado ao pagamento de juros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;“O capitalismo explora não mais pela mão-de-obra barata, mas pela alta taxa de juros imposta pelos bancos ao governo. Assim o sistema consegue explorar não só o trabalhador operário, mas toda a população”, diz Stédile. “Eles nunca lucraram tanto como agora.” O Bradesco, por exemplo, maior instituição financeira do país, anunciou um lucro de 1,53 bilhão somente no primeiro trimestre deste ano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Desigualdade&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Para o líder do MST, o modelo econômico aplicado no país desde a colonização conseguiu desenvolver o Estado e gerar riquezas, mas fracassou em combater a pobreza e a desigualdade social. Desigualdade, aliás, que pode ser observada de forma gritante no Distrito Federal. Brasília é como uma cidade de país desenvolvido. Arborizada, gramas aparadas, ruas impecavelmente asfaltadas. Os veículos páram na faixa para a passagem dos pedestres. Não há muros. É como se fosse um imenso parque. Isso até dentro do Projeto Piloto elaborado por Oscar Nyemeier. No entorno, as cidades satélites são pobres, carentes de recursos básicos, conurbadas. Diz-se que Brasília é de primeiro mundo; o Brasil mesmo está em volta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A opinião é compartilhada por Laura Tavares, da UFRJ. “Não agüento mais a palavra ‘inclusão social’. Inclusão onde? Neste mercado? Ensinar o pobre a mexer em computador para ele competir com quem? Com universitário que fala duas línguas e que mesmo assim não consegue emprego?”, disse em tom bastante combativo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Sua exposição também foi no sentido da crítica ao modelo econômico, com o qual, na visão da acadêmica, não há desenvolvimento humano possível. Stédile há pouco havia lembrado da situação de bem-estar social nos países ricos do Norte, apenas alcançada com a exploração de recursos e geração de pobreza nas nações do Sul. Na visão dos palestrantes, é como se o neoliberalismo tivesse a necessidade de balancear riqueza com pobreza, em nível nacional e global.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Laura Tavares finalizou falando da importância de o Estado ter políticas públicas de inclusão, independente de ongs. “Mais da metade dos projetos sociais no Rio de Janeiro são tocados por ongs. São importantes, ajudam uma série de pessoas, mas têm data marcada para acabar.”, lamenta. “Projeto social se faz com política pública permanente, pelo Estado. Por isso, não podemos permitir a desvinvulação de verbas sociais em detrimento do superávit primário.” &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114916705773853490?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114916705773853490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114916705773853490&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114916705773853490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114916705773853490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/06/direitos-humanos-encontrambarreiras-no.html' title='direitos humanos encontram&lt;br&gt;barreiras no modelo econômico'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114859207103710217</id><published>2006-05-25T18:14:00.001-03:00</published><updated>2006-05-25T18:21:11.056-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>foram 110</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-weight: bold; color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Foram 110. A polícia não poupou esforços para vingar os colegas mortos pelos ataques do Primeiro Comando da Capital na sexta-sábado-domingo-segunda em que a facção saiu da toca e meteu bala em bancos, bases, quartéis e viaturas, queimou ônibus e tocou o terror na cidade de São Paulo e alguns municípios do interior. Claro, causou medo na população.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Medo que, dois dias depois, se transformou em sangue nos olhos de uma polícia com o orgulho e a credibilidade ferida pelo episódio. Foram 110 os mortos nos dias de revanche. IML lotado de tantos corpos, muitos com traços de execução – tiros nas costas, nuca, coração, várias partes do corpo. Teve um com o pênis atingido, saiu na Folha de S. Paulo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Até agora, 79 dos cadáveres são suspeitos de manter relações com o PCC – suspeitos. Ou seja, trinta por cento deles não tinham nada a ver com a história. É horrível transformar vidas humanas em números. Elas perdem, digamos, a humanidade. Quando lemos no jornal que tantos inocentes morreram, é mais do que necessário fazer essa associação: são 31 pessoas, que trabalhavam, levavam suas vidas na honestidade. Morreram sem mais nem menos. Por serem pobres? Por morarem na periferia? Por quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ferréz, escritor que mora no Capão Redondo, um dos bairros mais abandonados da capital, nos narrou, na terça, algumas cenas que viu e ouviu perto da loja que tem no bairro. Foi gente descendo com touca ninja de viatura apagada, morte de um vendedor de flores, de entregadores de pizzas. Gente que trabalhava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Numa boa, não é assim que o problema vai se resolver. A polícia não pode ter em seus quadros homens como estes. Foram 110 mortos em menos de uma semana. Atentem para o número: 110 mortos. É muita coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Pena de morte, redução da maioridade penal, truculência, rigidez. Os conservadores de plantão têm de entender que mais violência nunca vai resolver a violência; que os direitos humanos não são privilégios ou caridade, são, como o próprio nome diz, direitos; que o Brasil está partido em dois e que a pobreza é um problema grave que demanda ações e discussões sérias e pensadas, não histeria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;De que adianta a classe-média paulistana fazer uma passeata na Avenida Paulista pela paz? A periferia continua carente de tudo, e uma passeata desse tipo não vai lhe garantir nada. É só a polícia que vai lá de vez em quando, e vira e mexe faz uma coisa dessas. Foram 110, 31 totalmente inocentes. 31.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Uma frase que não me sai da cabeça é a seguinte: “Só haverá paz para os ricos quando houver justiça para os pobres.” Vi pichada num muro aqui de São Paulo uma vez. Foram 110 mortos, 31 inocentes. Quando eles serão respeitados e tratados como gente? &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114859207103710217?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114859207103710217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114859207103710217&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114859207103710217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114859207103710217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/05/foram-110_25.html' title='foram 110'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114859007564927193</id><published>2006-05-25T17:05:00.000-03:00</published><updated>2006-05-25T18:00:30.006-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>domingo, dia de anauê na paulista</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;São Paulo, dia 21 de maio de 2006. Três horas da tarde.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/anau??1.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/200/anau%3F%3F1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Cerca de três mil pessoas saíram às ruas de São Paulo, mais especificamente na avenida Paulista, para o "dia da dignidade nacional". A manifestação, cujo mote era o apartidarismo, reuniu monarquistas, integralistas, nacionalistas de extrema-direita, liberais moderados e muitos laranjas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Para quem nega que haja pluralismo na direita, aí estão as imagens que não me deixam mentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os reacionários, apesar das muitas faces citadas, tem um objetivo em comum: são contra os pobres. Eles são contra a sociedade civil organizada que reivindica a distribuição de renda, o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, os direitos humanos dos presos; são contra as ONGs que lutam pela educação, saúde, habitação, trabalho e alimentação para todas e todos os cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São contra os movimentos sociais que defendem os direitos dos pobres, direitos dos trabalhadores, dos sem-teto, dos sem-terra, das mulheres. Para eles, tudo isso cheira a comunismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quem já assistiu ao filme chileno &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.omelete.com.br/cinema/artigos/base_para_artigos.asp?artigo=2414"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Machuca&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;, de 2004, vai provavelmente lembrar-se da dicotomia entre as manifestações de classe média-alta e dos comunistas. Enquanto os comunistas estavam no poder, representados por Salvador Allende, os burgueses queriam derrubá-lo. Se reuníam em panelaços e saíam pelas ruas de Santiago agitando bandeiras de seu próprio país, imbuídos de um nacionalismo que levaria ao pior regime ditatorial da América do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonzalo Infante, o garoto burguês que protagoniza o filme, vive uma a contradição. Ele pertence a uma classe social diferente de Pedro Machuca, mas se torna amigo dele. Eles estudam na mesma escola, que recebe vários estudantes de periferia através de uma espécie de "cota de vagas &lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/anau??2.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;para pobres".&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/anaue2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/anaue2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O irmão de Gonzalo Infante, em determinado momento, aos nacionalistas. Ele representa o que há de mais agressivo nas alas conservadoras chilenas. Brande uma arma no ar enquanto participa das passeatas. Agride comunistas que estavam infiltrados na manifestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma semelhança com as manifestações em São Paulo e no resto do Brasil? Com os discursos inflamados da oposição, no Congresso? Com as denúncias falsas feitas pela revista Veja? A sensação de que o filme &lt;em&gt;Machuca &lt;/em&gt;começa a ultrapassar os limites da fantasia me preocupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao assunto principal: a tal manifestação na avenida Paulista não poderia ser feita sem a ajuda da internet, e sem o Orkut como ferramenta principal. Então retomo, aqui, uma reportagem oportuna, publicada por Alceu Castilho na &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.reportersocial.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Agência Repórter Social&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; em 2004, que trata de comunidades de crimes (sejam pedofilia, estupro) e de ódio (sejam nazistas, racistas, xenófobas) no Orkut.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:78%;"&gt;===========================================&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20/09/2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nazismo, racismo, xenofobia, pedofilia: conheça o outro lado do Orkut&lt;br /&gt;por ALCEU LUÍS CASTILHO e JÉSSIKA TORREZAN *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Badalado pela mídia brasileira, o Orkut tem seu outro lado: ele reúne comunidades virtuais nazistas, racistas ou que cultivam ódio a crianças, velhos, argentinos, nordestinos. Há quem entre no site para declarar seu desprezo pelos pobres. Para divulgar idéias como “matar baianos” ou estuprar uma criança de 4 anos. Não são somente pessoas isoladas, mas grupos com dezenas ou até milhares de pessoas mostrando no site da vez o que a sociedade brasileira - ou aquela que tem acesso à Internet - possui de pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das comunidades contra baianos chama-se "Baiano Bom é Baiano Morto". Contra velhos, há a Odeio Velhos e a Odeio Velhos Gordos. A comunidade No Escuro mantém um tópico com a defesa da pedofilia. Grupos separatistas ou contra nordestinos são comuns. A comunidade Pedofilia – a Banda trazia até o início de agosto uma foto em que um bebê aparecia numa montagem ao lado de um pênis, levando uma chuva de esperma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grupos nazistas no Orkut somam mais de mil integrantes – a maior parte brasileiros. No White Pride Skinheads 14, o moderador ensina a criar células de uma organização nacional-socialista. No Nazismo, ilustrado pela suástica, um estudante de Juiz de Fora define a ação na Alemanha como “um baita serviço de preto, porque já que eles se propuseram a exterminar uma raça maldita porque não cumpriram o objetivo de forma decente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Jayme Blay, já enviou representação ao Gradi (Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. “O racismo, a pedofilia, o anti-semitismo, são todos crimes, não importa se é um cartaz colado no poste ou no Orkut”, diz o advogado Walter Vieira Ceneviva, especialista em Direito das Telecomunicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frases racistas são emitidas por pessoas com nome e sobrenome. Comunidades com até milhares de pessoas permitem a proliferação do sadismo. Na comunidade Eu Odeio Crianças, com 367 membros, uma jovem de 19 anos conta com prazer como viu um bebê de 2 anos cair no Parque da Mônica.&lt;br /&gt;A designer de multimídia Marília Alves tentou defender a criança de 4 anos que participa de comercial da Embratel. Foi ameaçada de estupro. Isso ocorreu na comunidade Eu tenho medo da Anã (sic) Paula Arósio, com 4.822 pessoas. A mini-atriz também foi ameaçada de estupro “cruel”. “O que me assusta é as pessoas continuarem ali depois disso”, diz Alves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As comunidades que humilham a imagem da menina, à margem do Estatuto da Criança e do Adolescente, somam mais de 7 mil pessoas. No grupo Eu Odeio a Menininha do 21 o moderador, um argentino, diz que quer reunir pessoas com vontade de dar “21 socos na cara dela”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo pequeno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O círculo do ódio dá voltas. Um norte-americano criou uma comunidade para discutir a presença brasileira no Orkut e provocou reações desproporcionais, apesar de declarar que o objetivo não era cultivar o ódio. No Brasil os grupos anti-argentinos, como o Eu Odeio a Argentina, somam mais de 800 inscritos. Em um deles o moderador pergunta quem tem vontade de “dar um tiro na cabeça de um idiota usando a camisa da seleção Argentina”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algumas contrapartidas, como a comunidade Argentinos Brasileiros Unidos, com 1.400 membros, Diga Não à Pedofilia, com 212 pessoas, A Aninha Arósio é Muito Fofa, com somente 61 integrantes, ou uma contra o criador da Eu Odeio Baianos, com 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o promotor de infância Vidal Serrano Junior, professor de Direito Constitucional da PUC-SP, a Constituição garante a liberdade de expressão, desde que não haja conflitos de direitos, como no caso do racismo, mas não o anonimato, recurso permitido pelo Orkut.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme a Polícia Federal, o Orkut não pode ser punido por ser hospedado nos Estados Unidos. Nas regras do próprio site está prevista a exclusão de material que promova o ódio ou divulgue material ofensivo baseado em raça, etnia, religião, gênero ou orientação sexual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opção é denunciar à Polícia e ao Ministério Público, por carta, telefone ou email cada indivíduo que cometer abuso. “No caso do Orkut é mais difícil encontrar a pessoa, mas não é impossível”, diz Luiz Fernando Cunha, do Serviço de Perícia em Informática do Instituto Nacional de Criminalística da PF. Ele também está no Orkut.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114859007564927193?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114859007564927193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114859007564927193&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114859007564927193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114859007564927193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/05/domingo-dia-de-anau-na-paulista.html' title='domingo, dia de anauê na paulista'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114834284367375778</id><published>2006-05-22T21:01:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T21:07:23.686-03:00</updated><title type='text'>sem gás...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.prensadefrente.org/pdfb2/media/ar08-11.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px;" src="http://www.prensadefrente.org/pdfb2/media/ar08-11.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: verdana;font-family:verdana;font-size:78%;"  &gt;La base material para refundar la patria es el gas, por ser el núcleo de la economía boliviana. Es por eso que una de las consignas más importantes del MAS es la nacionalización de los hidrocarburos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic;font-size:78%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;veja ensaio fotográfico sobre a bolívia em&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.prensadefrente.org/pdfb2/index.php/fot/2006/05/07/p1457"&gt;prensadefrente.org&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 153, 0);"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114834284367375778?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114834284367375778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114834284367375778&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114834284367375778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114834284367375778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/05/sem-gs.html' title='sem gás...'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114788943733394786</id><published>2006-05-17T14:10:00.000-03:00</published><updated>2006-05-23T17:42:44.646-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Daniela Alarcon'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Leandro Oliveira'/><title type='text'>sinais de sanidade: loucura nas ruas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;por daniela alarcon e leandro oliveira&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;fotos por daniela alarcon&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"&gt;[Louco de alta tensão] [Ame a louca mente] [Sou, mas quem não é?] [A loucura está nos olhos de quem vê]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;a style="border: 0pt none ; margin: 5px 5px 5px 0px; float: left;" href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-019.jpg"&gt;&lt;img style="width: 274px;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-019.jpg" height="178" width="285" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;E muitos viram o pequeno grupo animado diante do prédio da Gazeta. A roda de samba, sempre de samba – ainda que as músicas escolhidas fossem ora dos Demônios da Garoa, ora de Raul Seixas, não podia ser descrita de outro modo: uma roda. A entrada e saída dos músicos, e a lógica imprevisível de seus instrumentos, não pareciam resultado de ensaios anteriores. Entrosamento que impedia a roda de parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa gente é interessante”, riu uma mulher, desprezando o apelo direto das faixas. Eles ainda eram os outros. E ela, do alto de sua sanidade, prosseguia inabalada. Os que passavam, mesmo que sem a expressão de desdém, não consideravam unir-se à Parada do Orgulho Louco, criada como parte da Semana Anti-manicomial com o intuito de convidar a população a participar das discussões e da mobilização.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 19 anos de luta anti-manicomial. Até 2001, a assistência a portadores de transtornos mentais era regida por um &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.arquitetura.com.br/acessibilidade/decreto_n_24559.htm" target="_blank"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;decreto de 1934&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;, que dispunha “sobre a assistência e proteção à pessoa e aos bens dos psicopatas”. Com a I Conferência Nacional de Saúde Mental e o II Congresso Nacional dos Trabalhadores da Saúde Mental, ambos de 1987, nasceu o movimento social anti-manicomial, e o dia 18 de maio foi escolhido como a data de luta. O objetivo é construir uma sociedade sem manicômios. Não se trata de desresponsabilizar o Estado e abandonar os doentes mentais, e sim de possibilitar a sua inserção na sociedade, associada ao tratamento sem internação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frente a uma legislação considerada retrógrada, foi proposto em 1989, pelo deputado federal Paulo Delgado, um projeto de lei que previa a interrupção de internações em hospitais psiquiátricos e a desativação progressiva, dentro de cinco anos, dos hospícios existentes. Com algumas alterações, o projeto foi aprovado em 2001. A &lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.presidencia.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10216.htm" target="_blank"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;lei n° 10.206&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;, que “dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa lei assegura direitos aos doentes mentais – direitos que o decreto, cujo foco são questões administrativas, não garante. Por exemplo: “ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária” ou “ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis”, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora considerada um avanço, a legislação que substituiu o decreto não excluía a possibilidade da internação. Entre os problemas apontados pelo Fórum Paulista de Luta Anti-Manicomial estão a falta de clareza no artigo 4° (“a internação (...) só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes”), e o artigo 3°, que proíbe a internação em instituições asilares – ou seja, por tempo indeterminado – sem, contudo, levar em consideração a escassez de alternativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As instituições que representam uma alternativa aos hospitais psiquiátricos são os CAPS e NAPS (Centros e Núcleos de Apoio Psicossocial). Os pacientes que freqüentam esses espaços recebem acompanhamento psicológico e psiquiátrico, e participam de atividades como terapia ocupacional, psicodrama, oficinas de produção de texto e artes plásticas. O CAPS Itapeva, fundado em 1986, foi a primeira dessas instituições. A partir da &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.fesehf.org.br/portariams224.htm" target="_blank"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;portaria n°224/92&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; do Ministério da Saúde e da NOB 96 (Norma de Orientação Básica, do SUS), a rede de CAPS e NAPS (Núcleos de Assistência Psicossocial) foi expandida para outros municípios brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;hr /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="float: left;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-038.jpg"&gt;&lt;img alt="Gregório Carneiro" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-038.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;b&gt;Gregório Carneiro&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Gregório freqüenta o CAPS há cerca de quatro anos; de escrita, já são mais de trinta. Vestido para a festa, caminhava na Parada com seu livro recém-publicado debaixo do braço. Conversamos um pouco e ele logo mostrou seus poemas. “Quer comprar?” E antes que eu me adiantasse na caminhada, Gregório despediu-se com a estrofe de uma modinha: “Lambari tá pelejando / pra subir na cachoeira / Eu também tô pelejando / pra casar com a fazendeira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Parada do último dia 13, levada a cabo sem patrocínio, foi um esboço do que se pretende realizar nos anos seguintes. Ainda que de pequenas proporções, reuniu membros do CAPS Itapeva e do Fórum de Luta Anti-manicomial. E onde a Paulista encontra a Pamplona, São Paulo encontrou Guarulhos: em sentido contrário, chegara um grupo do CAPS de Guarulhos, com poéticas faixas desenhadas e coloridas em papel craft. O encontro foi uma festa, que continuou no CAPS Itapeva.&lt;br /&gt;Transposto o muro – onde fora gravado o aviso em stencil: &lt;em&gt;morte ao ego&lt;/em&gt; –, todos que vieram pela primeira vez foram convidados a conhecer as dependências. Uma senhora sorridente trouxe o caderno de visitantes para que eu assinasse. “Onde eu consigo um adesivo desses?”. Antes que eu termine a frase, ela já colou o dela em meu peito: “Diversidade: inclua-se nessa causa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quase todas as salas há telas, esculturas e instalações. Seguindo os preceitos dos pioneiros Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente, e Osório Cesar que, desde os anos 20, estudou a expressão artística dos internos do Juquery, a produção artística dos pacientes é incentivada no CAPS. Este ano, somaram-se ainda obras de jovens artistas plásticos, com curadoria de Eric Frade, que ocuparam o segundo andar do sobrado. O propósito da mostra conjunta é estabelecer um diálogo e agregar diferentes setores da sociedade em torno das bandeiras anti-manicomiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;O cupim está comendo a máquina anti-insanidade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jornada nas Estrelas&lt;/em&gt;, de Cleuza Ferreira Souza, era para estar dentro de um aquário. No improviso, ganhou uma pequena fonte a seu lado e nada mais. O marido de Julia Katunda, psiquiatra do CAPS, recolheu umas sucatas que hoje compõem a obra de Tatiana Mayer: um manequim, bebedouros de passarinho, papéis e chapinhas de metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sintomas, as dificuldades do cotidiano no CAPS apontam para as deficiências na política pública de saúde mental no Estado de São Paulo. Julia enumera os problemas: centralização das decisões, gestão inadequada do orçamento, falta de continuidade dos projetos na área, baixos salários. Em tais condições, os funcionários, muitas vezes, apenas cumprem burocraticamente suas atribuições, e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rotina se altera, contudo, quando o paciente consegue envolver os funcionários, rompendo a barreira da apatia. Tatiana revelou seu talento, até então desconhecido, nas artes plásticas. Kalasan, sempre anti-social, hoje se sociabiliza por meio do violão e dos textos que produz. Convertem-se, dessa forma, em “agentes de terapia”. E todos – funcionários e pacientes – se engajam coletivamente em um projeto, driblando a falta de recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirado em Lygia Clark e Helio Oiticica, o grupo de artistas do CAPS havia planejado um caminho sensorial, perpassando a sala de exposição: aromas, sons e outros estímulos. A Pfizer comprometera-se a patrociná-lo, com uma doação; na hora do vamos ver, chegou apenas uma parcela ínfima do que fora acordado. Improvisaram, então, um caminho de madeira. Substitutas do caminho sensorial, as paredes de madeira não mais existem: foram comidas pelos cupins. Que ameaçam agora a obra de Paulo Sérgio Diniz Luz, &lt;em&gt;Anti-insanidade&lt;/em&gt;, também em madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="float: left;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-002.jpg"&gt;&lt;img alt="Tatiana Mayer" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;b&gt;Tatiana Mayer&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Dois minutos que eu estou na sala, olhando a obra intitulada &lt;em&gt;Salva-vidas infindus infinitus&lt;/em&gt;, quando Tatiana chega: “Você quer comprar essa máquina?”. Como eu titubeio na resposta, ela enumera as atribuições do aparelho, capaz de regenerar o ser humano – foi tudo arquitetado em detalhes, desde a cápsula onde o DNA é depositado, até os intrincados mecanismos curativos. Tão intrincados, que eu me admito aqui incapaz de reproduzi-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão pronto eu revelo a Tatiana que não tenho dinheiro para comprar um objeto tão valioso, ela se desinteressa de mim. Travestiu-se hoje de galerista: semblante tenso, preocupada não apenas com a venda de sua produção, como com a dos colegas: “Doutora Julia, ninguém até agora quis comprar os quadros? Nem a máquina?”. Se alguém manifestar interesse, ela deve ser avisada. E prossegue na ladainha da qual se ocuparia boa parte da tarde: “Quem quer comprar uma máquina? Um quadro?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Um desperder de si&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;A máquina de Tatiana compõe-se de uma série de materiais, postos juntos, colados. Tal como seria um indivíduo psicótico, na metáfora de Julia. De acordo com ela, a psicose está no espaço da desorganização. “É um desperder de si. Você perde a lógica. Aí você vai grudando o que você encontra. São as pessoas esquisitas, são as pessoas que vêm grudadas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Science tocando lá fora – desorganizando posso me organizar – faz eco nas palavras de Julia. Ela critica a reação da razão que, interditando a psicose, circunscreve-na ao campo da patologia, em oposição aos cânones da normalidade. A razão nega que possa haver outra forma de ser que não a hegemônica. Mas as peças ali expostas insistem na alteridade: a cabeça engaiolada, os corpos dançando nos desenhos, sexos floridos, esculturas lânguidas ou agônicas, gritos do corpo e da mente. Cada peça encerra em si uma narrativa a ser desvelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shirley foi tomar um lanche e abandonou atrás de si um pequeno séquito. Corpos alongados e curvos, seios e barrigas, bocas entreabertas, as estatuetas femininas por ela esculpidas distribuíram-se em uma sala no segundo andar. Detrás de todas elas, posição de quem vela por essas mulheres tão absortas em seus próprios corpos, a mãe de Shirley ocupa uma cadeira. Tímida e silenciosa, dona Isaura quer se confundir com o barro frio. Mas vem prontamente conversar, disposta a contar as dificuldades de ter uma filha doente. Ou ainda, o prazer de poder dizer que, hoje, compreendida a doença e a forma de tratamento, é mãe de uma filha normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="float: left;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-006.jpg"&gt;&lt;img alt="Vegetação Venérea, de René Rogério Pereira" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Vegetação Venérea&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Rose, por sua vez, é Rosilene Psique. A obra &lt;em&gt;Vegetação Venérea&lt;/em&gt;, de René Rogério Pereira, contrapõe o corpo feminino ao prontuário médico de Rose. Peça de acesso restrito, por meio da qual o psiquiatra tem o poder de legislar sobre a vida do paciente, foi deixado às vistas de todos. Prontuário número 69, Rosilene, filha de Eros e Vênus. Escolaridade: orfanato e FEBEM. Múltiplos endereços (rua Augusta, rua Aurora, Cracolândia), é “terapeuta sexual”, de sexo “total” ou “indefinido”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encaminhada pela polícia, Rose recebeu tratamentos anteriores em casas de correção, FEBEM e conventos. E dentre os motivos da consulta, o principal: “delírio de que seu corpo seja a cura dos males do mundo”. Um poema escrito por ela, anexado ao prontuário, atua como recomendação de tratamento: “(...) Entre a overdose e o espasmo orgástico / entre as luvas de borracha, estetoscópio / e as coxas úmidas / escolha / A vegetação venérea / que fauna as ruas / e flora as casas (...)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julia também produziu uma pintura, exposta na parede oposta a &lt;em&gt;Jornada nas Estrelas&lt;/em&gt;. Posa para foto, junto a sua obra, e pede que eu mencione seus outros nomes na reportagem. Ingênua: “É seu nome artístico?”. “Não, são meus nomes psicóticos”. Expressão de dúvida. “Eu fiz uma adesão à psicose”, explica-me. Pois Julia Katunda é também JK Rolando, que assina o quadro, e é ainda Julia de Garcia.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para bailar la bamba&lt;/em&gt; no aparelho de som; o dia frio mas ensolarado. A festa da rua Itapeva vai longe. Duas mulheres – a do esmalte amarelo e sorriso cândido; a da blusa amarela e sorriso sedutor – estão dançando na porta do CAPS. Julia bem que me dissera, invertendo a perspectiva corrente, que se a porta do hospício está aberta, é porque a loucura está na rua.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;[Viva a loucura ávida de vida] &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-023.jpg"&gt;&lt;img alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-023.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-026.jpg"&gt;&lt;img alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-026.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-085.jpg"&gt;&lt;img alt="Salva-vidas infindus infinitus, de Tatiana Mayer" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-085.jpg" border="0" height="266" width="199" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="legenda" style="float: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Salva-vidas infindus infinitus&lt;/i&gt;, de Tatiana Mayer&lt;/b&gt;&lt;/span&gt; &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-093.jpg"&gt;&lt;img alt="Salva-vidas infindus infinitus, de Tatiana Mayer" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-093.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-040.jpg"&gt;&lt;img style="width: 183px; height: 264px;" alt="Exposição dos Novos Artistas" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-040.jpg" border="0" height="266" width="185" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-065.jpg"&gt;&lt;img alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-065.jpg" border="0" height="264" width="192" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/Parada-do-orgulho-louco-089.jpg"&gt;&lt;img alt="Gaiola Espacial, de Raimundo da Cruz Cordeiro; ao fundo: Voto, de JK Rolando" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/320/Parada-do-orgulho-louco-089.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="legenda"&gt;&lt;b&gt;1. Exposição dos Novos Artistas  2. Quadro em exposição no CAPS Itapeva  3. &lt;i&gt;Gaiola Espacial&lt;/i&gt;, de Raimundo da Cruz Cordeiro; ao fundo: &lt;i&gt;Voto&lt;/i&gt;, de JK Rolando&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr style="height: 1px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A Semana de Luta Anti-manicomial &lt;/span&gt;estende-se entre 9 e 26 de maio, com atividades previstas em diferentes pontos da cidade. Os debates – no Instituto de Psicologia da USP e na PUC – são entremeados por apresentações artísticas, música e feira anti-manicomial. Serão ocupados o vão livre do MASP, a praça da República e a praça Benedito Calixto, em Pinheiros; na Virada Cultural, um coral cênico se apresenta em apoio à luta anti-manicomial. E uma programação paralela acontece no Centro de Convivência e Cooperativa São Domingos, na zona sul de São Paulo. Mais informações sobre a programação no site &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2006/05/353034.shtml" target="_blank" onfiltered="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)"&gt;&lt;span style=""&gt;http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2006/05/353034.shtml&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fontes:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www.crpsp.org.br/a_acerv/jornal_crp/127/frames/fr_luta.htm"&gt;&lt;span style=""&gt;Jornal de psicologia – CRP SP&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a style="font-family: verdana;" href="http://www.comciencia.br/reportagens/manicom/manicom1.htm"&gt;&lt;span style=""&gt;Revista Comciência&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 153, 0);font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;[r]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114788943733394786?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114788943733394786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114788943733394786&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114788943733394786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114788943733394786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/05/sinais-de-sanidade-loucura-nas-ruas.html' title='sinais de sanidade: loucura nas ruas'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114782171699773818</id><published>2006-05-16T20:15:00.000-03:00</published><updated>2006-05-16T20:21:57.016-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Tadeu Breda'/><title type='text'>hora de repensar a pobreza,não de radicalizar a truculência</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;por tadeu breda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Acabaram-se os atentados do Primeiro Comando da Capital (PCC) na cidade de São Paulo. Os jornais apontam uma média de 215 ataques e 115 mortes em todo o Estado. Até cidades normalmente calmas e com baixa incidência de crimes tiveram ônibus queimados, bancos, viaturas e bases da PM metralhadas. Isso sem contar as rebeliões – 80 –, com 13 vítimas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Medo era o sentimento reinante entre os moradores da Capital na segunda-feira, 15 de maio. Apesar de o último ataque criminoso – uma viatura da Polícia Civil alvejada no bairro de Higienópolis – ter ocorrido por volta do meio-dia e as rebeliões terem chegado ao fim durante a tarde, escolas e universidades fecharam as portas, empresas e lojas dispensaram seus funcionários mais cedo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;A pressa para chegar em casa – aparentemente o único lugar seguro – fez com que o caos tomasse conta do já insuportável trânsito da cidade. Os ônibus eram poucos (nenhum empresário queria mais prejuízos), táxis, disputados entre os que podiam pagar. Às cinco da tarde, veículos abarrotaram as principais vias paulistanas causando aproximadamente 190 quilômetros de congestionamento, quatro vezes mais que o normal para o horário. Algum tempo depois, perto das onze da noite, as ruas estavam vazias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Houve muito boato. Foram as notícias falsas, aliás, que alimentaram a sensação de insegurança, que causou medo, que causou pânico, que desembocou em histeria. Hoje, um dia depois, as coisas já parecem estar operando como de costume. Só as bases e quartéis da PM e da Polícia Civil, além do Corpo de Bombeiros, que permanecem atentas, com bloqueios e homens montando guarda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Tudo voltou ao normal?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Poderíamos dizer a vida voltou ao normal, mas seria errôneo. Agora, mais do que nunca, todos os paulistas (e todos os brasileiros) podemos ter noção do ponto a que chegou a criminalidade – organizada, poderosa, sem qualquer respeito ao Estado ou às forças de segurança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;É hora de todos os cidadãos começarem a se preocupar coletivamente com a situação. Não adianta nada ser acometido por uma tentação revanchista e reclamar o recrudescimento da PM (que já é truculenta demais), leis mais severas, pena de morte, enfim, de nada adianta botar a Rota na rua, matar &lt;em&gt;bandido&lt;/em&gt; (“porque tem que morrer mesmo”) e mandar os direitos humanos pro beleléu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Não. O caminho é exatamente outro. Os ataques do último fim-de-semana são um alerta, um indicativo de que, se o Estado e os atores sociais não começarem a se preocupar de forma verdadeira e comprometida com a população pobre, sem paternalismo ou assistencialismo &lt;em&gt;ongueiro&lt;/em&gt;, chegaremos a uma situação insustentável, ao aumento indiscriminado da violência e da guerra particular entre criminosos e policiais pelo controle das ruas – com prejuízos todos eles para a população.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Os atentados foram uma demonstração de poder da &lt;em&gt;bandidagem&lt;/em&gt;, mas não só. A destruição de bancos – setor que vem lucrando bilhões nos últimos anos – é um indicativo nítido de que a pobreza rompeu as barreiras da favela para resolver as diferenças sociais na bala. Os integrantes do PCC mostraram um desprezo imenso pelo sistema que alimenta o ciclo de miséria em que o país se meteu e do qual não tem vontade de sair. O Estado também se mostra ausente na periferia, dando as caras somente na figura repressiva da polícia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Fora com a radicalização&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O momento, portanto, não é de radicalização, mas de reflexão. A periferia não agüenta mais tanto descaso, tanto abandono, tanta opressão. O PCC só é a face mais cruel de todo esse descontentamento. Não adianta mais escondermos a luta de classes, o profundo abismo que separa os poucos ricos e a classe-média da imensidão pobre do país. Não podemos mais ficar nos lixando pros que passam fome, porque mais cedo ou mais tarde a criminalidade junta abastados e desgraçados pelas esquinas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Chega de intolerância. A onda agora é respeitar e construir, de uma vez por todas, um estado de bem-estar social, democrático de fato, capaz de diluir a desigualdade. Os ricos não podem continuar tão ricos, os pobres não devem continuar tão pobres. Se reformas sérias e profundas não vierem, se nossa estrutura social injusta não for mexida, a saída será uma revolução. Não uma revolução popular, política, com o povo nas ruas reivindicando uma vida melhor, mas uma revolução pautada pelo crime, de ruas vazias, armada e deletéria. O apelo aos governantes está feito: eles podem fazer a mudança pacificamente ou deixar que a façam violentamente. Mas que ela virá, virá – ou alguém duvida da força do PCC? &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114782171699773818?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114782171699773818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114782171699773818&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114782171699773818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114782171699773818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/05/hora-de-repensar-pobrezano-de.html' title='hora de repensar a pobreza,&lt;br&gt;não de radicalizar a truculência'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114780067767593999</id><published>2006-05-16T14:12:00.000-03:00</published><updated>2006-05-16T21:25:27.400-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Rafael Sampaio'/><title type='text'>o governo paulista investe nesse tipo de empresa...</title><content type='html'>&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51);font-family:verdana;" &gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;por rafael sampaio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/1600/PCC.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3298/2106/400/PCC.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;A charge é copyleft de autoria de Gilberto Maringoni, para a Agência Carta Maior - &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br"&gt;http://www.cartamaior.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PCC tem uma estrutura hierárquica, que leva ao recrutamento quase automático de seus membros endividados - os "Bin Ladens". Sua complexa organização é fruto do investimento que o governo estadual fez na segurança pública e no sistema penitenciário, visando fortalecer a repressão e o policiamento ostensivo. Criou um monstro popular nos presídios paulistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PCC é diferente do Comando Vermelho, na medida em que não atua exclusivamente com o tráfico e o contrabando, e não está centrado em nenhuma favela nem morro específico. A estrutura da organização criminosa paulista assemelha-se a de um partido fanático, que tem até &lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/05/353329.shtml"&gt;estatuto próprio&lt;/a&gt; e que prega a "liberdade, justiça e paz" aos presos do estado. Pior: em tempos de combate, o PCC assumiu faceta de uma guerrilha urbana, nos moldes das milícias muçulmanas mas sem o radicalismo religioso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;As bases de operação do PCC são as penitenciárias. Com a pulverização dos presos pelas pequenas cidades do interior do estado, o governo prestou um serviço ao PCC, já que levou à sua disseminação em praticamente todo o território paulista. Não duvido que novos núcleos do PCC venham a se formar, depois destas rebeliões. A população dessas cidades, onde o policiamento é frágil e o poder do governo estadual é quase nulo, deve começar a se acostumar com novos atentados. Onde antes havia o marasmo das cidades interioranas, agora pode haver terror num breve futuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Sobrou, na capital do estado, uma sensação etérea de insegurança, uma paranóia generalizada. A raiva e o medo tomam de assalto o coração das pessoas, e estas afloram em sentimentos radicais. Ouvi, num mesmo dia, pessoas defendendo a pena de morte, a supressão de direitos individuais, a diminuição da maioridade penal, o incremento da pena nos presídios em mais 30 anos além do permitido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou da hora de agir como um povo civilizado. No dia depois do terror, o que se vê nos jornais são políticos fazendo um jogo eleitoral rasteiro. Discutem se o problema da segurança pública é federal ou estadual. Mas que raios! Será que uma solução conjunta não é possível?! Será que a Polícia Militar não pode agir no estrito senso da lei? Para quê fizemos a Constituição de 1988 então?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Em tempo: li um artigo sobre pesquisa do "Atlas da Desigualdade Social", elaborado pelo economista Márcio Pochmann, que registra um aumento de 11% da desigualdade social em toda a população nacional, de 1980 a 2000. E depois ainda querem resolver o problema dos pobres com bala, paulada e cadeia. &lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,153,102)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114780067767593999?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114780067767593999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114780067767593999&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114780067767593999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114780067767593999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/05/o-governo-paulista-investe-nesse-tipo.html' title='o governo paulista investe nesse tipo de empresa...'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114772213310396874</id><published>2006-05-15T16:36:00.000-03:00</published><updated>2006-05-15T20:21:28.393-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Fábio Brandt'/><title type='text'>o jogo começou, aperte start (ou não)</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;color:#cc9933;" &gt;por fábio brandt&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ataques a delegacias, policiais mortos, tiroteios pela cidade, ônibus incendiados. Pânico e revolta da população. Essa é a situação extrema em que se encontra a cidade de São Paulo. Claro que nem todas as partes da metrópole foram (pelo menos, por enquanto) palco da guerra urbana travada entre bandidos e policiais, nem todas as pessoas presenciaram as cenas do conflito. Neste ponto, é importante lembrar daqueles agentes responsáveis por transmitir as informações indispensáveis para a vida das pessoas. Sim, os jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através dos jornais, soube que os ataques dos bandidos foram iniciados em represália a uma tentativa da polícia de neutralizar as ações de quase 800 dos mais perigosos bandidos ligados ao PCC. Paralelamente a este motivo, alguns outros também foram apresentados, afinal de contas é um conjunto de fatos que faz a situação atingir as proporções que tomou e não uma razão isolada. Os bandidos também queriam reaver as televisões que adquiriram para ver a Copa do Mundo na cadeia e queriam poder sair da prisão no dia das mães -exigências que o governo se negou a atender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Cobertura Holywoodiana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Não fosse pela minha própria constatação da situação trágica em que se encontra São Paulo, eu pensaria que algum descendente de Orson Welles virou assessor de imprensa e plantou esta pauta-pegadinha na grande mídia. A situação é colocada como se a Quadrilha da Morte, Dick Vigarista, Lex Lutor, Pingüim e companhia não-limitada de vilões tivessem feito conchavo para atacar a metrópole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trânsito está bagunçado, o metrô está um caos, os ônibus não circulam normalmente. Só falta os semáforos piscarem luzes azuis, os hidrantes dispararem jatos de água e o dirigível da Goodyear emitir a voz de um chefão do crime anunciando o domínio da mente das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez essa minha impressão seja por conta de meu doentio imaginário de leitor de ficção. Mas o que é ficção? Os livros de Huxley e Asimov ou a grande imprensa brasileira? Acho que não entendi ainda qual a relação entre a espetacularização da vida e melhores relatos jornalísticos - deve ser uma das lições que ainda não tive, por enquanto só sou estudante de jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que não se abre mão de promover o espetáculo da guerra urbana. Quadros ilustrativos, estatísticas, perfis de policiais e bandidos, ilustrações do aparato bélico usado e do que ainda pode ser posto em prática. Tudo apresentado como num filme do Van Dame ou do Chuck Norris, ou como num jogo de Playstation 2, que torna a imagem da ficção muito próxima da imagem do real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é assim, eu já deveria saber. Um fato extraordinário deve ser representado de maneira correspondente, destacando-se dos outros assuntos. Essa lição eu já devia ter aprendido, pois sou da geração que passou a adolescência servida pela mídia pós-onzedesetembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre tinha uma edição da Veja para eu ver durante o início da guerra do Iraque. Na sala do colegial, acompanhávamos semanalmente a ficha técnica e as ilustrações em 3D dos equipamentos bélicos dos americanos. O poder de guerra dos EUA impressionava qualquer um, chegava a ser uma ótima diversão imaginar aqueles aviões e tanques em ação, como nos filmes que crescemos vendo. Do lado iraquiano, a revista publicava a foto de gente na miséria, gente ferida. Diferente da imagem dos yankees, essa não impressionava encantando, ela chocava dando dó, pena, raiva. Num vídeo game, qual dos dois personagens você escolheria para jogar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Maniqueísmo facilitador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sim, dois personagens. A mídia constituiu na época da guerra do Iraque dois lados, um pelo bem e outro pelo mal, seguindo uma linha dualista na qual um pólo não interage com seu oposto, nem por ocuparem o mesmo espaço nem por um influenciar a existência do outro. O mesmo ocorre na cobertura da guerra urbana, de um lado os homens maus - os integrantes do PCC, mercenários, seqüestradores, ladrões e congêneros - e, de outro, os defensores da população e do aparato de Estado - os policiais e os governantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os relatos não incluem a elucidação dos fatos. A complexa interação entre problemas e atores sociais é deixada de lado ao se reduzir, maniqueisticamente, a realidade. Como o crime organizado se desenvolveu nas costas da recriminação dos movimentos sociais pelos governos oficiais não é uma questão abordada pelos jornalistas nesta cobertura. Como o crime organizado se mantém garantido pela corrupção dos políticos e da polícia também não é nem questionado. Talvez fosse necessário pensar que os dois lados estão muito mais próximos, e mais interligados do que parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No máximo, a legislação e o Estado de direito são questionados como as raízes profundas do problema. Defende-se a ação em regime de exceção, para extermínio dos integrantes do PCC. Pronto, essa é a solução - pelo menos até uma nova guerra começar. Faz-se pressão sobre o legislativo para que "medidas eficientes" sejam aprovadas - como o aumento do tempo das penas e a redução da maioridade penal - o que, por si só, diminuiria a criminalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-se de tudo para a população alinhar-se ao governo e endossar as políticas emergenciais conduzidas exatamente pelas mesmas pessoas que há anos ignoram a possibilidade de um caos social. Garantir a segurança da população compreende muito mais do que a polícia vencer os bandidos. Trata-se da formulação e aplicação de políticas públicas integradas, relevando-se as particularidades de cada parte do espaço heterogêneo da cidade e da demanda por mudanças dos diferentes grupos sociais, cada qual com suas particularidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar o problema como resultado da interação dos diversos atores sociais pode ser um começo para se visualizar a questão em sua ampla complexidade e não reduzi-la a personagens de vídeo-game disponibilizados pela mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade tem uma dinâmica complexa, que até pode ser representada com uma linguagem simples e clara, como pretende fazer o jornalismo. Mas, simplificar mudando a realidade implica distorcer informações e não contribuir para a resolução dos problemas profundos da metrópole. &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114772213310396874?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114772213310396874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114772213310396874&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114772213310396874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114772213310396874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/05/o-jogo-comeou-aperte-start-ou-no.html' title='o jogo começou, aperte &lt;i&gt;start&lt;/i&gt; (ou não)'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114766524853052287</id><published>2006-05-15T00:51:00.000-03:00</published><updated>2006-05-17T15:16:40.566-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Todos os textos de Renato Brandão'/><title type='text'>assim caminhará a sociedade?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(204,153,51)"&gt;por renato brandão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo foi o palco de mais uma série de ações ousadas do Primeiro Comando da Capital (PCC). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Centenas de ataques foram realizados da última sexta-feira até a noite de domingo, em diversas cidades do Estado, mas concentrados principalmente na capital. Guardadas as proporções, n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;ão é um exagero afimar que a metrópole paulista teve um final de semana de "Baghdad" - cidade iraquiana que convive diariamente com a violência pós-queda de Saddam Hussein.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; O saldo da violência traz dezenas de mortos, entre forças de segurança, civis e suspeitos dos atos, delegacias, postos policiais e edifícios públicos atacados, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;ônibus e bancos incendiados e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; numerosas rebeliões, com cerca de uma centena de reféns. As altas autoridades do governo e da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt; consideraram que a série de ataques veio em resposta à decisão do governo estadual de transferir lideranças das facções criminosas para a penitenciária de Presidente Venceslau (Oeste do Estado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a poucas atitudes concretas do Estado, a idéia de desarticular as principais lideranças das quadrilhas de criminosos é positiva. Beira o absurdo que, mesmo presos, os chefes das organizações criminosas consigam articular rebeliões, ações coordenadas e surpreendentes como a dos últimos dias e, principalmente, comandar seus negócios ilegais, como o narcotráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem mora na cidade, obviamente, acompanha atentamente as últimas notícias com um certo grau de apreensão e indignação contra os ataques do PCC às forças de segurança pública, que "tem papel fundamental no Estado Democrático de Direito", segundo nota oficial do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D'Urso. Recusando &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;auxílio do governo federal (o que caracteriza a politização eleitoral de um caso acima de partidarismos), a SSP-SP e o governo estadual esforçam-se em afirmar que a situação está sob controle, em meio a um estado de pânico da população. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;O sentimento geral é de comoção com a onda de violência generalizada e as mortes de policiais, que, idealisticamente, devem zelar pela "defesa" da população, embora saibamos que a função primordial da polícia é a manutenção de uma ordem, seja ela qual for (no nosso caso democrática, mas repleta de injustiças). Ainda que a polícia seja "o que a sociedade quer que ela seja", nas palavras do ex-delegado carioca Hélio Luz, não se justifica matar policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;Mas a questão fundamental nesta história é pouco considerada. Todas aquelas ações do PCC estão relacionadas à problemática geral da segurança e a violência social, portanto não são mais que reflexos da realidade injusta deste país. O PCC é um resíduo de nossa realidade social excludente, e este é o verdadeiro cerne da questão. Vítima dos crimes, a sociedade civil tem sua parcela de responsabilidade geral, considerando-se que somos parte da mesma sociedade desigual. Atribui-se todo o peso das decisões ao poder público, como se nossa única obrigação cívica fosse escolher "representantes" a cada dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte da culpa recai sobre a sociedade civil pelo simples fato de que não é somente o Estado que deve estar a frente dos processos decisórios. Sim, ele é o protagonista, mas temos também nossa parcela de responsabilidade, desde o voto até o descaso com nossas mazelas sociais. Não é culpa apenas de governos "x" e "y" a existência de tantos problemas, mas de todo o tecido social, nos quais convivem ricos, médios e pobres, brancos, mestiços e negros, religiosos e não-religiosos, incluídos e excluídos. As conseqüências de nossa tolerância, indiferença e comodismo, que se expressam também diante de várias outras questões sociais, são as piores possíveis: aumento de crimes como seqüestros, assaltos e assassinatos. É muito claro que a violência está intimamente ligada à falta de justiça neste país. Só não vê quem não quer, só não muda quem não quer mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao Estado, sua maior responsabilidade é em não criar condições mais dignas para o grosso da população: as camadas pobres e os excluídos do sistema. O que o Estado tem feito muito bem é a manutenção de uma ordem social injusta. A conseqüência destas políticas nefastas só não geram uma implosão social, porque a rede judiciária-policial fazem o controle social&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:78%;"&gt;, precário, mas ainda suficiente para intimidar os mais pobres. Até as paredes das mansões dos Jardins (bairro nobre da capital paulista) sabem que o sistema penal brasileiro foi feito para os pobres! O Estado amedronta as classes mais desfavorecidas. Por sua vez, estas não se revoltam e aceitam, no seus limites, a ordem social desigual, uma vez que acreditarem na legalidade, na democracia e que um dia este país será mais justo. Mas o Estado não mais atemoriza o crime organizado, que vem explorando o medo da população e os pontos fracos do próprio Estado, desafiando-o com táticas similares às máfias italianas e aos grupos terroristas como Al Qaeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, o que se acompanha através da mídia é uma pronta resposta maniqueísta, transmitida pelos setores mais conservadores da sociedade civil, apoiados pelo pânico geral de uma população amedrontada e sedenta por "sangue" contra "os bandidos". Mais uma vez, as ações recentes do PCC são figuradas pela dialética do "bem" versus "mal", dos "policiais" versus "bandidos", dos "cidadãos de bem" versus "os do mal"... Os pecados são imputados unicamente aos "bandidos", desprezando-se a complexidade da realidade, embora está seja bem nítida. O discurso do bem versus mal não é utilizado por acaso. Serve tanto para camuflar a realidade mais complexa - e que, para mudar, requer medidas que podem contrariar interesses de grupos poderosos -, como também explicar de modo simplista a população, que diante de clima de indignação, apoiaria medidas de endurecimento e repressão, mesmo que violem direitos elementares dos indivíduos e a legalidade constitucional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;A culpa é dos Direitos Humanos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E críticas e mais críticas aos "Direitos Humanos", aos quais os grupos mais reacionários atribuem a grande culpa pelas ações dos criminosos. Estes setores, muito influentes na teia social, responsabilizam os "Direitos Humanos", ou seja, suas políticas, pelos crimes na sociedade, já que os DHs "protegeriam os bandidos" de uma punição rígida e "merecida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso que são nos países mais desenvolvidos do mundo que os DHs estão bem mais consolidados, as disparidades sociais são muito menores e a qualidade de vida é mais digna. Resumindo, os direitos humanos são parte essencial dessas sociedades, consideradas mais justas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, a conotação para Direitos Humanos é usada muitas vezes de modo equivocado - especialmente pelos grupos mais conservadores -, já que são um dos principais movimentos organizados na sociedade civil a constrangerem e contestarem as arbitrariedades sociais, econômicas, jurídicas... Não é surpresa que os mais interessados em atacar os DHs são também os maiores defensores do status quo dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade em que vivemos é mais complexa do que uma batalha de bem ou mal - infelizmente é forte o discurso dos setores sociais que insistem em lidar com a coisa como se fosse aquela brincadeira de nossa infância, o polícia-e-ladrão. O Estado deve ter firmeza, sim, contra o crime organizado. Afinal, a sensação de impunidade estimula ações ousadas de criminosos. O que se enfrenta é um inimigo ágil, com ações imprevisíveis, aos moldes de grupos mafiosos e terroristas. Neste aspecto, o Estado já sai em desvantagem, por falta de coordenação geral de seus serviços de inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o enfrentamento contra as quadrilhas não é o bastante, é apenas a ponta do iceberg. As medidas mais eficazes para o desestímulo da vida no crime não são de caráter jurídico-policial - ou melhor, somente nestes campos. É óbvio que são mais urgentes medidas de caráter criminal, dentro do Estado de Direito, contra as organizações criminosas. Mas se estas não vierem em conjunto com outras ações urgentes (futuras e de longo prazo) no campo socioeconômico, que visem a redução da exclusão social neste país, a criminalidade e a violência continuarão a ser a ponta-de-lança do caos social que aflige a sociedade civil. Pior ainda: arregimentarão novos adeptos, prontos a se engajarem no mundo fora-da-lei. Afinal, ser criminoso é uma opção de vida em uma sociedade tão cruel quanto a nossa (já dizia o cientista político Hélio Jaguaribe que o "Brasil tem um exército de reserva do narcotráfico"), em que as forças de segurança são mal pagas e muitos de seus funcionários acabam seduzidos pela corrupção. &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;[r]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20897122-114766524853052287?l=oreverso.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oreverso.blogspot.com/feeds/114766524853052287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20897122&amp;postID=114766524853052287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114766524853052287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20897122/posts/default/114766524853052287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oreverso.blogspot.com/2006/05/assim-caminhar-sociedade.html' title='assim caminhará a sociedade?'/><author><name>Reverso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17474735916818150587</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20897122.post-114744827450103435</id><published>2006-05-12T12:32:00.000-03:00</published><updated>2006-05-12T12:37:54.533-03:00</updated><title type='text'>sobre bandidos, filósofos ecaixas de supermercado</title><content t
